Tag: Cães

  • Por que os rituais moldam o vínculo entre responsáveis e pets?

    Para cães e gatos, a rotina não é apenas organização do dia. É a principal forma de interpretar o ambiente e, sobretudo, de entender a relação com quem cuida deles

    Quem convive com pets já está familiarizado com a cena: poucos minutos antes do horário habitual da refeição, o animal começa a se movimentar, observar e antecipar o que está por vir. O mesmo acontece com o momento do passeio, da brincadeira ou até da chegada do responsável em casa. Essa capacidade de prever eventos não é coincidência, mas sim o resultado da construção de rituais na rotina.

    Diferente dos humanos, que interpretam o ambiente a partir de contexto e linguagem, os cães e gatos se orientam por padrões. Sempre que um evento se repete em condições semelhantes, como horário, sequência de ações e sinais do ambiente, o cérebro passa a registrá-lo como previsível. Essas referências ajudam o animal a entender o que esperar e como reagir a cada momento.

    Esse processo tem um impacto direto não apenas no comportamento, mas também na forma como o animal constrói sua relação com o responsável. Com o tempo, essas sequências deixam de ser apenas eventos repetidos e passam a funcionar como pontos de referência emocional. É por meio delas que o pet associa determinadas situações à presença, à ação e à resposta de quem cuida dele, criando uma base de segurança que sustenta o vínculo.

    Segundo a médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, Bruna Isabel Tanabe, essa construção acontece de forma progressiva e está diretamente ligada à consistência da rotina. “Quando o animal entende a dinâmica do ambiente, ele responde com mais segurança. Isso impacta não só o comportamento, mas também a qualidade da interação com quem faz parte da rotina dele”, explica.

    Entre os diferentes rituais do dia a dia, aqueles ligados à alimentação ocupam um papel central nesse processo. O acesso ao alimento é, biologicamente, um dos estímulos de maior relevância para cães e gatos.

    Na prática, isso significa que o momento da alimentação não se limita à nutrição. Ele concentra atenção, expectativa e interação em um mesmo contexto, o que o torna especialmente relevante na construção do vínculo. Ao longo do tempo, o animal passa a associar esse momento não apenas à saciedade, mas também à segurança do ambiente e à relação com quem está presente.

    Dentro dessa lógica, os petiscos desempenham um papel importante, pois permitem ampliar as janelas de interação sem comprometer a previsibilidade que sustenta o equilíbrio do animal. “Em vez de concentrar a experiência apenas no horário da refeição, os snacks podem ser distribuídos ao longo do dia, criando novas oportunidades de conexão e interação”, explica a profissional.

    Essa aplicação pode acontecer de diferentes formas. Oferecer o petisco diretamente reforça a associação com a presença do responsável, enquanto escondê-lo em locais acessíveis ou utilizá-lo em objetos contribui com o enriquecimento ambiental estimulando comportamentos de exploração e engajamento. “Para os cães, isso costuma se traduzir em pequenas buscas ou deslocamentos dentro de casa. Para os gatos, a distribuição em diferentes alturas ou pontos do ambiente ativa comportamentos naturais de caça, respeitando a forma como a espécie interage com o espaço”, detalha Bruna.

    Essas variações ajudam a manter o ambiente estimulante sem romper a base de segurança construída pelos rituais. Outros momentos, como pausas para descanso, interações previsíveis e brincadeiras estruturadas, também contribuem para essa organização, ajudando o animal a compreender melhor o fluxo do dia.

    Para Bruna é essa consistência que sustenta a qualidade da convivência. “Quando o responsável organiza a rotina de forma previsível, ele cria um ambiente mais confortável para o animal. Isso facilita a adaptação e melhora a relação no dia a dia”, afirma.

    Nesse contexto, o vínculo deixa de ser construído apenas em momentos isolados de interação e passa a se formar ao longo da rotina. É na repetição e na qualidade desses rituais, principalmente nos momentos ligados à alimentação, que o animal aprende a associar o ambiente à segurança e a desenvolver uma relação mais estável com quem faz parte do seu dia a dia.

  • Seu pet está mesmo com fome?

    Seu pet está mesmo com fome? Entenda como funciona a saciedade em cães e gatos

    Nem todo pedido por comida indica necessidade nutricional. Saiba como diferenciar fome real, hábito e busca por interação, e como inserir petiscos de forma equilibrada na rotina alimentar dos animais

    Muitos responsáveis conhecem bem a cena: o pet acabou de comer, mas continua ao lado do pote, segue a pessoa pela casa ou encara o armário onde ficam os snacks. Em alguns casos, o comportamento parece tão insistente que surge a dúvida: será que ele ainda está com fome? A resposta nem sempre está no estômago. Em cães e gatos, a vontade de comer pode estar relacionada a necessidade energética, mas também a hábito, expectativa, tédio, aprendizado ou busca por atenção.

