Outubro Rosa na maturidade: ginecologista alerta que menopausa não encerra a necessidade de prevenção

Com a idade figurando entre os principais fatores de risco para o câncer de mama, especialista destaca a importância do rastreamento individualizado, do diagnóstico precoce e do cuidado integral com a saúde da mulher após os 50
anos

 

Outubro Rosa na maturidade: menopausa não encerra a necessidade de prevenção e acompanhamento ginecológico. Créditos: Magnific.

O encerramento do ciclo reprodutivo e a chegada da menopausa costumam trazer a falsa impressão de que as consultas ginecológicas regulares e os exames de rotina deixam de ser necessários. Aproveitando as mobilizações do Outubro
Rosa
, a MedSênior reforça que o envelhecimento exige atenção contínua à saúde feminina, lembrando que a prevenção de doenças e a busca por qualidade de vida devem acompanhar a mulher em todas as etapas da
maturidade.

 

De acordo com a ginecologista da MedSênior, Dra. Isabela Laender, a ideia de que a saúde da mulher se encerra com o fim das menstruações precisa ser desmistificada. “Na terceira idade, a abordagem clínica muda de foco: a
consulta passa a priorizar o manejo das alterações hormonais da menopausa, o monitoramento das mamas, da vulva e da vagina, bem como o diagnóstico precoce de patologias comuns ao avanço da idade”
. Sintomas como ressecamento vaginal, ondas de
calor, alterações urinárias e distúrbios do sono — decorrentes da acentuada queda de estrogênio — não devem ser tratados como desconfortos inevitáveis da idade.

 

“Existe uma ideia equivocada de que, depois da menopausa ou quando a mulher deixa de ter vida reprodutiva, ela não precisa mais ir ao ginecologista. Mas a saúde ginecológica não termina com a menstruação. O que acontece é que o foco do
acompanhamento muda. Envelhecer é natural, mas isso não significa que todo desconforto precise ser aceito como inevitável.
“, reforçou a especialista.

 

Câncer de mama e mamografia na maturidade
 

Diferente do que parte da população acredita, o risco de desenvolvimento de tumores mamários não cessa com o climatério. Pelo contrário: a idade avançada representa um dos mais significativos fatores de risco para o câncer de mama, com a maioria
dos diagnósticos concentrada a partir dos 50 anos.

 

No Brasil, a diretriz de rastreamento populacional do Ministério da Saúde preconiza a realização da mamografia bienal para mulheres assintomáticas entre 50 e 74 anos. Acima dessa faixa etária, a indicação deve ser individualizada, considerando o
histórico de saúde, as condições clínicas globais e a relação entre riscos e benefícios.

 

A médica adverte, contudo, que o rastreamento preventivo difere da investigação diagnóstica: alterações perceptíveis — a exemplo de nódulos, retração mamilar, mudanças cutâneas ou secreções espontâneas — exigem avaliação clínica
imediata, independentemente do cronograma da última mamografia. “Chegar à menopausa não significa que podemos deixar a saúde das mamas de lado. Não devemos olhar apenas para a idade escrita no documento: duas mulheres com a mesma idade podem ter
condições de saúde e histórias completamente diferentes, e a decisão precisa ser individualizada
.” – complementou a Dra. Isabela.

 

Histórico familiar, sexualidade e olhar integrado
 

Outro ponto de atenção no acompanhamento preventivo é a análise genética e familiar. A ocorrência de casos de câncer de mama ou de ovário entre parentes pode justificar condutas clínicas diferenciadas. No entanto, a ausência de casos na
família não isenta a paciente de riscos, visto que o tumor mamário acomete frequentemente mulheres sem qualquer histórico prévio da doença.

 

A especialista também salienta que o acompanhamento ginecológico independe de a mulher manter vida sexual ativa. A consulta é fundamental para avaliar queixas funcionais e investigar sinais de alerta cruciais, como sangramentos vaginais
pós-menopausa, que não devem ser interpretados como o retorno da menstruação. Para as que permanecem sexualmente ativas, a preservação da saúde e bem-estar sexual e a prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) continuam
indispensáveis, combatendo tabus que cercam a maturidade.

 

A MedSênior ressalta, ainda, a importância da integração entre a ginecologia e a geriatria. Enquanto o geriatra contempla a funcionalidade, o equilíbrio, as doenças crônicas e a autonomia, o ginecologista aprofunda o cuidado direcionado às mamas,
ao aparelho reprodutor e aos sintomas hormonais. Portanto, o olhar precisa ser integrado para que seja possível manter a qualidade de vida: “cuidar da saúde da mulher não deve acontecer apenas durante a fase reprodutiva. A mulher continua demandando
prevenção, escuta e qualidade de vida em todas as fases da vida. A consulta após a menopausa precisa olhar para a mulher como um todo: entender como ela está vivendo, dormindo, se movimentando, se alimentando e como está sua rotina.
“, afirmou a
ginecologista, Dra. Isabela Laender.