Até quando é normal não falar? Especialista alerta para sinais precoces de atraso de linguagem no TEA
Fonoaudióloga explica quando a espera pode prejudicar o desenvolvimento e destaca a importância da intervenção precoce
A frase “cada criança tem seu tempo” ainda é amplamente utilizada por famílias diante de dúvidas sobre o desenvolvimento infantil. No entanto, segundo a fonoaudióloga Paula Anderle, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa percepção pode atrasar investigações essenciais.
“O desenvolvimento da linguagem tem marcos importantes. Quando eles não são observados, é preciso investigar, pois esperar passivamente pode comprometer a evolução da criança”, afirma.
O alerta encontra respaldo na literatura científica. Estudos indicam que atrasos na linguagem podem estar associados tanto a quadros isolados quanto a condições do neurodesenvolvimento, como o TEA, sendo fundamental a diferenciação precoce para definição da conduta terapêutica.
Sinais que não devem ser ignorados
Antes dos 2 anos, alguns comportamentos já funcionam como marcadores de risco:
- Não responder ao próprio nome
- Não apontar para objetos de interesse
- Baixa intenção comunicativa
- Pouco contato visual
Segundo diretrizes da American Academy of Pediatrics, atrasos no desenvolvimento da comunicação devem ser investigados precocemente, uma vez que os primeiros anos de vida são críticos para aquisição da linguagem e das habilidades sociais.
Intervenção precoce faz diferença comprovada
Evidências científicas mostram que intervenções iniciadas nos primeiros anos promovem ganhos significativos em linguagem, cognição e interação social. Uma revisão publicada por Dawson et al. (2010) demonstrou que crianças com TEA submetidas a intervenção precoce intensiva apresentaram melhora relevante no QI, linguagem e comportamento adaptativo.
“O cérebro infantil tem alta plasticidade. Quanto antes estimulamos, maiores são as chances de desenvolvimento funcional da comunicação”, explica Paula.
Como estimular em casa
Enquanto aguardam avaliação, os pais podem favorecer o desenvolvimento com estratégias simples:
- Narrar ações do cotidiano
- Incentivar gestos e apontar
- Criar oportunidades de comunicação
- Priorizar interação face a face
“A comunicação começa muito antes da fala. Quando estimulamos a intenção comunicativa, estamos construindo a base da linguagem”, reforça a especialista.
Referências citadas no texto:
- Rescorla, L. (2011). Late talkers: Do good predictors of outcome exist?
- Ellis Weismer, S., & Kover, S. T. (2015). Preschool language variation in autism spectrum disorder
- American Academy of Pediatrics – Developmental Surveillance and Screening Guidelines
- Dawson, G. et al. (2010). Early behavioral intervention in autism (Pediatrics)
