No Dia do Sexo, psicóloga defende que prazer, autoestima, autoconhecimento e respeito aos próprios limites são indicadores mais importantes do que a quantidade de transas
Quantas vezes uma pessoa faz sexo ainda é uma das formas mais comuns de medir sua vida sexual. Para a psicóloga, sexóloga e neuropsicóloga Fernanda Purificação, porém, essa lógica ignora o que realmente importa. No Dia do Sexo, celebrado em 6 de setembro, ela propõe uma mudança de perspectiva: saúde sexual não deveria ser medida pela frequência das relações, mas pela forma como cada pessoa se relaciona com o próprio corpo, seus desejos, seus limites e seu prazer.
“Gostaria de propor que, nesta data, a gente refletisse menos sobre a quantidade de pessoas que estão transando e mais sobre quantas delas estão vivendo de forma inteira a sua sexualidade”, afirma a especialista.
A reflexão encontra eco na história de Yasmin Polemick. Depois de anos em um relacionamento marcado por controle financeiro e desgaste emocional, a criadora de conteúdo encontrou no Hotvips, plataforma brasileira de monetização de fotos e vídeos eróticos, não apenas uma fonte de renda, mas também um caminho para reconstruir a autoestima e desenvolver uma relação mais positiva com o próprio corpo. “Enquanto o homem que estava do meu lado me deixava sempre para baixo, os clientes elevavam minha autoestima”, conta.
Para Fernanda, a experiência ilustra algo que ela observa com frequência no consultório: saúde sexual, bem-estar emocional e autoestima caminham juntos. “A sexualidade não pode ser reduzida a desempenho ou frequência. Ela está diretamente ligada à forma como cada pessoa vive seus desejos, seus limites e sua relação consigo mesma”, afirma.
A qualidade da experiência importa mais que a frequência
A ideia de que sexo faz bem para a saúde não é mito. O que muitas vezes passa despercebido é que os benefícios dependem muito mais da qualidade da experiência e do contexto em que ela acontece do que da quantidade de relações. “Não existe resposta sexual separada da cabeça, do corpo e da vida que a pessoa está vivendo. Estresse, cansaço, autoestima, relacionamento e saúde física influenciam diretamente o desejo”, explica Fernanda.
Isso ajuda a entender por que uma experiência sexual satisfatória pode contribuir para o relaxamento, o prazer e o bem-estar emocional. Mas também explica por que nem toda relação sexual produz os mesmos efeitos. “Não é qualquer sexo que faz bem. Sexo vivido na obrigação, no medo, na pressão, na dor ou para evitar conflito pode produzir exatamente o contrário”, afirma.
A especialista explica que a neurociência ajuda a entender esse processo. “Durante a excitação e o orgasmo, o cérebro ativa circuitos ligados ao prazer, ao vínculo afetivo e à sensação de recompensa. Mas, para que isso aconteça, o ambiente precisa ser percebido como seguro. Por isso, costumo dizer que o cérebro é o nosso maior órgão sexual. O corpo não responde sozinho.”
Conhecer o próprio corpo também é saúde sexual
Quando começou a produzir conteúdo adulto, Yasmin ainda estava no antigo relacionamento. A renda gerada pelo trabalho ajudou a construir sua independência financeira e permitiu que reorganizasse a própria vida. Ao mesmo tempo, o contato diário com o próprio corpo trouxe uma mudança que ela não esperava: a recuperação da autoestima.
Essa reconexão é o que Fernanda chama de consciência corporal. Segundo ela, a masturbação é uma das ferramentas mais importantes nesse processo. “A prática permite que a pessoa descubra como o próprio corpo responde, quais estímulos funcionam, qual intensidade é melhor e como o prazer aparece. Não é treino para fazer bonito para o outro. É consciência de si mesma.”
Histórias como a de Yasmin ajudam a ilustrar uma dimensão pouco discutida da saúde sexual: a capacidade de tomar decisões sobre o próprio corpo, reconhecer desejos e desenvolver autonomia.
No Hotvips, relatos sobre aumento da autoestima, maior conhecimento corporal e independência financeira aparecem com frequência entre mulheres que transformaram a produção de conteúdo em fonte de renda.
Intimidade se constrói antes do quarto
Para quem está em um relacionamento, Fernanda faz um alerta: esperar que o desejo simplesmente apareça ao final de um dia cansativo costuma gerar frustração. “O adulto tem trabalho, boleto, preocupações e uma fila interminável de questões. É válido lembrar que o sexo começa numa conversa e é por isso que é importante cultivar intimidade antes de cobrar o sexo: uma conversa, um toque, um beijo, presença.”
Ela também destaca que nem toda demonstração de carinho precisa terminar em sexo. “Se isso acontece, as pessoas começam a evitar até o abraço.”
Para a especialista, falar sobre sexualidade fora do quarto é uma das recomendações mais frequentes que faz aos casais. “Perguntar o que está gostoso, o que mudou, o que desperta desejo. Às vezes o que falta na cama começa antes dela.”
Nem toda queda de libido é um problema
Fernanda explica que ter menos vontade de fazer sexo não significa necessariamente que existe um problema. A libido varia naturalmente ao longo da vida e sofre influência de fatores como maternidade, luto, alterações hormonais, uso de medicamentos, estresse e privação de sono.
Segundo ela, o sinal de atenção aparece quando a mudança é persistente e provoca sofrimento. Nesses casos, a especialista sugere mudar o foco da pergunta. “Em vez de questionar por que você não quer sexo, a pergunta mais útil é o que está acontecendo com o seu corpo, a sua cabeça, suas relações e sua vida nesse momento.”
Segundo Fernanda, compreender esse contexto é o primeiro passo para entender o lugar que o desejo ocupa na vida de cada pessoa.
