Condição pode afetar mãos, pés, axilas e rosto, comprometer atividades cotidianas e exigir tratamento individualizado; cirurgia é indicada apenas para pacientes selecionados
Suar é um mecanismo natural do organismo para regular a temperatura. Quando a transpiração ocorre em quantidade maior do que a necessária, mesmo sem calor intenso ou esforço físico, pode caracterizar a hiperidrose. A condição costuma atingir mãos, pés, axilas e rosto e pode interferir no trabalho, nos relacionamentos e na autoestima. Há diferentes opções de tratamento, de acordo com as características e a gravidade de cada caso.
“Muitos pacientes passam anos adaptando as roupas, o trabalho e até as relações sociais para conviver com o suor excessivo. Ao normalizar essas limitações ou atribuí-las apenas ao nervosismo, acabam adiando uma avaliação que poderia identificar a condição e indicar formas de controle”, explica o cirurgião torácico Dr. Alessandro Mariani, Professor Doutor de Cirurgia Torácica da FMUSP e Preceptor de Cirurgia Torácica Robótica.
A hiperidrose pode ser primária ou secundária. A forma primária geralmente é localizada, costuma aparecer na infância ou na adolescência e tende a diminuir durante o sono. Já a secundária pode estar relacionada a alterações endócrinas, metabólicas ou neurológicas, infecções e uso de determinados medicamentos. Nesses casos, a transpiração pode ser generalizada, começar na vida adulta ou ocorrer durante a noite.
Para o Dr. Alessandro Mariani, alguns sinais merecem atenção:
- Suor desproporcional à situação: transpiração intensa mesmo em ambientes frescos, durante o repouso ou sem esforço físico;
- Mãos constantemente molhadas: dificuldade para escrever, usar telas, segurar objetos e instrumentos ou cumprimentar outras pessoas;
- Roupas frequentemente encharcadas: manchas extensas nas axilas ou necessidade de trocar de roupa mais de uma vez ao dia;
- Pés excessivamente úmidos: desconforto ao usar calçados, mau odor, irritações na pele e maior propensão a infecções locais;
- Suor intenso no rosto ou couro cabeludo: episódios que podem dificultar atividades profissionais e interações sociais;
- Impacto na rotina: mudança na escolha de roupas, abandono de atividades, constrangimento, isolamento ou prejuízo no desempenho profissional;
- Início repentino ou suor durante o sono: principalmente quando o quadro começa na vida adulta, é generalizado ou vem acompanhado de outros sintomas.
“O diagnóstico não depende apenas da quantidade de suor observada durante a consulta. É necessário entender quando o problema começou, quais áreas são afetadas, se ocorre durante o sono e quanto interfere na vida do paciente”, afirma o cirurgião torácico.
Possíveis tratamentos para a hiperidrose
A escolha por um tipo de tratamento não segue uma fórmula única. A identificação da causa do suor excessivo, bem como a localização, intensidade, idade, condições clínicas e expectativas precisam ser consideradas. A partir disso é que o tratamento será definido, podendo exigir uma combinação de medidas.
- Antitranspirantes de uso clínico: produtos com substâncias como o cloreto de alumínio costumam ser utilizados como tratamento inicial, principalmente em quadros localizados, e devem ser usados conforme orientação profissional;
- Toxina botulínica: aplicada na região afetada, reduz temporariamente os sinais nervosos que estimulam as glândulas sudoríparas. O efeito não é definitivo e o tratamento precisa ser repetido;
- Medicamentos orais: algumas medicações reduzem a produção de suor, mas podem causar efeitos adversos, como boca seca, alterações visuais e constipação. Por isso, a indicação deve ser individualizada e acompanhada por um médico;
- Procedimentos locais: determinadas técnicas podem atuar diretamente sobre as glândulas sudoríparas, sobretudo na região das axilas. A disponibilidade e a indicação variam conforme o caso;
- Simpatectomia torácica por vídeo: procedimento minimamente invasivo que interrompe parte dos sinais do sistema nervoso simpático responsáveis por estimular o suor. É considerada principalmente nos casos graves de hiperidrose, quando o quadro compromete significativamente a qualidade de vida e outras alternativas não apresentaram resultados adequados.
“A cirurgia não deve ser a primeira alternativa nem ser indicada apenas porque o paciente sua muito. Ela exige seleção criteriosa, confirmação de que se trata de hiperidrose e uma conversa transparente sobre benefícios e possíveis efeitos, principalmente a sudorese compensatória, que é o aumento da transpiração em outras regiões do corpo”, finaliza Dr. Alessandro Mariani.

