Aproximadamente um em cada dois cães com 10 anos ou mais pode desenvolver câncer, segundo a Veterinary Cancer Society. Entre os gatos, a doença renal crônica pode atingir até 40% dos animais acima dos 10 anos, de acordo com a Universidade Cornell. Os números reforçam a necessidade de acompanhamento veterinário regular para identificar alterações antes que elas comprometam a saúde e a qualidade de vida dos pets.
A partir dos 8 anos, muitos cães já apresentam mudanças associadas ao envelhecimento, embora esse processo varie conforme porte, raça, histórico clínico e condições de saúde. Entre os gatos, a fase sênior costuma ser considerada a partir dos 10 anos, mas o monitoramento pode começar antes, principalmente quando existem fatores de risco ou alterações no comportamento.
A American Animal Hospital Association recomenda consultas semestrais para cães idosos e gatos acima dos 10 anos, mesmo quando aparentemente saudáveis. A avaliação permite acompanhar mudanças discretas que nem sempre são percebidas pelos tutores.
“É comum ouvir que o animal está mais quieto, dorme mais, perdeu peso ou deixou de brincar porque ficou velho. Só que essas mudanças também podem indicar dor, problemas renais, alterações cardíacas ou doenças hormonais. O envelhecimento exige acompanhamento, não resignação”, explica o médico veterinário Gustavo Jorge Gonçalves, da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil.
Segundo o especialista da WeVets, seis grupos de doenças merecem atenção especial durante o acompanhamento de cães e gatos mais velhos.
1. Doença renal crônica
Os rins podem perder a capacidade de funcionar adequadamente de maneira gradual, sem sinais evidentes nas fases iniciais. O problema é especialmente frequente em gatos idosos e pode provocar aumento da sede, maior volume de urina, emagrecimento, redução do apetite e apatia.
2. Câncer e outros tumores
O risco de desenvolver câncer aumenta com a idade, sobretudo entre os cães. Caroços na pele, feridas que não cicatrizam, emagrecimento sem explicação, sangramentos e mudanças persistentes no apetite precisam ser avaliados.
3. Doenças cardíacas
Problemas cardíacos podem surgir de maneira progressiva e, inicialmente, apresentar sinais discretos. Cansaço durante passeios, respiração acelerada, desmaios e redução da disposição merecem atenção. Nos cães, a tosse também pode estar associada a alterações cardíacas; nos gatos, esse sintoma é menos característico.
4. Diabetes e alterações hormonais
O envelhecimento também pode favorecer doenças metabólicas e hormonais, como diabetes, hipotireoidismo em cães e hipertireoidismo em gatos.
5. Artrose e outras doenças articulares
Dificuldade para se levantar, resistência a subir escadas, redução dos passeios e receio de pular no sofá podem indicar dor articular. Nos gatos, os sinais costumam ser mais discretos e incluem menor interesse em acessar lugares altos, alterações na higiene e dificuldade para entrar na caixa de areia.
6. Doença periodontal
Mau hálito persistente, acúmulo de tártaro, gengivas inflamadas, sangramento e dificuldade para mastigar podem indicar doença periodontal. Segundo a Associação Americana de Medicina Veterinária, o problema afeta cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos já por volta dos 3 anos de idade, o que torna o acompanhamento ainda mais relevante durante o envelhecimento.
O que deve entrar no checklist semestral
O acompanhamento precisa ser definido de acordo com a espécie, a idade, o porte e o histórico clínico. De forma geral, a consulta de um pet idoso pode incluir:
- Avaliação clínica completa, com análise do peso, da condição corporal e da massa muscular.
- Observação da mobilidade, da postura e de possíveis sinais de dor.
- Exame da pele e palpação de nódulos, mamas e linfonodos.
- Avaliação dos dentes e das gengivas.
- Ausculta cardíaca e respiratória.
- Aferição da pressão arterial, principalmente em gatos idosos ou animais com suspeita de alterações renais.
- Hemograma e exames de sangue para avaliar glicose, função renal e outros indicadores metabólicos.
- Exame de urina, com avaliação complementar quando houver suspeita de doença renal ou diabetes.
- Investigação hormonal, conforme a espécie e os sinais apresentados.
- Exames de imagem, eletrocardiograma ou ecocardiograma quando houver indicação clínica.
- Revisão da alimentação, do calendário vacinal, da prevenção de parasitas e dos medicamentos utilizados.
Entre uma consulta e outra, o tutor deve observar mudanças no apetite, na ingestão de água, na urina, no sono, na interação com a família e na disposição para caminhar ou brincar. Fotos de nódulos e vídeos mostrando a forma como o animal anda ou se levanta também podem ajudar o veterinário a acompanhar a evolução de possíveis alterações.
“Envelhecer não significa conviver com dor, perder autonomia ou aceitar mudanças importantes como inevitáveis. Quando o acompanhamento começa cedo, temos mais condições de identificar problemas, controlar sintomas e preservar a qualidade de vida do animal”, conclui o especialista da WeVets.
