Pets vivendo mais: Como manter a qualidade de vida nessa fase?

Com o aumento da expectativa de vida, cães e gatos exigem atenção mais direcionada para manter o bem-estar na fase madura

Conviver com um pet ao longo dos anos é acompanhar de perto cada fase da vida, da energia dos primeiros meses à tranquilidade da maturidade. Hoje, graças aos avanços na medicina veterinária e aos cuidados mais atentos dos responsáveis, cães e gatos estão vivendo mais. E, com isso, surge um novo desafio: garantir que essa longevidade venha acompanhada de qualidade de vida.

O envelhecimento é um processo natural, mas envolve uma série de mudanças progressivas no organismo. Com o passar do tempo, é comum observar redução da massa muscular, alterações no metabolismo, maior sensibilidade a processos inflamatórios e mudanças no funcionamento do sistema cognitivo. Essas transformações podem impactar a disposição, o comportamento e até a interação do animal com o ambiente.

“Nessa fase, o organismo passa por uma série de adaptações. Há uma tendência de redução na capacidade de regeneração celular, aumento do estresse oxidativo e mudanças na resposta inflamatória, o que pode influenciar diretamente a mobilidade, a cognição e o bem-estar do animal”, explica Marcella Vilhena, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Saúde Animal.

Essas alterações não significam, necessariamente, perda de qualidade de vida, mas indicam a necessidade de cuidados mais direcionados. Durante o envelhecimento, o acompanhamento do animal deve se tornar mais atento e frequente. Consultas regulares permitem monitorar mudanças no organismo, ajustar a rotina e identificar precocemente possíveis alterações.

As adaptações do ambiente, com espaços mais acessíveis e confortáveis, o estímulo a atividades físicas compatíveis com a condição do animal e a atenção ao comportamento no dia a dia também fazem parte desse cuidado. Pequenas mudanças, como redução da disposição, dificuldade de locomoção ou alterações na interação, podem indicar a necessidade de ajustes na rotina.

“Envelhecer não significa perder qualidade de vida, mas exige um olhar mais atento para as necessidades do animal. Muitas vezes, sinais sutis são os primeiros indicativos de que algo precisa ser ajustado no manejo”, reforça Marcella.

É nesse contexto que a nutrição passa a ter um papel ainda mais estratégico, atuando como suporte para o organismo ao longo do envelhecimento.

Entre os suplementos utilizados nessa fase, destacam-se aqueles com ômega 3, especialmente os ricos em DHA (ácido docosahexaenoico). Presente na estrutura das membranas celulares, esse composto está relacionado ao suporte das funções neurológicas, que podem apresentar alterações com o avanço da idade.

Adicionalmente, a vitamina E e o selênio também são utilizados nesse contexto. Esses elementos participam de processos associados ao equilíbrio do organismo frente ao estresse oxidativo, condição que tende a se intensificar com o envelhecimento.

“Quando pensamos no cuidado com animais idosos, é importante considerar estratégias que apoiem o organismo de forma ampla, respeitando as mudanças naturais dessa fase e contribuindo para o equilíbrio ao longo do tempo”, destaca Marcella.

Na prática, isso significa que o cuidado com o animal passa a ser ainda mais integrado. A suplementação, quando orientada pelo médico-veterinário, pode fazer parte dessa rotina, considerando as necessidades individuais e o momento de vida de cada paciente.

Além disso, o acompanhamento regular é essencial para identificar precocemente alterações relacionadas à idade e ajustar os cuidados conforme necessário. Mudanças na disposição, na mobilidade ou no comportamento não devem ser encaradas apenas como “normais da idade”, mas como sinais que merecem atenção.

Envelhecer faz parte da vida e, para os pets, esse processo pode ser vivido com mais conforto quando há cuidado contínuo e direcionado.

Comente sobre esta matéria ;)