Terapia lúdica no tratamento oncológico: a importância do brincar


 

Ferramenta ajuda a reduzir a ansiedade, estimula o desenvolvimento cognitivo e emocional e fortalece a adesão ao tratamento
 

No Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março, a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) reforça a importância de preservar a infância de crianças e adolescentes em tratamento oncológico, garantindo acolhimento, estímulo e qualidade de vida, mesmo em períodos de grande vulnerabilidade.
 

Para a Dra. Mariana Michalowski, presidente da SOBOPE, o cuidado oncológico infantil vai muito além de medicações, exames e procedimentos. “A criança não deixa de ser criança. Mesmo em tratamento, é essencial que ela continue imaginando, brincando, aprendendo e se desenvolvendo. Algumas atividades podem ser adaptadas de acordo com a fase do tratamento, mas sempre há maneiras de oferecer diversão, distração e estímulo emocional, que também contribuem para o sucesso terapêutico”, explica.
 

Segundo a especialista, a preservação da infância depende de uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, professores e voluntários, que atuam de forma integrada para oferecer atendimento humanizado e suporte integral à criança e à família.
 

Um dos pilares desse cuidado é o ambiente lúdico no hospital. A presença de brinquedotecas hospitalares e salas de recreação permite que a criança tenha acesso a atividades adaptadas à sua condição clínica, promovendo o aprendizado, a imaginação e a interação social. Esses espaços são previstos na Lei Federal nº 11.104/2005, que estabelece sua obrigatoriedade em hospitais pediátricos. Além disso, a terapia lúdica, conduzida por profissionais especializados, utiliza o brincar como ferramenta para reduzir a ansiedade, estimular o desenvolvimento cognitivo e emocional e fortalecer a adesão ao tratamento.
 

“A criança precisa de estímulo e de rotina acolhedora. Cada brincadeira, cada atividade lúdica, cada momento de socialização ou de expressão artística contribui para o enfrentamento do tratamento. Quando ela se sente segura e ouvida, consegue lidar melhor com os procedimentos médicos e manter a autoestima e a confiança”, afirma a Dra. Mariana.
 

Para complementar o cuidado, recomenda-se que a rotina da criança inclua momentos de aprendizado, socialização, diversão, descanso e tempo de qualidade com familiares e amigos. A escuta ativa e o afeto constante são tão importantes quanto os cuidados clínicos, reforçando a sensação de segurança e pertencimento.
 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, entre 2023 e 2025, ocorreram cerca de 7.930 novos casos de câncer em crianças e adolescentes (0 a 19 anos) por ano. Aproximadamente 80% desses pacientes têm boas chances de cura, especialmente quando o diagnóstico é precoce. Por isso, pais, familiares, professores e profissionais de saúde devem estar atentos a sinais de alerta, como hematomas inexplicáveis, caroços pelo corpo, febre persistente, vômitos, dores de cabeça ou ósseas e inchaços nos membros.
 

A Dra. Mariana reforça que preservar a infância no ambiente hospitalar não é apenas um direito, mas também uma estratégia essencial para garantir a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. “O brincar, a imaginação e a expressão criativa ajudam a criança a enfrentar a doença com mais resiliência e esperança. Cada brinquedoteca, cada atividade lúdica e cada momento de estímulo fazem diferença na vida de quem enfrenta um câncer ainda na infância”, conclui.

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