    “A saciedade é um processo fisiológico complexo. Ela envolve sinais enviados pelo trato digestivo, pela presença de nutrientes no organismo e pela comunicação entre hormônios e cérebro. Quando o animal se alimenta, o corpo registra volume, composição da refeição e energia disponível. Esses sinais ajudam a reduzir o impulso por comida. O desafio é que esse mecanismo não funciona de forma isolada: ambiente, rotina e experiências anteriores também influenciam a forma como o animal se comporta diante do alimento.”, explica Bruna Isabel Tanabe, médica-veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition

    Nos cães, essa leitura pode ser especialmente difícil. A espécie apresenta um comportamento alimentar oportunista do ponto de vista evolutivo, ou seja, tende a aproveitar os recursos disponíveis, resultado de uma adaptação evolutiva que foi vantajosa ao longo de sua história. Por isso, muitos cachorros demonstram interesse por comida mesmo quando já estão nutridos. O pedido insistente, nesse caso, nem sempre significa fome real. Pode ser uma resposta condicionada: se, em algum momento, aproximar-se da mesa, latir ou olhar fixamente resultou em alimento, o cérebro passa a repetir esse caminho.

    Já com os gatos, a dinâmica segue outra lógica. Felinos tendem a fazer pequenas ingestões ao longo do dia e são altamente sensíveis ao contexto em que a comida aparece: local do pote, movimentação da casa, horários e até a presença do responsável podem influenciar o comportamento. Um gato pode vocalizar perto do comedouro não apenas por fome, mas porque aprendeu que aquele gesto provoca uma resposta. Também pode buscar comida em momentos de ansiedade, mudança de rotina ou redução de estímulos no ambiente. Como os sinais da espécie são mais sutis, é comum confundir solicitação de interação com demanda alimentar. Por isso, conhecer os hábitos, a rotina e o comportamento individual do animal é essencial para interpretar corretamente esses sinais.

    Segundo a profissional, entender essa diferença é essencial para orientar o cuidado. “A fome está relacionada a uma necessidade fisiológica, mas o comportamento de pedir comida pode ter outras origens. O animal pode estar buscando previsibilidade, atenção, estímulo ou simplesmente repetindo algo que aprendeu que funciona. Por isso, antes de aumentar a oferta, é importante observar o contexto em que esse pedido aparece”, explica.

    Um ponto importante é avaliar o padrão, não apenas o episódio. Se o pet mantém peso adequado, está ativo, disposto, consome a dieta principal e não há sinais clínicos, pedidos ocasionais por comida podem estar mais ligados ao comportamento do que à carência nutricional. Já alterações como aumento repentino do apetite, perda de peso, ingestão exagerada de água, vômitos, diarreia ou mudança brusca de comportamento exigem avaliação veterinária, pois podem indicar condições metabólicas ou hormonais.

    A rotina também pesa nessa equação. Animais que recebem alimento em horários muito variáveis, que ganham pequenas porções diversas ao longo do dia ou que associam determinados comportamentos à oferta de snacks podem desenvolver uma expectativa constante. Isso não significa que os petiscos sejam o problema. Pelo contrário: quando inseridos com clareza dentro da rotina, eles ajudam a organizar momentos de interação e enriquecem a experiência alimentar. A diferença está em transformar a oferta em parte de uma estratégia, não em uma resposta automática a qualquer solicitação.

    Na prática, uma boa forma de diferenciar fome, hábito e busca por atenção é observar o que acontece quando o responsável propõe outra forma de engajamento. Se o pet aceita brincar, explorar um objeto, receber carinho ou participar de uma pequena atividade, talvez a necessidade naquele momento não seja comida, mas interação. Nos cachorros, esse comportamento aparece com frequência em períodos de ociosidade. Já para os felinos, pode surgir antes de horários previsíveis da refeição, quando percebem movimentação na cozinha ou em momentos em que a casa oferece poucos estímulos.

    Os petiscos entram como aliados e ajudam a dar função a esses momentos. Em vez de apenas entregar o snack, o responsável pode inseri-lo em pequenas experiências: oferecer parte da porção em brinquedos de manipulação, usar formatos menores em exercícios curtos de atenção ou criar momentos de exploração controlada. Para cães, atividades que envolvem espera, foco e pequenas tarefas ajudam a prolongar a experiência e reduzem a sensação de consumo imediato. Para gatos, porções pequenas em recipientes diferentes, pontos de observação ou objetos que exijam toque e investigação respeitam melhor o comportamento natural da espécie.

    A quantidade também precisa ser considerada no uso de petiscos. De modo geral, os petiscos devem compor uma parcela limitada da ingestão calórica diária, frequentemente considerada em torno de até 10% do total recomendado para o animal, considerando sempre a orientação do médico-veterinário. Essa referência ajuda a preservar o equilíbrio da dieta principal, que continua sendo a base nutricional. A porção ideal, no entanto, varia conforme porte, idade, nível de atividade, condição corporal e necessidades individuais.

    Bruna reforça que o cálculo não deve ser visto apenas como restrição, mas como uma forma de qualificar o uso dos snacks. “Quando o responsável entende a porção adequada, consegue oferecer petiscos com mais segurança e intenção. Isso permite manter o momento prazeroso, sem deslocar a alimentação principal ou interferir no equilíbrio nutricional. O cuidado está em considerar o petisco dentro da rotina alimentar, e não como algo separado dela”, afirma.

    Também vale observar a resposta do animal ao longo do tempo. Se o pet passa a recusar a refeição principal, ganha peso progressivamente ou se torna insistente sempre que vê alimento, a rotina pode precisar de ajustes. Em muitos casos, pequenas mudanças já fazem diferença: definir horários mais consistentes, fracionar melhor a oferta, reservar os snacks para momentos específicos e envolver o animal em atividades que ampliem a experiência antes do consumo.

