Neste mês, precisamente às 11h45 do dia 20, haverá o equinócio de outono, quando as temperaturas começam a ficar mais baixas e o ar mais seco. A nova estação traz consigo as doenças típicas do período, como gripe, resfriado, sinusite, rinite, Covid-19, asma, bronquite e pneumonia.
Por mais que esse tema seja pautado todos os anos, as estatísticas têm revelado que essas doenças e suas versões mais graves vêm aumentando. Em 2025, dados indicaram o início precoce desse aumento, com crescimento superior a 40% nas infecções respiratórias em algumas regiões, quando comparado ao período anterior.
Para se ter ideia, casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dispararam nos primeiros meses de 2025, superando os números de 2023 e 2024, com 21 Estados em nível de alerta ou alto risco. As hospitalizações por doenças respiratórias como influenza, pneumonia e bronquite registraram mais de 60% das internações no SUS em alguns Estados no ano de 2024.
Nesse cenário, o aumento de mortes na cidade de São Paulo por gripe disparou 137% nos primeiros meses do ano passado, passando de 77 óbitos em 2024 para 175 em 2025.
Causas
A Dra. Sonia Gasques, pneumologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, lembra que “com as temperaturas em baixa a tendência é que os ambientes fiquem fechados, o que se torna cenário oportuno para a proliferação dos vírus, fungos e ácaros. Além disso, o ar seco prejudica a mucosa, o que torna o sistema respiratório mais vulnerável”.
Outras doenças
Para além das doenças respiratórias, as patologias virais e alérgicas, como Covid-19 e conjuntivite também são ameaça à saúde na estação, assim como a otite (especialmente nas crianças) e os riscos cardiovasculares, já que o ar seco e frio pode aumentar a incidência de infarto e AVC.
Sintomas
Dentre os sintomas mais frequentes estão tosse seca ou com catarro, coriza, espirros, febre, dor de garganta e dores musculares, falta de ar e chiado no peito.
Quando procurar o médico e quando o caso é hospitalar
A pneumologista orienta que o ideal é procurar um médico sempre que os sintomas respiratórios persistirem por mais de dois ou três dias ou apresentarem piora progressiva, orienta. “Febre contínua, tosse intensa, chiado no peito, dor torácica e cansaço aos pequenos esforços são sinais de alerta e não devem ser ignorados, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas”, completa.
Segundo a especialista, os quadros que exigem avaliação hospitalar imediata são aqueles acompanhados de falta de ar, queda da saturação de oxigênio, confusão mental, prostração importante, desidratação ou suspeita de pneumonia, bronquite grave, asma descompensada ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). “Nessas situações, a internação pode ser necessária para monitorização, realização de exames de imagem e início rápido do tratamento, reduzindo o risco de complicações”, finaliza.
Importante lembrar que os hospitais possuem recursos de diagnóstico por imagem que ajudam os médicos a iniciar o tratamento rapidamente e de forma bastante assertiva.
É possível prevenir?
Manter a vacina da gripe em dia (recomendada para maiores de 6 meses) é um dos principais modos de prevenção, mas é importante manter os locais arejados mesmo nos dias mais frios, evitando acúmulo de fungos e vírus, lavar as mãos com frequência e usar álcool em gel. A hidratação em abundância é determinante, já que o tempo está seco e as vias aéreas precisam ficar úmidas. E, como sempre dizem as mães, “levar sempre um casaquinho” e evitar mudanças bruscas de temperatura.
Evitando as alergias
As alergias, que se manifestam no outono com frequência, podem ser evitadas ao tomar algumas medidas básicas: utilizar aspirador de pó em vez de vassouras para limpar a casa, evitar tapetes e cortinas que acumulam ácaros e hidratar a pele para evitar ressecamento e rachaduras.
“As doenças de outono são esperadas, mas elas têm se tornado mais intensas a cada ano. É preciso estarmos atentos aos seus sinais e tratarmos cada patologia com orientação médica para evitar os casos graves que infelizmente têm inflado as estatísticas”, finaliza o A Dra. Sonia Gasques, pneumologista, do Hospital Edmundo Vasconcelos.
