Olivia Wilde vive dominatrix no cinema

Olivia Wilde vive dominatrix no cinema; entenda a prática que também chegou aos microdramas para celular

Enquanto “I Want Your Sex” estreia no Brasil, pesquisas mostram que quase 60% brasileiros gostam ou têm vontade de comandar na cama. O tema ganha sua primeira mini novela gravada fora do país no HotShort

Olivia Wilde está em cartaz nos cinemas brasileiros desde quinta-feira (22). Ela interpreta Erika Tracy, uma artista performática que inicia uma relação de dominação e submissão com o assistente bem mais jovem, Elliot (Cooper Hoffman). “I Want Your Sex” é dirigido por Gregg Araki e distribuído pela O2 Play. O filme parte de uma provocação: a geração Z estaria travada pelas próprias ansiedades e precisaria transar mais e melhor.

Fora da ficção, o desejo de estar no comando é comum. Uma enquete do Sexlog, maior rede social adulta da América Latina, ouviu 5,5 mil pessoas. Delas, 43,9% afirmam adorar dominar durante o sexo e 14,9% têm vontade de experimentar esse papel.

O que é a dominação

A dominação é uma das seis práticas reunidas na sigla BDSM: Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo. É um jogo de poder em que uma pessoa conduz e a outra se entrega. Pode envolver ordens, regras, rituais ou acessórios, sempre com consentimento explícito e combinados prévios.

“A grande diferença está no consentimento. Dentro do sexo, o controle é um jogo combinado, em que as partes confiam uma na outra. Fora dali, o controle real é desequilíbrio. No sexo, a dominação é desejo, não posse”, explica a sexóloga Bárbara Bastos.

Os números confirmam que conversa é regra. Em outra pesquisa do Sexlog, com mais de 7 mil pessoas, 83,2% dos interessados em BDSM dizem que a prática exige mais diálogo do que o sexo convencional. Outros 60,4% afirmam sempre falar sobre limites antes de qualquer experiência íntima.

Da tela do cinema para a tela do celular

O tema também ganhou espaço nas mininovelas, histórias curtas em capítulos feitas para assistir no celular. “A Fã número 1” está disponível no HotShort, plataforma de ficção erótica e é a primeira produção da plataforma dedicada ao BDSM e também a primeira estrangeira, gravada e produzida em Barcelona. Na trama, Blue seduz um músico durante um show de rock e consegue um encontro na casa do ídolo. Por trás da timidez, porém, existe uma personalidade movida por dominação e desejo.

O roteiro nasceu da vivência do produtor Nicola Visonà, que frequenta a cena BDSM local há mais de cinco anos. “Escrevo a partir da experiência. Quis representar a realidade da maioria das sessões, que é uma vivência positiva e consensual entre adultos que consentem com entusiasmo”, conta. Os dois protagonistas vêm da mesma comunidade e foram escolhidos justamente por terem experiência e se sentirem à vontade com as práticas encenadas. A locação seguiu a mesma lógica: a casa pertence a um casal de amigos praticantes, e equipamentos como a cruz em X, conhecida como cruz de Santo André, entram em cena. “Quis que o público visse que o kink e o BDSM podem ser uma experiência positiva, e que o consentimento contínuo é sexy”, diz Nicola.

Para o ator Max, que participa da cena kink de Barcelona há quase dois anos, partir da própria realidade fez diferença em frente à câmera. “Quando você parte da sua própria realidade, seja na atuação ou na música, consegue transmitir melhor as sensações e os sentimentos. Para mim, é como unir arte e sexualidade.” Segundo ele, os bastidores foram leves: “Estávamos entre amigos e me senti completamente à vontade. Nossos principais cuidados foram com os ângulos de câmera e com a forma de mostrar as ações com mais clareza.”

A mulher no comando

A figura da mulher que conduz, presente no filme e na mininovela, também aparece nas pesquisas. Entre as mulheres ouvidas pelo Sexlog, 53,6% dizem que o maior prazer está em ver o outro sob comando. O perfil predominante é de mulheres entre 35 e 44 anos.

A dominadora profissional Goddess Lohan, que se apresenta em eventos fetichistas, resume o funcionamento das regras que impõe: “Andar atrás, segurar a bolsa, pedir autorização para falar. Tudo é negociado antes, com respeito e segurança. A confiança é a base da entrega.”

A curiosidade cresce com a idade

O filme questiona o desejo dos mais jovens, e os dados vão na mesma direção. Entre brasileiros de 18 a 24 anos, 28,8% já tiveram interesse por BDSM. Na faixa dos 55 aos 64, o índice sobe para 43,3%. No Censo dos Fetiches 2025 do Sexlog, “dominação” aparece entre os termos mais buscados do país e no Top 10 da faixa de 35 a 44 anos.

O estigma ainda pesa

Do total de entrevistados, 75,1% acreditam que a sociedade ainda interpreta mal o BDSM, e 84,1% querem explorar mais o tema, mas sentem o peso do preconceito. Nesse cenário, histórias contadas por quem pratica ajudam a aproximar a ficção da realidade, uma realidade feita de combinados, confiança e limites claros. “Quando há conversa, limites e respeito, o fetiche deixa de ser tabu e passa a ser libertação”, afirma Bárbara.