Perda urinária involuntária durante o sono pode afetar autoestima, relações sociais e desenvolvimento emocional das crianças
A enurese noturna, caracterizada pela perda urinária involuntária durante o sono, vai além de um simples atraso no controle da bexiga. Comum na infância, a condição pode provocar impactos importantes no desenvolvimento emocional, social e psicológico das crianças, especialmente quando persiste após os 5 anos de idade.
Segundo o urologista da Unimed Araxá, Dr. Daniel Angotti Akel, o problema interfere diretamente na autoestima e nas relações sociais infantis. “A enurese noturna produz alterações psicológicas importantes e pode atrapalhar os laços de amizade entre as crianças, principalmente em situações sociais como viagens, festas do pijama e convivência escolar”, explica.
A doença apresenta forte relação hereditária. Estudos apontam que filhos de pais que tiveram enurese possuem entre 45% e 75% de chance de desenvolver o quadro. Em alguns casos, também podem existir associações com alterações cromossômicas e atraso no amadurecimento das vias neurológicas responsáveis pelo controle da micção.
A forma mais frequente é a enurese monossintomática, responsável por cerca de 80% dos casos. Nessa situação, a criança apresenta perda urinária apenas durante a noite, sem outros sintomas urinários associados. Entre os fatores relacionados está a hiperatividade do músculo detrusor da bexiga, que provoca contrações involuntárias enquanto a criança dorme.
“Muitas vezes, a criança não consegue despertar adequadamente durante o sono para perceber o enchimento da bexiga. Ela simplesmente não responde ao estímulo urinário”, afirma o médico.
A enurese também pode ser classificada como primária, quando a criança nunca adquiriu controle completo da urina durante a noite, ou secundária, quando a perda urinária reaparece após um período de continência já estabelecida. Nesta última situação, fatores emocionais e psicológicos podem estar envolvidos.
Outra forma é a enurese polissintomática, caracterizada pela presença de sintomas urinários também durante o dia, o que exige investigação mais detalhada e acompanhamento especializado.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é essencialmente clínico e considera episódios de perda urinária noturna duas ou mais vezes por mês em crianças acima de 5 anos. A avaliação médica inclui histórico clínico detalhado, exame físico e, em alguns casos, exames complementares.
O tratamento varia conforme cada paciente e pode envolver diferentes abordagens. “Existem opções como terapia comportamental, acompanhamento psicológico, uso de alarmes de perda urinária e medicamentos. O tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um especialista”, destaca Dr. Daniel Angotti.
O urologista ressalta ainda que o acolhimento familiar é parte fundamental do processo terapêutico. “É importante que os pais entendam a doença e ofereçam apoio à criança. A enurese não deve ser encarada como preguiça, desleixo ou comportamento inadequado. O suporte correto evita transtornos afetivos e psicológicos que podem repercutir no desenvolvimento e até na vida adulta”, afirma.
