Expoflora 2026 apresenta 18 ambientes que unem paisagismo, bem-estar e convivência 

A maneira como um espaço nos faz sentir ganha protagonismo na Mostra de Paisagismo e Decoração da Expoflora 2026. Nos 18 ambientes, plantas, arquitetura, decoração, arte e diferentes soluções de paisagismo são combinadas para criar lugares que vão além da contemplação: são feitos para acolher, reunir, estimular os sentidos, despertar memórias, proporcionar pausas e aproximar as pessoas da natureza e umas das outras.


A Mostra é uma das atrações da 43ª Expoflora, realizada de 28 de agosto a 27 de setembro, às sextas-feiras, sábados e domingos, além do feriado de 7 de setembro, sempre das 9h às 19h, em Holambra, no interior de São Paulo. Ao longo do período, os ambientes funcionam também como uma vitrine de ideias, tendências e soluções para áreas internas e externas, reunindo profissionais de diferentes áreas em propostas que mostram novas formas de incorporar o paisagismo ao cotidiano.


A concepção dos espaços acompanha uma forma cada vez mais presente de pensar o paisagismo e a arquitetura: não apenas pela estética, mas pela experiência de quem utiliza os ambientes. Cores, aromas, sons, texturas, água, luz, sombra e vegetação passam a participar da criação de lugares destinados ao descanso, à convivência e ao bem-estar. Ao longo da Mostra, essa relação aparece em jardins, varandas, quintais, áreas gourmet, espaços de banho, ateliês e ambientes de permanência, com referências que podem ser transportadas para casas e apartamentos de diferentes dimensões.


Essa preocupação com a experiência humana assume formas bastante distintas entre os projetos. No “Refúgio”, paisagismo e neuroarquitetura se unem em uma proposta especialmente atenta às pessoas no espectro autista, com iluminação difusa, cores suaves, água em movimento, tecidos e vegetação organizados para criar uma experiência de menor carga sensorial, com possibilidades de pausa e descompressão. No “Ambiente Dopamina”, o caminho é outro: o jardim busca provocar alegria, curiosidade e surpresa e cria uma área de convivência para refeições e encontros entre familiares e amigos, inclusive como convite a momentos distantes dos estímulos digitais.


Há ainda jardins pensados para serem compartilhados com animais de estimação; espaços que recuperam memórias das casas e quintais dos avós e saberes transmitidos entre gerações; ambientes que aproximam arte e vegetação; propostas para levar um refúgio tropical às varandas dos apartamentos; áreas construídas em torno da comida, do fogo e da conversa; e projetos que exploram referências culturais de diferentes lugares e épocas. Em um dos ambientes, dois espaços praticamente idênticos são apresentados lado a lado para permitir que o visitante perceba, na prática, o quanto a presença do paisagismo é capaz de alterar a sensação e a identidade de um lugar.


Em meio a propostas tão diferentes, a Mostra revela diversas possibilidades para uma mesma questão: como o paisagismo pode transformar não apenas os espaços, mas a experiência de quem vive neles. Flores e folhagens deixam de cumprir apenas uma função decorativa e passam a participar da criação de ambientes sensoriais, inclusivos e conectados às necessidades e aos modos de vida contemporâneos.

Sobre os ambientes:

Ambiente 1 – Entre Cores e Folhagens – Neide Tobias (paisagista), de Holambra (SP)


Cor e vegetação transformam um espaço compacto no “Entre Cores e Folhagens”. O ambiente parte de um contêiner em laranja intenso, combinado a esquadrias azuis, para criar uma pequena casa cercada pelo jardim. Do lado de fora, mobiliário, pergolado e áreas de permanência mostram como poucos metros quadrados podem reunir diferentes usos e manter uma relação próxima com as plantas.


O paisagismo trabalha o contraste entre flores claras e folhagens coloridas. Cerca de 400 SunPatiens, 30 crótons e 25 íris-da-praia formam a base da composição, acompanhados por jasmim-estrela e outras folhagens. Os SunPatiens também aparecem em grandes floreiras, enquanto os crótons levam diferentes tonalidades às áreas verdes. Uma parede vegetal aproxima ainda mais jardim e arquitetura e faz com que as plantas ocupem também as superfícies verticais.