    Compreender a saciedade nos pets exige olhar para o que acontece antes e depois do pedido por comida. O pote, o armário de petiscos e a movimentação da casa podem carregar significados diferentes para cada animal. Quando o responsável aprende a interpretar esses sinais, a resposta deixa de ser automática e passa a considerar o que o pet realmente está comunicando naquele momento.

  • Cães e gatos também podem doar sangue e ajudar a salvar vidas

    Campanha chama atenção para uma prática ainda pouco conhecida entre os tutores e fundamental para o tratamento de animais em situações de emergência

    Quando o assunto é doação de sangue, a maioria das pessoas pensa imediatamente em seres humanos. No entanto, o que muitos tutores não sabem é que cães e gatos saudáveis também podem se tornar doadores e contribuir para salvar a vida de outros animais em situações críticas.

    A conscientização ganha força durante o Junho Vermelho, campanha tradicionalmente dedicada ao incentivo à doação de sangue, mas que também abre espaço para discutir a importância dos bancos de sangue veterinários e da participação dos tutores na manutenção dos estoques necessários para atendimentos emergenciais.

    Assim como ocorre na medicina humana, transfusões de sangue podem ser decisivas para cães e gatos submetidos a cirurgias, vítimas de acidentes, portadores de anemias ou em tratamento de doenças que comprometem a produção de células sanguíneas. Nesses casos, a disponibilidade de sangue compatível pode representar a diferença entre a vida e a morte.

    Embora a prática seja cada vez mais difundida na medicina veterinária, os bancos de sangue animal ainda enfrentam desafios para manter estoques regulares. A disponibilidade de doadores é fundamental para garantir o atendimento de emergências, cirurgias e tratamentos de cães e gatos em todo o país.

    Apesar da relevância do tema, a doação de sangue entre pets ainda é pouco conhecida pela população. Muitos tutores desconhecem que seus animais podem se tornar doadores ou não sabem como funciona o processo, que é realizado sob acompanhamento veterinário e segue critérios específicos de saúde e bem-estar.

    Em geral, cães e gatos passam por uma avaliação clínica antes da coleta para garantir que estejam aptos a doar. O procedimento é considerado seguro e, na maioria dos casos, os animais retomam sua rotina normalmente no mesmo dia.

    “Assim como as pessoas podem ajudar a salvar vidas por meio da doação de sangue, os animais também têm esse papel. É um gesto de solidariedade que amplia as chances de recuperação de outros pets e reforça a importância do cuidado coletivo”, afirma Natália Nigro de Sá, fundadora da Laika Funeral Pet.

    Embora sua atuação esteja voltada ao acolhimento de famílias no momento da despedida de seus animais de estimação, a Laika Funeral Pet também defende iniciativas que promovam a saúde, a proteção e a valorização da vida dos pets. “Na Laika, acompanhamos diariamente histórias que mostram a profundidade do vínculo entre pessoas e seus animais de estimação. Por isso, apoiamos iniciativas que promovam a saúde e ampliem as chances de recuperação dos pets, valorizando a vida em todas as suas fases”, acrescenta Natália.

    Especialistas recomendam que tutores interessados em tornar seus animais doadores conversem com um médico-veterinário ou procurem bancos de sangue veterinários de sua região para conhecer os critérios de participação. Entre os requisitos normalmente avaliados estão idade, peso, estado geral de saúde, vacinação e histórico clínico do animal.

    À medida que cresce a preocupação dos brasileiros com a saúde e o bem-estar de seus pets, iniciativas de conscientização sobre a doação de sangue animal ganham relevância e ajudam a ampliar uma rede de solidariedade capaz de oferecer uma nova chance a milhares de cães e gatos em tratamento.

    Quem pode doar sangue?

    Os critérios para doação variam de acordo com o banco de sangue veterinário e a avaliação clínica realizada por cada instituição. De forma geral, os requisitos mais comuns incluem:

    Para cães:

    • Peso mínimo entre 25 kg e 28 kg;

    • Idade entre 1 e 8 anos;

    • Boa condição de saúde;

    • Vacinação e vermifugação em dia;

    • Temperamento dócil;

    • Não estar em tratamento medicamentoso contínuo.

    Para gatos:

    • Peso mínimo entre 4 kg e 4,5 kg;

    • Idade entre 1 e 8 anos;

    • Boa condição de saúde;

    • Vacinação atualizada;

    • Ausência de doenças infecciosas;

    • Aprovação em avaliação veterinária.

    Importante: Os critérios podem variar conforme o banco de sangue veterinário. Antes de qualquer doação, o animal passa por avaliação realizada por profissionais especializados para garantir a segurança tanto do doador quanto do receptor.

     

  • Recusa de comida pode ser sinal de doenças ocultas em cães e gatos


    Doença periodontal afeta até 80% dos cães adultos e a perda de apetite pode ser o primeiro sinal de problemas

    Diante de um pet que recusa a ração, a atitude imediata de grande parte dos tutores é esperar, acreditando ser capricho, frescura ou tédio com o cardápio. No entanto, na rotina da medicina veterinária de alta complexidade, esse comportamento é encarado como um dos biomarcadores mais sensíveis de bem-estar. A WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, faz um alerta baseado na rotina dos prontos-socorros: a forma exata como o pet ignora o prato cheio funciona como um código clínico capaz de revelar desde fraturas dentárias ocultas até falhas severas em órgãos vitais.
     

