BP alcança marca histórica de 1.500 transplantes de medula óssea em 10 anos

Resultado reforça a atuação em alta complexidade, com equipes multidisciplinares, parcerias estratégicas e projetos de referência nacional

A BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo alcançou  a marca histórica de 1.500 transplantes de medula óssea (TMO), dez anos após o início do projeto na instituição. Centro de referência nesses procedimentos, a BP é apontada, pelo sétimo ano consecutivo, como a instituição que mais realiza TMO’s na Grande São Paulo, e está entre os 3 primeiros no Brasil. Em, 2024 foram realizados 200 procedimentos e, em 2025, 235 – entre transplantes de medula e terapias CAR-T em adultos e crianças. 

O crescimento expressivo do programa foi impulsionado por um modelo inovador de “pacote” que reúne, em um único valor, todos os serviços necessários ao tratamento (desde procedimentos e medicamentos até consultas e assistência multiprofissional), garantindo previsibilidade de custos para a saúde suplementar. O programa de terapia celular da BP contempla todas as modalidades de transplante de medula óssea em adultos e crianças: autólogo; alogênico, com doador aparentado ou não aparentado (via bancos de medula ou de cordão umbilical) e haploidêntico, com doador 50% compatível. Além disso, a instituição realiza todas as terapias com CAR-T cells aprovados no Brasil, que representa um dos maiores avanços  na onco-hematologia dos últimos anos.

“Estamos muito orgulhosos dessa marca, que reflete a seriedade do trabalho desenvolvido, a qualidade assistencial e a força de um corpo clínico altamente qualificado. Todos os casos são avaliados por um comitê colegiado em reuniões semanais, o que garante decisões criteriosas e alinhadas às melhores práticas internacionais”, afirma Phillip Scheinberg, líder da Hematologia do Centro de Oncologia e Hematologia da BP. Segundo ele, a instituição mantém quatro ambulatórios dedicados ao TMO, com resultados sistematicamente reportados a bancos de dados nacionais e internacionais e apresentados em congressos no Brasil e no exterior, ampliando a visibilidade da BP no cuidado de alta complexidade aos pacientes adultos e pediátricos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Terapia Celular e Transplante de Medula Óssea (SBTMO), em setembro de 2025 mais de 2.500 pessoas aguardavam pelo procedimento no país. O TMO é essencial no tratamento de doenças graves do sangue e do sistema imunológico, como leucemias, linfomas, aplasia de medula, síndromes de imunodeficiência e mieloma múltiplo.

Ainda no começo de 2026, a BP deu início à terceira expansão do projeto de TMO, com a ampliação de sua capacidade assistencial. A unidade passará a contar com mais 10 leitos privativos, somando-se aos 34 já em operação. O BP Mirante  dispõe de outros 7 leitos pressurizados, equipados com tecnologia de ponta. A instituição se destaca pelo forte engajamento em pesquisa e inovação, com foco na ampliação do acesso a terapias avançadas.

Primeiro CAR-T 100% nacional

A BP integra o maior programa de Terapia Celular da América Latina, estruturado como um consórcio que reúne instituições como USP de Ribeirão Preto, USP de São Paulo, Instituto Butantan, Unicamp e o Hospital Sírio-Libanês, para o desenvolvimento e eventual registro do primeiro CAR-T 100% nacional, no âmbito do projeto NUTERA (Núcleo de Terapia Celular Avançada). Com apoio do Ministério da Saúde e do Governo do Estado de São Paulo, a iniciativa busca reduzir significativamente o custo da terapia, atualmente não coberta pelo SUS, e torná-la mais acessível. O estudo clínico, que envolve 81 pacientes, tem previsão de concluir o recrutamento até o final de 2026, seguido por seis meses de acompanhamento para submissão à Anvisa.

CAR-T no tratamento de doenças autoimunes

Outra frente de inovação da BP é a participação em estudos clínicos que avaliam o uso da terapia CAR-T no tratamento de doenças autoimunes, como lúpus, esclerose múltipla, miosites inflamatórias e artrite reumatoide.

“Trata-se de um projeto revolucionário, desenvolvido em parceria com diversas indústrias farmacêuticas e empresas de biotecnologia que trazem seus estudos clínicos para o Brasil com o objetivo de expandir a aplicação da terapia celular também para as doenças autoimunes. Essa é uma área de grande interesse para nós na BP, onde temos o Núcleo de Doenças Autoimunes, especialmente diante dos resultados preliminares, bastante promissores. Tivemos o privilégio, em duas ocasiões, de receber na BP os protagonistas dessas pesquisas, discutindo as estratégias, os resultados e o futuro dessa tecnologia no tratamento das doenças autoimunes.” destaca o hematologista Phillip Scheinberg.

Impacto social e capacitação nacional pelo PROADI-SUS

O programa de TMO da BP também gera impacto social relevante por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), em parceria com o Ministério da Saúde.  Em seu segundo triênio, a iniciativa conta com dois projetos em andamento, voltados à qualificação e à expansão do transplante de medula óssea no SUS, contribuindo para a redução das desigualdades regionais por meio de capacitação e consultoria técnica a centros de saúde em todo o país. Além disso, a BP disponibiliza leitos para realização de TMO de pacientes encaminhados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), fortalecendo a rede de cuidado e ampliando o acesso ao procedimento.

Os projetos estão estruturados em três frentes complementares:

  • Assistencial: realização de transplantes de medula óssea em pacientes do SUS. Até o momento, já foram realizados 109 transplantes, incluindo procedimentos autólogos e alogênicos, em pacientes adultos e pediátricos. O projeto também contempla a realização de coletas de medula para o REDOME, contribuindo para a diminuição da espera por um transplante com doadores não aparentados.
  • Capacitação e apoio técnico: realização de visitas técnicas conduzidas por equipes da BP a 12 centros transplantadores e 8 hospitais de alta complexidade do SUS, com foco no mapeamento de processos e proposição de melhorias. A iniciativa inclui também programas de imersão, nos quais 100 profissionais desses serviços passam uma semana na instituição, fortalecendo a formação prática e a troca de experiências.
  • Educação: oferta de conteúdo por meio de uma plataforma de Ensino a Distância (EAD), que conta com mais de 15 módulos gravados, mais de 900 profissionais concluintes e NPS (nível de satisfação) de 96, contribuindo para a qualificação de equipes multiprofissionais e de médicos de diferentes regiões do país.

Como doar medula óssea

De acordo com o REDOME, o Brasil é o terceiro país em número de doadores de medula óssea, com cerca de 6 milhões de voluntários cadastrados. Ainda assim, esse contingente representa apenas 3% da população, o que reforça a importância da conscientização.

Para se tornar doador, é necessário:

  • Ter entre 18 e 35 anos;
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Apresentar documento oficial com foto;
  • Comparecer a um hemocentro para coleta de uma amostra de 10 ml de sangue para exame de compatibilidade genética (HLA).

Caso seja identificado como compatível com um paciente, o doador é convocado para avaliação complementar e orientado quanto ao procedimento, que é seguro, realizado em ambiente hospitalar, com riscos mínimos. É importante ressaltar que, na grande maioria dos casos, a coleta de medula óssea do doador não envolve procedimento cirúrgico e é realizada de forma ambulatorial. Em muitos casos, o transplante representa a única chance de vida para o paciente.

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