Menstruação: métodos alternativos de absorventes

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A vida menstrual da mulher gira em torno de 38 anos. Nesse período, são 456 ciclos e, aproximadamente, 2.280 dias menstruada. Os números comprovam: as mulheres passam grande parte da vida “naqueles dias”.  


A menstruação sempre existiu, mas os absorventes não. Já parou para pensar qual método de absorção as mulheres da idade média, por exemplo, utilizavam durante o período menstrual? Com o desenvolvimento da humanidade, os absorventes foram evoluindo e se adaptando a diversos estilos e gostos. Existem os secos, com aba ou sem, internos e noturnos. Estima-se que, ao longo da vida, use-se 10.000 absorventes, gerando cerca de 150 quilos de lixo.  


Entretanto, com uma sociedade cada vez mais consciente em relação à natureza, o mercado vem oferecendo diferentes opções para aquelas que almejam preservar o meio ambiente. Atualmente, existem várias alternativas para a mulher escolher o método que mais lhe agrada.   
O coletor menstrual é uma das possibilidades. Feito de silicone, é colocado na entrada do canal vaginal com a função de coletar o sangue menstrual. A indicação é higienizá-lo com água e sabão neutro a cada seis horas. Fervê-lo ao final de cada ciclo é aconselhável para manter um bom estado de conservação.  


Ilza Maria Urbano Monteiro, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional de Especialidades de Anticoncepção da FEBRASGO (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia), acredita que, para utilizar métodos alternativos, não é necessário consultar previamente o médico. Porém, no caso do coletor, há um processo de reconhecimento do corpo. É interessante trocar experiências com outras mulheres ou escutar um ginecologista de confiança.  


Os absorventes alternativos visam à sustentabilidade, portanto, são elaborados com material não alergênico. Porém, a especialista alerta que, em alguns casos, pode haver contraindicações “Mulheres que apresentam distopias genitais, como prolapso do útero, podem apresentar expulsão involuntária do coletor. Aquelas que manifestam infecções urinárias de repetição precisam estar atentas à higiene.”, pontuou.  


Outra opção são as calcinhas absorventes. Elas são feitas de um tecido tecnológico antimicrobiano, proposto a inibir o odor. Com um alto poder de absorção, tem apenas 1/3 da espessura de um absorvente tradicional. Recomenda-se a troca em até oito horas, monitorando a intensidade do fluxo. Pode ser lavada a mão ou na máquina, nesse caso, Ilza diz que o cuidado é indispensável “A higienização da calcinha demanda um pouco mais de atenção. Há quem recomende deixar de molho com um pouco de bicarbonato de sódio ou vinagre antes da lavagem, para retirar totalmente o cheiro.”, completou.  


O mercado também oferece os chamados absorventes reutilizáveis ou laváveis. Inspirados nos panos usados por mulheres no século XX, é confeccionado com tecido moderno e impermeável. O produto envolve a calcinha através de abas com botões e, após o uso, podem ser lavados normalmente.  


“É uma escolha pessoal” enfatiza Ilza. A proposta dos métodos alternativos é baseada na diminuição da produção de lixo, mas também podem trazer certa comodidade. Entretanto, algumas mulheres optam pelos absorventes tradicionais por se sentirem mais confortáveis, “Acredito que seja importante testar, tentar usar e decidir de acordo com a preferência de cada uma.”, comentou a especialista.   

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