    O alerta ganha relevância diante da alta incidência de doenças capazes de afetar diretamente o apetite dos animais. Segundo a American Veterinary Medical Association (AVMA), cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos apresentam algum grau de doença periodontal a partir dos três anos de idade, condição frequentemente associada à dor ao mastigar e à recusa alimentar. Em muitos casos, a perda de interesse pela comida é um dos primeiros sinais percebidos pelos tutores.
     

    “O erro mais comum é o tutor esperar o pet ficar dois ou três dias sem comer para procurar ajuda. Na medicina veterinária, trabalhamos com o conceito de que o apetite é o maior termômetro de saúde que o animal possui. Quando ele cessa totalmente, o organismo está gastando uma energia preciosa para tentar combater alguma disfunção interna, deixando a alimentação em segundo plano. Não é birra, é biologia”, explica Carollina Marques, médica veterinária na WeVets.
     

    O interesse sem ação: o animal se aproxima da vasilha, cheira, inclina a cabeça, mas recua ou deixa o alimento cair da boca. Esse é um dos indícios mais clássicos de dor oral ou facial, como abscessos, fraturas dentárias subgengivais, gengivites avançadas ou problemas na articulação temporomandibular. O pet sente fome, mas o ato de mastigar gera sofrimento.
     

    A aversão imediata: o pet cheira o alimento e vira o rosto bruscamente, muitas vezes lambendo os lábios ou salivando excessivamente. Esse comportamento pode indicar náusea metabólica, comum em quadros de insuficiência renal ou hepática, nos quais o acúmulo de toxinas no organismo gera desconforto persistente.
     

    A apatia alimentar: o animal ignora completamente qualquer estímulo, isola-se e permanece prostrado. Trata-se do padrão de maior urgência, sugerindo que o organismo direcionou seus recursos para combater uma ameaça importante, como febre alta, dores abdominais intensas, infecções sistêmicas ou doenças oncológicas.

    O limiar de tolerância ao jejum varia de forma drástica entre cães e gatos. Para os cães saudáveis, pular uma única refeição exige monitoramento, mas a perda da segunda refeição ou um período prolongado sem ingestão alimentar já justifica uma avaliação veterinária.
     

    Já para os felinos, o relógio corre muito mais rápido. Devido a um metabolismo particular, os gatos são especialmente vulneráveis aos efeitos do jejum prolongado. Quando passam muitas horas sem ingerir alimento, podem desenvolver a Lipidose Hepática Felina, uma das doenças metabólicas mais graves da espécie.
     

    O cenário se torna ainda mais preocupante diante do avanço da obesidade felina. Segundo a Association for Pet Obesity Prevention (APOP), mais de 60% dos gatos domésticos apresentam sobrepeso ou obesidade. Nesses animais, a mobilização acelerada da gordura corporal durante períodos de jejum aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da lipidose hepática.
     

    “Os gatos são animais metabolicamente extremamente sensíveis ao jejum prolongado. A janela de intervenção eficaz nesses casos é muito estreita. Se um felino passa de 24 a 48 horas sem ingerir calorias, o risco de desenvolver uma falência hepática secundária é altíssimo, o que transforma o caso em uma urgência médica absoluta de UTI”, reforça a especialista.
     

    Além disso, estudos internacionais apontam que a Doença Renal Crônica afeta entre 30% e 40% dos gatos acima de 10 anos de idade, sendo a perda de apetite um dos sinais clínicos mais frequentes da enfermidade. Em muitos casos, a recusa alimentar é percebida antes mesmo de sintomas mais evidentes.
     

    “Quando um animal deixa de comer, a pergunta não deve ser qual alimento oferecer, mas por que ele parou de comer. A resposta para essa pergunta é o que realmente define o prognóstico do paciente”, conclui Carollina.

  • 10 sinais de problemas ortopédicos em pets


    Condições como ruptura de ligamento, luxação de patela e artrose podem afetar a realização de atividades simples do dia a dia, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida dos animais


    Doenças e traumas ortopédicos estão entre as principais causas de dor e limitação funcional em cães, especialmente em animais idosos, obesos ou de raças predispostas geneticamente. Em muitos casos, esses problemas surgem de forma progressiva e silenciosa, o que leva os responsáveis a demorarem para perceber os sinais de que existe uma lesão que precisa ser investigada e tratada. 
     

    “Os animais tendem a mascarar a dor. É preciso observar pequenas mudanças de comportamento que, embora costumem ser consideradas algo natural, são, na verdade, um pedido de ajuda”, explica Rafael Boccia, especialista do Veros Hospital Veterinário. O veterinário recomenda atenção às seguintes alterações nas atitudes cotidianas dos pets: 

    1. Claudicação (manqueira) ou dificuldade para apoiar uma das patas no chão
    2. Relutância para correr, brincar ou subir em lugares altos
    3. Dificuldade para levantar
    4. Gemidos ou vocalização ao se movimentar
    5. Tremores ou sensibilidade ao toque
    6. Redução das atividades habituais e aumento do tempo que passa dormindo;
    7. Alterações de postura
    8. Rigidez ao acordar
    9. Quedas frequentes ou perda de equilíbrio
    10. Mudanças repentinas de humor ou lambedura excessiva de uma articulação específica

