Presente na Pet Vet Expo 2026, em São Paulo, o Conselho Federal de Química destaca a importância da qualificação profissional e do rigor laboratorial na cadeia de saúde animal, unindo inovação e prevenção de riscos domésticos.
O mercado pet brasileiro consolidou-se como o terceiro maior do mundo, conforme apontam os dados do levantamento mais recente do Health for Animals (2023), entidade que representa desenvolvedores e fabricantes de produtos do setor. Com esse desempenho, o país ocupa a terceira posição no ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, movimentando bilhões de reais em um ecossistema impulsionado pelo afeto e pela busca por longevidade e bem-estar para cães e gatos.
No entanto, o que poucos tutores percebem é que, por trás de cada rotina de cuidados, existe uma engrenagem invisível e altamente técnica: a Química está por trás de tudo isso. Seja no shampoo dermatológico de alta performance, no suplemento nutracêutico ou no medicamento de última geração, a atuação do profissional da química é o alicerce que garante a eficácia e a segurança de ponta a ponta na cadeia produtiva. Para abordar o tema, o Conselho Federal de Química (CFQ) participa da Pet Vet Expo 2026, realizada entre os dias 12 e 14 de agosto, em São Paulo.
É essa centralidade que o CFQ destaca para reforçar o papel estratégico da profissão e, ao mesmo tempo, alertar sobre os cuidados fundamentais com a saúde animal em todas as esferas.Durante os três dias de programação, o Conselho conta com um estande institucional no evento para apresentar a atuação do Sistema CFQ/CRQs e reforçar uma premissa básica: a Química está por trás de tudo isso.
O cuidado que vai da fábrica ao chão de casa
Se o rigor laboratorial é inegociável na bancada da indústria para garantir a eficácia de um fármaco ou cosmético pet, a mesma atenção precisa se estender aos produtos de limpeza utilizados na rotina dos lares. Substâncias tradicionais de faxina como água sanitária, amônia e desinfetantes pesados, escondem armadilhas químicas que podem colocar os animais em risco.
De acordo com Maria Inez Auad Moutinho, conselheira federal e coordenadora do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ) do Conselho Federal de Química (CFQ), a segurança de cães e gatos exige uma leitura minuciosa do cotidiano e a compreensão de que nenhum produto é isento de riscos sem o manejo correto:
“O primeiro ponto é compreender que ‘seguro para pets’ não é uma propriedade absoluta de um ingrediente. A segurança depende da concentração, da dose, da forma de aplicação, do tempo de ventilação, da necessidade de enxágue e, principalmente, da possibilidade de o animal caminhar sobre a superfície ainda molhada e depois lamber as patas”, alerta a especialista.
Maria Inez também reforça o perigo de um erro doméstico comum e reprovado pelos órgãos reguladores: as misturas caseiras de produtos de limpeza, que podem transformar a faxina em um grave incidente toxicológico:
“Hipoclorito com ácidos pode liberar gás cloro; hipoclorito com amônia pode formar cloraminas; e diferentes desinfetantes também podem reagir, perder eficácia ou gerar vapores irritantes. A regra deve ser simples: utilizar um produto por vez e exatamente conforme o rótulo”, destaca.
Da bancada ao mercado: o papel da Química na cadeia produtiva
No espaço institucional montado na feira, o CFQ destaca o papel estratégico da profissão em um mercado que exige alta qualificação. Essa jornada passa por frentes fundamentais:
- Pesquisa e Desenvolvimento (P&D): Criação de novas moléculas e matrizes de liberação prolongada para tratamentos avançados.
- Produção: Escalonamento industrial com exatidão e preservação do sabor, cheiro e textura.
- Controle de Qualidade: O guardião que assegura a pureza, a estabilidade e a conformidade de cada lote com as normas dos órgãos reguladores.
- Segurança e Inovação: Mitigação de riscos toxicológicos e introdução de tecnologias sustentáveis e de alto desempenho no mercado pet.
A participação na Pet Vet Expo integra as ações do CFQ voltadas à valorização dos profissionais da área e à aproximação com os setores produtivos. Para o Conselho, valorizar o profissional da química e conscientizar o consumidor sobre os princípios ativos e as orientações de uso são passos inegociáveis para sustentar a credibilidade do setor e garantir que o amor pelos animais venha sempre acompanhado de máxima segurança técnica.

