Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina mobiliza Zona Leste para evitar queda nos estoques e salvar vidas
Com mais de 33 mil transfusões realizadas em 2025, hospital reforça campanha solidária no período de inverno e alerta: uma única doação pode salvar até quatro vidas
Com a chegada do inverno, das férias escolares e das tradicionais festas juninas, os hemocentros de todo o país enfrentam um desafio que se repete ano após ano: a queda no número de doadores de sangue. Enquanto as doações diminuem, a necessidade de transfusões continua alta para atender pacientes em estado grave, cirurgias complexas, tratamentos oncológicos e emergências hospitalares. No Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, o Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina faz um alerta à população e mobiliza a Zona Leste de São Paulo em uma grande corrente de solidariedade para reforçar os estoques e garantir atendimento aos pacientes que dependem diariamente deste gesto de amor.
Referência em alta complexidade para a Zona Leste, o Santa Marcelina Saúde realiza mensalmente entre 2,5 mil e 3 mil transfusões de sangue e hemocomponentes em pacientes internados e ambulatoriais. O Banco de Sangue também abastece as unidades hospitalares de Cidade Tiradentes, Itaquaquecetuba e Itaim Paulista.
Somente em 2025, a instituição recebeu mais de 28 mil candidatos à doação, realizou mais de 33 mil transfusões e distribuiu mais de 21 mil bolsas de sangue para diferentes unidades e serviços. Já no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 7.282 doadores, 8.309 transfusões realizadas em Itaquera e o fornecimento de 6.515 bolsas para outras unidades da rede. Para manter os estoques em níveis seguros, o hospital necessita de aproximadamente 140 doações por dia – o equivalente a cerca de 3 mil a 4 mil doadores mensais.
“A doação de sangue é um ato voluntário, generoso e altruísta. Apesar de o Brasil estar dentro da recomendação da Organização Mundial da Saúde, ainda precisamos ampliar o número de doadores regulares, principalmente em épocas do ano em que, historicamente, ocorre queda nos estoques”, alerta a Dra. Solivanda Alves, supervisora médica do Serviço de Hemoterapia do Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina. A especialista reforça que doar sangue é um procedimento seguro, rápido e que pode transformar vidas.
Para doar sangue, é preciso estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar bem alimentado e apresentar um documento oficial com foto recente. “Pessoas entre 60 e 69 anos só podem doar se já tiverem realizado ao menos uma doação antes dos 60 anos. Também é importante evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a doação e não consumir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores ao procedimento. Em caso de gripe ou resfriado, a orientação é aguardar a completa recuperação antes de doar”, explica.
Um gesto de 40 minutos capaz de salvar até quatro vidas: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os países precisam manter entre 1% e 3% da população como doadora regular para garantir o abastecimento seguro dos serviços de saúde. No Brasil, o índice permanece em torno de 1,4% da população — o equivalente a aproximadamente 14 doadores a cada mil habitantes.
Dados do Ministério da Saúde apontam que são realizadas cerca de 3,1 milhões de doações por ano no Sistema Único de Saúde (SUS). Embora o número seja considerado suficiente, os estoques tornam-se vulneráveis em períodos sazonais de baixa adesão. O impacto da doação de sangue é imediato e pode salvar até quatro vidas. Todo o processo é simples, seguro e dura, em média, 40 minutos, incluindo cadastro, triagem e coleta.
“Após a doação, o sangue é fracionado em diferentes hemocomponentes, como hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado – um derivado do plasma rico em proteínas fundamentais para a coagulação. Cada componente tem uma finalidade específica e pode ser utilizado em diversos tratamentos hospitalares, ampliando o alcance e a importância de cada gesto de solidariedade”, esclarece Dra. Solivanda.