    Quanto mais cedo acontecer o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação e de preservação da autonomia e qualidade de vida, pois é possível evitar dor crônica, perda de mobilidade e complicações mais graves. Conhecer as principais doenças ortopédicas também ajuda na hora de identificar a necessidade de levar o pet a uma consulta veterinária. São elas: 
     

    Ruptura de ligamento

    Os ligamentos funcionam como estruturas de sustentação das articulações. Uma das lesões mais comuns é a ruptura do ligamento cruzado cranial — conhecido popularmente como ligamento cruzado do joelho — que pode ocorrer após saltos, corridas bruscas ou desgaste progressivo da articulação. Estudos apontam que esta é a doença mais frequente em pets idosos, obesos e de grande porte, além de apresentar predisposição genética em determinadas raças. Entre as mais associadas ao problema estão Rottweiler, Labrador Retriever, Cane Corso, Chow Chow, Bullmastiff, Newfoundland e Bulldog Inglês. “A ruptura deste ligamento traz dor intensa e dificuldade para caminhar com os membros posteriores. Ela é uma das principais causas de artrose em cães e pode evoluir rapidamente para degeneração articular se não for tratada adequadamente”, afirma Boccia. 
     

    Luxação de patela

    Ocorre quando a patela — pequeno osso localizado na parte da frente do joelho, antigamente chamado de rótula — sai da posição correta durante os movimentos. O problema está associado a alterações no alinhamento da articulação do joelho, muitas vezes congênitas, afetando cães de pequeno porte, como Poodle, Chihuahua, Yorkshire, Shih-tzu e Spitz Alemão. Também pode surgir após quedas, impactos ou outros traumas. “Como o pet claudica por alguns segundos e, depois, volta a andar normalmente, o responsável acha que é algo passageiro. Episódios repetidos indicam instabilidade articular e precisam de avaliação veterinária, pois causam dor, desgaste da articulação e podem levar ao desenvolvimento de artrose”, alerta Boccia.
     

    Hérnia de disco

    A hérnia de disco ocorre quando um dos discos localizados entre as vértebras comprime a medula espinhal. O problema é comum em raças como Dachshund, Bulldog Francês e Basset Hound. Sinais como relutância para se movimentar, postura curvada e vocalização de dor devem ser investigados rapidamente. O pet também pode apresentar perda de coordenação motora e, em casos graves, paralisia das patas. 
     

    Displasia coxofemoral

    Mais comum em cães de grande porte, como Labrador, Golden Retriever e Pastor Alemão, a displasia coxofemoral é uma alteração no encaixe da articulação do quadril. “O atrito anormal causa desgaste progressivo da cartilagem, gerando instabilidade, inflamação, dor e dificuldade de locomoção. O pet pode demonstrar dificuldade para levantar ou evitar apoiar totalmente as patas traseiras devido à dor”, diz .
     

    Artrose

    Também chamada de osteoartrite, a artrose é uma doença crônica e progressiva causada pelo desgaste das articulações. Pode surgir com o envelhecimento ou como consequência de outras alterações ortopédicas, como ruptura de ligamento cruzado, displasia coxofemoral e traumas. De acordo com o Colégio Americano de Cirurgiões Veterinários, a artrose atinge 20% da população canina adulta e 80% dos cães com mais de 8 anos
    . 

    Fraturas

    Quedas, atropelamentos e brigas estão entre as principais causas de fraturas em pets. Os sinais incluem dor intensa, inchaço, dificuldade de locomoção e deformidade no membro afetado. “Nunca se deve tentar alinhar o osso em casa. O ideal é restringir a movimentação do animal e procurar atendimento veterinário imediatamente”, orienta Boccia. 
     

    Como prevenir traumas e lesões ortopédicas

    Algumas medidas ajudam a reduzir os riscos de traumas e doenças articulares. “É importante manter o peso adequado, com alimentação saudável e atividade física regular, assim como realizar check-ups veterinários periódicos, especialmente em pets idosos e raças predispostas”, aconselha Boccia. Para evitar acidentes, é importante instalar telas de proteção em janelas e varandas, utilizar coleira e guia durante os passeios e manter objetos pesados e fios elétricos fora do alcance.

  • Expectativa de vida de cães e gatos aumenta e reforça importânciada nutrição específica

     

    Com os pets vivendo mais, alimentação adequada garante mais saúde e qualidade de vida, especialmente na fase sênior

     

     

    Os avanços da medicina veterinária preventiva, aliados a uma alimentação de alta qualidade, reflexo do maior cuidado e do nível de exigência dos responsáveis por pets, têm contribuído para o aumento significativo da expectativa de vida de cães e gatos. Com consultas e exames regulares, vacinação em dia e maior conscientização dos responsáveis, os animais de companhia estão vivendo mais. Essa realidade, no entanto, também traz novos desafios relacionados ao envelhecimento saudável.

     

    Para que tenham uma vida longa e com qualidade, a nutrição adequada a cada fase desempenha um papel central, seja na fase de filhote, adulta ou idosa, pois as necessidades de nutrientes e energia hoje não será, necessariamente, a mesma daqui a alguns anos.

