Rouquidão, lesões no lábio e dores no pescoço podem ser indício de câncer de cabeça e pescoço

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Se não descoberta no início, a doença costuma ter baixa expectativa de vida

No dia 27 de julho ocorre o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Cabeça e Pescoço. De acordo com dados do Inca, todos os anos ocorrem cerca de 40 mil novos casos de tumores malignos na região da cabeça e pescoço. Embora esse número corresponda somente a 4% de todos os tipos de câncer, a doença costuma ser descoberta somente em estágios mais avançados, quando a taxa de mortalidade é alta.

“Os tumores mais comuns que ocorrem na tireoide, boca, laringe e esôfago são os chamados carcinoma epidermoide. Em estágios avançados, eles são bastante letais, com taxas de cura menores que 10% e uma baixa qualidade de sobrevida. Em contrapartida, tumores de tireoide, mesmo avançados, têm uma cura maior do que os 10% e uma expectativa de bastante longa”, revela Dr. Elge Werneck Júnior, oncologista do Instituto de Hematologia e Oncologia (IHOC)/Grupo Oncoclínicas.

Os sintomas variam conforme a localização do tumor e a extensão da doença, mas costumam provocar lesões “aftosas nos lábios”, rouquidão, dores ou caroços no pescoço. “Os homens são os mais afetados pelos cânceres na boca, laringe e esôfago, sendo esse último o terceiro que mais ocorre na população masculina. “De dez pessoas com carcinomas epidermoides, oito são homens, geralmente, de meia idade. Nos tumores de tireoide, a realidade é oposta e a ocorrência maior é em mulheres mais idosas”, explica.

O tabagismo e a ingestão excessiva de álcool são os principais fatores de risco para esses tipos de câncer. Segundo informações da Sociedade Brasileira de Cabeça e Pescoço, o álcool associado ao fumo aumenta o risco em dez vezes para câncer nessa região. “Somente o hábito de fumar está relacionado a mais de 90% dos casos de câncer” alerta Dr. Elge Werneck Júnior. “Também é importante ressaltar que a realização de sexo oral sem preservativos, aumenta os riscos de câncer de cabeca e pescoço pela transmissão do HPV”, acrescenta. Já para o câncer de tireoide, os fatores de risco são já ter realizado radioterapia cervical e torácica, além de histórico familiar da doença.

O tratamento depende de cada caso. Em estágios iniciais, pode ser realizada somente cirurgia, mas a quimioterapia e a radioterapia podem ser indicadas, exceto para tumores de tireoide, quando é realizada a iodoterapia. “Nos últimos anos, uma nova opção terapêutica que surgiu é a imunoterapia, que tem proporcionado resultados bastante relevantes e já utilizada em estágios mais avançados”, aponta o oncologista.

Contudo, existe o risco de sequelas. “A fala, o olfato, a audição e a deglutição podem ser afetadas conforme a localização do tumor, o estágio da doença e o tratamento proposto. Por isso, é sempre bom conversar com o seu médico e, antes de tudo, tentar prevenir esses tipos de câncer”, orienta Dr. Elge Werneck Júnior.

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