Dia do Sexo: quais são os fetiches que mais despertam a curiosidade dos brasileiros?

Celebrado em 6 de setembro, Dia do Sexo abre espaço para falar sobre desejos e fantasias que ainda são cercados por tabus; Heitor Werneck, referência na cena fetichista brasileira e criador da festa Luxúria, que completa 20 anos, comenta as práticas que mais despertam interesse

O Dia do Sexo, celebrado em 6 de setembro, pode ser uma oportunidade para tirar desejos e fantasias do campo do tabu. Se antes falar sobre fetiches era algo restrito à intimidade, hoje redes sociais, séries, filmes e comunidades digitais ajudaram a tornar o assunto mais presente nas conversas sobre sexualidade.

Para Heitor Werneck, especialista em fetiche, produtor cultural e considerado o Rei do Fetiche no Brasil, a curiosidade aumentou, mas isso não significa necessariamente que as pessoas estejam interessadas em colocar todas as fantasias em prática.

“Existe uma diferença entre ter curiosidade, fantasiar e realmente querer experimentar. Muita gente chega ao universo fetichista querendo entender determinadas práticas, observar ou simplesmente descobrir melhor os próprios desejos. O que percebo ao longo dos anos é que as pessoas estão falando mais sobre aquilo que desperta curiosidade, algo que antes era muito mais escondido”, explica.

Entre os fetiches que, segundo Werneck, costumam despertar interesse estão BDSM, dominação e submissão, voyeurismo, exibicionismo, fetiches por pés, látex e couro, além de diferentes formas de role play.

“O BDSM talvez seja um dos universos que mais geram curiosidade porque reúne inúmeras possibilidades. Dominação, submissão e bondage são algumas delas. Fetiches por pés também são muito conhecidos, enquanto roupas e materiais como couro, vinil e látex têm uma presença histórica muito forte nessa cultura. Mas não existe uma lista capaz de representar o desejo de todo mundo. A sexualidade é extremamente particular”, afirma.

Luxúria completa 20 anos ajudando a tirar o fetiche da clandestinidade

Heitor acompanha essa transformação de perto. Criada por ele, a festa Luxúria completa 20 anos em 2026, consolidando duas décadas dedicadas à cultura fetichista e à criação de um espaço no qual diferentes formas de expressão, estética e comportamento podem conviver.

A celebração dos 20 anos acontece em 19 de setembro, em São Paulo, poucos dias depois do Dia do Sexo.

“Quando a Luxúria começou, falar publicamente sobre fetiche era muito mais difícil. Existia muito preconceito e muita desinformação. Em 20 anos, vimos uma mudança enorme. Hoje, pessoas chegam querendo conhecer esse universo, entender seus desejos e encontrar outras pessoas com interesses semelhantes. Para mim, completar duas décadas mostra também o quanto essa conversa amadureceu no Brasil”, conta Werneck.

Fetiche não significa necessariamente sexo

Uma das confusões mais comuns, segundo o produtor cultural, é imaginar que todo fetiche obrigatoriamente precisa envolver uma prática sexual. Para algumas pessoas, o interesse pode estar na estética, na fantasia, nos papéis assumidos ou nas sensações associadas a determinado objeto ou situação.

“Fetiche não pode ser resumido simplesmente ao ato sexual. Existe todo um universo de comportamento, estética, fantasia e construção de personagens. Algumas pessoas gostam de observar, outras de se vestir, outras se interessam por determinadas dinâmicas. É justamente essa diversidade que torna esse universo tão amplo”, explica.

Para Werneck, a maior transformação percebida nessas duas décadas talvez esteja menos nos fetiches procurados e mais na disposição para falar sobre eles.

“Desejos sempre existiram. O que mudou foi a possibilidade de conversar. Quando existe informação, respeito aos limites e consentimento entre adultos, as pessoas conseguem compreender melhor aquilo de que gostam sem necessariamente carregar a ideia de que todo desejo diferente precisa ser escondido”, conclui.

No Dia do Sexo, portanto, a discussão pode ir além da vida sexual propriamente dita. Depois de 20 anos acompanhando de perto a cena fetichista brasileira, Heitor Werneck acredita que conhecer os próprios desejos e conseguir conversar sobre limites também são partes importantes de uma sexualidade mais consciente.

Comente sobre esta matéria ;)