     

    Os pets idosos demandam atenção especial em relação à alimentação, já que possuem necessidades diferentes daquelas observadas em outras etapas da vida. Isso é ainda mais relevante porque a fase idosa, ou sênior, é a mais duradoura na vida de cães e gatos. “Um cão de grande porte é considerado sênior a partir dos 5 anos de idade e vive, em média, de 10 a 13 anos; os de pequeno porte entram na fase sênior aos 7 anos e vivem cerca de 12 a 15 anos. Já os gatos podem viver até 20 anos e são considerados sênior a partir dos 7 anos. Isso significa que eles passam uma parte significativa da vida na fase em que são considerados idosos”, explica Amanda Arsoli, médica-veterinária da Adimax.

     

    Durante o envelhecimento, é comum que cães e gatos apresentem redução do metabolismo, alterações na composição corporal e maior sensibilidade digestiva. A oferta de alimentos completos desenvolvidos especialmente para pets nessa etapa contribui para a manutenção da massa muscular, o suporte às articulações, o fortalecimento do sistema imunológico e a preservação da vitalidade.

     

    Para a Adimax, uma das maiores fabricantes de alimentos para cães e gatos do Brasil, acompanhar essa mudança no perfil dos animais é essencial para promover longevidade com qualidade. “O aumento da expectativa de vida é uma conquista importante, mas é fundamental que esses anos sejam acompanhados de bem-estar. A nutrição específica para cada fase da vida é um dos principais pilares para um envelhecimento saudável”, afirma a médica-veterinária.

     

    Hoje, a Adimax oferece mais de 370 soluções para diferentes necessidades dos pets, atendendo responsáveis cada vez mais conscientes do impacto da alimentação na qualidade de vida de seus animais de companhia.

     

    Com o aumento da longevidade dos pets, a nutrição assume um papel cada vez mais estratégico na promoção da saúde ao longo da vida, desde o desenvolvimento, na fase de filhote, passando pela manutenção na vida adulta, até o envelhecimento saudável. Nesse cenário, o portfólio de Fórmula Natural foi desenvolvido para oferecer soluções adequadas a cada fase e perfil nutricional.

     

    Para cães, a marca disponibiliza as linhas Fórmula Natural Pro, Fórmula Natural Life e Fórmula Natural Fresh Meat, todas na versão seca. Já para gatos, o portfólio contempla as linhas Life e Fresh Meat, com formulações específicas para atender às particularidades da espécie. As linhas incluem opções especialmente desenvolvidas para animais idosos, com nutrientes selecionados para apoiar a vitalidade, contribuir para a manutenção das funções essenciais do organismo e favorecer a longevidade com qualidade.

     

    Com o melhor amigo vivendo mais, cresce também a responsabilidade de garantir que esses anos sejam marcados por saúde, conforto e disposição. A escolha de alimentos adequados não impacta apenas a longevidade, mas também a qualidade de vida ao longo do tempo. Ao oferecer uma dieta equilibrada e formulada especificamente para cada fase da vida, o responsável contribui para a prevenção de problemas associados ao avanço da idade e favorece um envelhecimento mais ativo.

  • Expectativa de vida de cães e gatos aumenta e reforça importânciada nutrição específica

     

    Com os pets vivendo mais, alimentação adequada garante mais saúde e qualidade de vida, especialmente na fase sênior

     

     

    Os avanços da medicina veterinária preventiva, aliados a uma alimentação de alta qualidade, reflexo do maior cuidado e do nível de exigência dos responsáveis por pets, têm contribuído para o aumento significativo da expectativa de vida de cães e gatos. Com consultas e exames regulares, vacinação em dia e maior conscientização dos responsáveis, os animais de companhia estão vivendo mais. Essa realidade, no entanto, também traz novos desafios relacionados ao envelhecimento saudável.

     

    Para que tenham uma vida longa e com qualidade, a nutrição adequada a cada fase desempenha um papel central, seja na fase de filhote, adulta ou idosa, pois as necessidades de nutrientes e energia hoje não será, necessariamente, a mesma daqui a alguns anos.

     

    Os pets idosos demandam atenção especial em relação à alimentação, já que possuem necessidades diferentes daquelas observadas em outras etapas da vida. Isso é ainda mais relevante porque a fase idosa, ou sênior, é a mais duradoura na vida de cães e gatos. “Um cão de grande porte é considerado sênior a partir dos 5 anos de idade e vive, em média, de 10 a 13 anos; os de pequeno porte entram na fase sênior aos 7 anos e vivem cerca de 12 a 15 anos. Já os gatos podem viver até 20 anos e são considerados sênior a partir dos 7 anos. Isso significa que eles passam uma parte significativa da vida na fase em que são considerados idosos”, explica Amanda Arsoli, médica-veterinária da Adimax.

     

    Durante o envelhecimento, é comum que cães e gatos apresentem redução do metabolismo, alterações na composição corporal e maior sensibilidade digestiva. A oferta de alimentos completos desenvolvidos especialmente para pets nessa etapa contribui para a manutenção da massa muscular, o suporte às articulações, o fortalecimento do sistema imunológico e a preservação da vitalidade.

     

    Para a Adimax, uma das maiores fabricantes de alimentos para cães e gatos do Brasil, acompanhar essa mudança no perfil dos animais é essencial para promover longevidade com qualidade. “O aumento da expectativa de vida é uma conquista importante, mas é fundamental que esses anos sejam acompanhados de bem-estar. A nutrição específica para cada fase da vida é um dos principais pilares para um envelhecimento saudável”, afirma a médica-veterinária.

