Crianças podem precisar de até 15 tentativas para aceitar um novo alimento

Nutricionista orienta como tornar esse processo mais leve e aumentar as chances de sucesso

Convencer uma criança a experimentar legumes, verduras ou frutas nem sempre é fácil. A recusa costuma preocupar pais e responsáveis, mas faz parte do desenvolvimento infantil. O tema ganha importância diante do cenário da saúde no país: atualmente, um em cada três brasileiros de 0 a 9 anos apresenta excesso de peso, segundo o Panorama da Obesidade em Crianças e Adolescentes, do Instituto Desiderata, com base em dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

Segundo Raquel Senna, professora de nutrição do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, esse comportamento é chamado de neofobia alimentar e costuma ocorrer entre os 2 e os 6 anos.

“Nessa fase da vida, o cérebro infantil tem a tendência de desconfiar do que é desconhecido, como um mecanismo natural de proteção. A aceitação de um novo alimento, em geral, depende da exposição repetida, sem pressão sobre a criança. Alguns estudos mostram que pode levar, em média, de 8 a 15 exposições para que a criança aceite um novo alimento. O importante é que essas experiências sejam positivas para as crianças”, explica.

A orientação é oferecer o alimento diversas vezes, em preparações diferentes, sem obrigar a criança a comer. Também ajudam atitudes como envolver os pequenos no preparo das refeições, levá-los à feira, apresentar os alimentos de forma atrativa e servir novidades junto de opções que eles já conhecem. O exemplo dos pais e cuidadores também influencia a aceitação.

Em contrapartida, insistir para que a criança coma, transformar a refeição em um momento de conflito, preparar outro prato diante da primeira recusa ou oferecer sobremesas como recompensa podem dificultar esse processo.

Esconder legumes e verduras em bolos, molhos ou panquecas também deve ser uma estratégia pontual. Embora aumente o consumo de nutrientes em alguns casos, ela não favorece o reconhecimento dos alimentos nem a familiaridade com seus sabores e texturas. “Se a criança descobre que os alimentos foram ‘escondidos’, pode contribuir para a perda de confiança. O ideal é usar essas estratégias de forma pontual, mas de preferência manter a exposição visível dos alimentos, ou seja, continuar oferecendo os legumes e verduras em sua forma natural, nas diferentes preparações, para que a criança os reconheça e associe sabor e textura”, ressalta.

A nutricionista destaca que a aceitação acontece de forma gradual. Por isso, o mais importante é respeitar o tempo da criança e tornar as refeições uma experiência tranquila, sem pressão ou negociações.

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