Plasma excedente ajuda a produzir medicamentos essenciais para pacientes do SUS: além das transfusões, o Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina possui parceria estratégica com a Hemobrás para o envio do plasma excedente coletado na unidade. Esse plasma, que não será utilizado em transfusões, é destinado à fabricação de medicamentos essenciais para pacientes do SUS, como albumina, imunoglobulinas e fatores de coagulação utilizados no tratamento da hemofilia e outras doenças. Em 2025, o Santa Marcelina forneceu 10.935 bolsas de plasma excedente à Hemobrás.
“O plasma possui validade maior e isso permite prever o quantitativo necessário para transfusão e o excedente que pode ser enviado para produção de medicamentos. Hoje, esse material ajuda diretamente pacientes com hemofilia, imunidade baixa e outras doenças que necessitam de derivados do plasma humano”, destaca a Dra. Solivanda Alves.
Histórias que mostram o poder da doação
“Mesmo após perder meu irmão, continuei doando para ajudar outros pacientes” – A solidariedade ganhou um novo significado para o analista de redes Guilherme Borges Cambi, de 36 anos, morador de São Miguel Paulista, na Zona Leste. Durante a pandemia de Covid-19, seu irmão, Eduardo Barros, começou a passar mal. A família acreditava que fosse coronavírus, mas após exames veio o diagnóstico que mudaria suas vidas: leucemia. “Foram dois anos de tratamento no ambulatório de pediatria oncológica do TUCCA, no Santa Marcelina. Quando o câncer voltou, entramos em uma corrida contra o tempo para conseguir doadores de plaquetas. Amigos, familiares e desconhecidos abraçaram nossa campanha”, relembra.
Mesmo após a perda do irmão, Guilherme decidiu transformar a dor em solidariedade permanente. “Infelizmente, meu irmão faleceu há dois anos. Eu poderia ter encerrado essa corrente solidária, mas sigo doando plaquetas todos os meses no Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina. Faço isso pela memória dele e porque sei que posso ajudar outros pacientes na luta contra o câncer. Enquanto eu puder, vou continuar nesta missão”.
“Meu filho continua lutando graças às doações de sangue” – A auxiliar de produção Gideane dos Santos, de 36 anos, moradora da Zona Leste, viu sua vida mudar completamente quando o filho Thalles, então com apenas sete anos, em 2022, começou a apresentar dificuldade para urinar e inchaço abdominal. Após uma série de exames, veio o diagnóstico raro e devastador: câncer de próstata infantil já com metástase pulmonar. “O tumor tinha 12 centímetros. Foi um choque para toda a família”, conta.
Thalles passou por cirurgias, sessões intensas de quimioterapia e radioterapia, além de longos períodos de internação. Durante o tratamento, precisou receber inúmeras bolsas de sangue e plaquetas. “Iniciamos campanhas para pedir doações e pessoas que nunca vimos na vida foram doar para o meu filho. É um gesto de amor gigantesco. Em 2024 com nove anos, ele precisou passar por uma nova cirurgia porque o intestino parou de funcionar. Chegou a pesar apenas 11 quilos e ficou seis meses internado”.
Hoje, Gideane faz questão de conscientizar outras pessoas sobre a importância da doação. “Precisamos romper barreiras e quebrar paradigmas. Receber sangue de um doador voluntário é um dos atos mais fortes e sublimes de amor. Graças às doações, meu filho continua lutando contra o câncer. Eu sou eternamente grata”.
Campanha especial de incentivo à doação: o Banco de Sangue do Hospital Santa Marcelina realizará uma ação especial para incentivar as doações entre os dias 8 e 13 de junho.
Quando?
- De 08 a 12 de junho: das 7h às 16h
- Dia 13 de junho: das 7h às 12h
Serviço de Hemoterapia do Santa Marcelina Saúde
Rua Harry Dannenberg, 473 – Itaquera – São Paulo/SP
- Segunda a sexta-feira: das 7h às 16h (limitado a 140 senhas por dia)
- Sábados: das 7h às 12h (limitado a 120 senhas por dia)
Doe sangue. Um gesto simples pode salvar até quatro vidas.