     

    Hoje, a Adimax oferece mais de 370 soluções para diferentes necessidades dos pets, atendendo responsáveis cada vez mais conscientes do impacto da alimentação na qualidade de vida de seus animais de companhia.

     

    Com o aumento da longevidade dos pets, a nutrição assume um papel cada vez mais estratégico na promoção da saúde ao longo da vida, desde o desenvolvimento, na fase de filhote, passando pela manutenção na vida adulta, até o envelhecimento saudável. Nesse cenário, o portfólio de Fórmula Natural foi desenvolvido para oferecer soluções adequadas a cada fase e perfil nutricional.

     

    Para cães, a marca disponibiliza as linhas Fórmula Natural Pro, Fórmula Natural Life e Fórmula Natural Fresh Meat, todas na versão seca. Já para gatos, o portfólio contempla as linhas Life e Fresh Meat, com formulações específicas para atender às particularidades da espécie. As linhas incluem opções especialmente desenvolvidas para animais idosos, com nutrientes selecionados para apoiar a vitalidade, contribuir para a manutenção das funções essenciais do organismo e favorecer a longevidade com qualidade.

     

    Com o melhor amigo vivendo mais, cresce também a responsabilidade de garantir que esses anos sejam marcados por saúde, conforto e disposição. A escolha de alimentos adequados não impacta apenas a longevidade, mas também a qualidade de vida ao longo do tempo. Ao oferecer uma dieta equilibrada e formulada especificamente para cada fase da vida, o responsável contribui para a prevenção de problemas associados ao avanço da idade e favorece um envelhecimento mais ativo.

  • Saúde do trato urinário em cães e gatos: O que é preciso saber?

    Mudanças na frequência urinária, dor ao urinar ou sangue na urina podem ser sinais de doenças que exigem atenção veterinária

    Mudanças no comportamento urinário dos pets muitas vezes passam despercebidas no dia a dia. Um gato que começa a passar mais tempo na caixa de areia ou um cão que tenta urinar várias vezes durante o passeio podem estar demonstrando sinais sutis de desconforto. Embora essas alterações nem sempre indiquem um problema grave, elas podem ser os primeiros indícios de doenças do trato urinário, condições relativamente comuns na rotina clínica veterinária.

    Alterações relacionadas à bexiga, uretra e rins podem afetar os pets e, quando não identificadas precocemente, podem comprometer o conforto e a qualidade de vida.

    Nos gatos, essas alterações merecem atenção especial. A chamada doença do trato urinário inferior dos felinos (DTUIF) está entre as condições mais frequentes e pode envolver inflamações da bexiga, formação de cristais ou cálculos urinários e até obstrução uretral, uma situação considerada emergência veterinária.

    “Os gatos são particularmente sensíveis a alterações urinárias. Pequenas mudanças na rotina, no consumo de água ou na dieta podem influenciar o equilíbrio do trato urinário”, explica Atana Farias, médica-veterinária e gerente de produtos da Avert Saúde Animal.

    Nos cães, embora a incidência de obstruções seja menor, também são comuns quadros como cistites bacterianas, infecções urinárias e cálculos na bexiga, que podem provocar inflamação e desconforto.

    Independentemente da espécie, alguns sinais costumam indicar que algo não está bem. O tutor deve atentar-se a sinais como: aumento da frequência urinária, esforço ou dor ao urinar, presença de sangue na urina, vocalização durante a micção, e urinar fora do local habitual, especialmente no caso dos felinos.

    Quando esses sinais aparecem, a avaliação veterinária deve ser feita o quanto antes. Isso porque as doenças urinárias podem ter diferentes causas e exigem diagnóstico preciso para que o tratamento seja adequado.

    “O diagnóstico geralmente envolve avaliação clínica, exames de urina e, em alguns casos, exames de imagem. Esses recursos ajudam a identificar se há infecção, inflamação, presença de cristais ou outras alterações no sistema urinário”, explica Atana.

    Além do tratamento específico para cada condição, o manejo clínico costuma envolver mudanças na dieta, estímulo ao consumo de água e controle de fatores ambientais que possam contribuir para o estresse, aspecto especialmente relevante no caso dos gatos.

    Nesse cenário, estratégias de suporte nutricional também podem integrar o manejo preventivo ou complementar, principalmente em animais com histórico de alterações urinárias recorrentes. Entre os compostos estudados para esse fim está o extrato de cranberry (arando), que contém proantocianidinas capazes de dificultar a adesão de bactérias, como a Escherichia coli, às paredes do trato urinário, favorecendo sua eliminação pela urina.

    Outro componente utilizado nesse contexto são as betaglucanas derivadas de leveduras, reconhecidas por seu potencial imunomodulador. Essas moléculas podem estimular mecanismos naturais de defesa do organismo, auxiliando na resposta do sistema imune diante de processos inflamatórios e infecciosos.

    Segundo Atana, esse tipo de suporte pode fazer parte da estratégia de cuidado em alguns pacientes. “O acompanhamento veterinário é fundamental para definir a melhor abordagem em cada caso, considerando o histórico do animal, a alimentação, o estilo de vida e possíveis predisposições”, afirma.

    No dia a dia, algumas medidas ajudam a manter a saúde do trato urinário: estimular a ingestão de água, manter a alimentação adequada, garantir ambientes tranquilos e realizar acompanhamento veterinário regular.

    Mais do que tratar doenças já instaladas, o cuidado com o sistema urinário também envolve prevenção e manejo adequado ao longo da vida. Com atenção aos sinais e orientação profissional, é possível reduzir riscos e garantir mais conforto e bem-estar para cães e gatos.

  • Cães idosos: mudanças de comportamento exigem atenção

    Cães idosos: mudanças de comportamento exigem atenção e cuidados específicos

    Com o avanço da idade, é natural que os cães apresentem alterações físicas e comportamentais que podem impactar diretamente sua qualidade de vida. Mudanças como menor disposição para atividades, alterações no sono, aumento da irritabilidade ou até episódios de desorientação são comuns em animais idosos e devem ser observadas com atenção pelos tutores.

    De acordo com o adestrador e especialista em comportamento canino Fernando Lopes, essas transformações fazem parte do processo de envelhecimento, mas também podem indicar a necessidade de adaptações na rotina. “Assim como acontece com os humanos, o envelhecimento nos cães traz mudanças cognitivas e físicas. O tutor precisa entender esses sinais para oferecer suporte adequado e garantir bem-estar ao animal”, explica.

    Entre as alterações mais frequentes estão a diminuição da interação social, perda de interesse por brincadeiras, vocalizações excessivas e mudanças nos hábitos de higiene. Em alguns casos, os cães podem desenvolver a chamada síndrome da disfunção cognitiva, condição semelhante ao Alzheimer em humanos.

    Fernando Lopes destaca que o primeiro passo é diferenciar comportamentos naturais da idade de possíveis problemas de saúde. “Mudanças bruscas ou muito intensas devem sempre ser avaliadas por um médico-veterinário. Muitas vezes, dores articulares, problemas sensoriais ou doenças podem estar por trás dessas alterações comportamentais”, alerta.

    Para ajudar os tutores a lidar com essa fase, o especialista lista algumas recomendações importantes:

    • Mantenha uma rotina previsível: horários fixos para alimentação, passeios e descanso ajudam a reduzir a ansiedade do animal.
    • Adapte o ambiente: facilitar o acesso a camas, água e comida evita esforço desnecessário e possíveis acidentes.
    • Estimule a mente: brinquedos interativos e atividades leves contribuem para manter o cérebro ativo.
    • Respeite os limites do cão: é importante ajustar o nível de atividade física conforme a condição do animal.
    • Invista em acompanhamento profissional:consultas regulares ao veterinário e, quando necessário, apoio comportamental fazem toda a diferença.

    O especialista reforça que a paciência e a empatia são fundamentais nesse momento. “O cão idoso precisa de compreensão. Ele não está ‘desobedecendo’, mas sim passando por mudanças naturais. Quanto mais acolhimento e cuidado, melhor será essa fase para todos”, conclui Fernando Lopes.

    Com atenção e dedicação, é possível proporcionar uma velhice saudável, confortável e cheia de qualidade de vida para os cães, fortalecendo ainda mais o vínculo entre tutor e animal.

  • Carnaval é pra pet? Especialista alerta sobre riscos da folia para cães e gatos

    Barulho, calor e multidões podem transformar a festa em estresse e perigo para os animais

    Para muitos pets, o Carnaval está longe de ser sinônimo de diversão. Segundo a psicóloga especializada na relação humano-animal Juliana Sato, bloquinhos e desfiles reúnem estímulos intensos e imprevisíveis: barulho, cheiros, calor, toque de desconhecidos e mudança de rotina. “Para muitos animais, isso é sobrecarga. Soma-se a isso o fato de que, na folia, o responsável costuma ficar mais distraído, e o pet perde sua principal referência de segurança”, explica.

    Os riscos vão além do desconforto: hipertermia, desidratação, queimaduras nas patas, pisoteamento, fugas, intoxicações e crises respiratórias estão entre as emergências mais comuns. No campo emocional, o animal pode entrar em pânico, tentar escapar, congelar ou reagir com agressividade defensiva. “Uma experiência ruim pode aumentar a sensibilidade a barulhos e aglomerações depois”, alerta.

    Sinais como ofegância fora do normal, tremores, cauda baixa, orelhas para trás, pupilas dilatadas, tentativa de se esconder ou de ir embora indicam que o limite foi ultrapassado. Em gatos, retraimento e rigidez corporal são comuns. “Quando o animal muda completamente sua forma habitual de se comunicar, o limite já foi ultrapassado”, diz.

    Mas existem exceções sobre levar o pet para bloquinhos. É o caso de ambientes muito controlados, pouco cheios, sem som alto, com temperatura amena, permanência curta e rota de saída fácil e apenas para animais já bem adaptados. “Mesmo assim, o responsável precisa estar disposto a ir embora no primeiro sinal de desconforto”, afirma a especialista.

    Para quem opta por sair com o animal, os cuidados básicos incluem escolher horários mais frescos, oferecer água, buscar sombra, evitar asfalto quente, usar guia segura e identificação atualizada, não forçar contato com desconhecidos e evitar fantasias que esquentem ou apertem.

    Entre as alternativas responsáveis estão passeios em horários tranquilos, enriquecimento ambiental em casa e o apoio de pet sitters quando o responsável vai passar muitas horas fora. “Separar espaços não é abandono. É cuidado”, afirma Juliana.