O pergolado de eucalipto tratado e bambu cria a passagem entre a pequena casa e o jardim, oferecendo sombra à área externa. Parte desses materiais é reaproveitada, assim como outros elementos incorporados à composição. O piso drenante acompanha o desenho do paisagismo e permite a absorção da água da chuva. Entre cores, flores e folhagens, o projeto reúne referências que podem ser levadas para varandas, quintais e outros espaços onde cada metro precisa ser bem aproveitado.

Ambiente 2 – Natureza Compartilhada – Carla Dadazio (arquiteta e paisagista), de Holambra (SP)

Um jardim pensado para ser compartilhado por pessoas e animais de estimação é a proposta de Natureza Compartilhada, ambiente criado pela arquiteta e paisagista Carla Dadazio, do Studio Arkhe. Inspirado na procura crescente por projetos pet friendly, o espaço mostra como o paisagismo pode conciliar segurança, biodiversidade e uso cotidiano. A seleção vegetal prioriza espécies não tóxicas para cães e gatos, enquanto áreas de descanso, água e permanência são distribuídas para que o jardim possa ser efetivamente vivido — e não apenas contemplado. Pequenos vasos com aveia também são incorporados ao projeto para os animais.

Caminhos sinuosos conduzem o visitante por áreas de estar e contemplação, entre plantas aromáticas, folhagens de diferentes cores, volumes e texturas, bacias com plantas aquáticas, peixes, fontes para os animais e quadros de suculentas. O paisagismo reúne mais de 100 bromélias e cerca de 200 vasos de calateias, além de noranteas, palmeiras, ravenalas, helicônias, cúrcumas, ráfis, arecas, maranta-charuto, pata-de-elefante, hortelã e outras espécies. Bromélias-imperiais e diferentes variedades de helicônias ajudam a criar pontos de cor em meio ao verde.

Entre as soluções do projeto estão peças artesanais de concreto, como cubas, comedouros e bebedouro para cães, bacias aquáticas, luminárias artesanais e mobiliário próprio para áreas externas. As peças escolhidas para as áreas de permanência são laváveis e de fácil manutenção, uma característica pensada especialmente para casas com pets. O piso drenante de desenho orgânico favorece a absorção da água da chuva, enquanto novos revestimentos de piso e parede também integram a composição.

O espaço ainda incorpora uma vertente educativa, com caixas demonstrativas relacionadas à criação de abelhas e atividades ligadas à jardinagem e ao cultivo ao longo da Mostra. A proposta é reunir referências que possam ser adaptadas a jardins residenciais, especialmente em casas onde os animais também fazem parte da rotina e do uso cotidiano das áreas externas.

Ambiente 3 – Entre Brasa e Brisa – Fátima Regina de Souza (designer de interiores e paisagista), de Valinhos (SP), e Maria Fernanda Padovese (arquiteta e paisagista), de Americana (SP)


As lembranças dos quintais onde famílias se reuniam em torno da comida, do fogo e da conversa inspiram o Entre Brasa e Brisa. O projeto atualiza essa ideia de quintal para uma área externa de convivência que reúne piscina, pergolado, bancada gourmet com churrasqueira, fogo de chão e rede. Água, vegetação, madeira e fogo organizam os diferentes setores do espaço.


No paisagismo, algodão-da-praia, monstera variegata, bromélias e helicônias estão entre as espécies de destaque. A escolha considera principalmente as cores das folhagens e sua relação com a paleta adotada no ambiente. Junto à piscina, um jardim vertical modular formado por folhagens verdes amplia a presença da vegetação e cria continuidade entre a área de banho e o restante do jardim.


O pergolado utiliza madeira ecológica produzida com plástico reciclado e composto de madeira natural, alternativa à madeira convencional. A composição também explora aromas, o som da água, o calor do fogo, diferentes texturas e iluminação, reunindo recursos que podem ser adaptados a áreas externas residenciais de diferentes dimensões.

Ambiente 4 – Jardim Mandala Florida – Marisa Trippia (artista plástica), de Holambra (SP)


Arte e paisagismo se encontram no Jardim Mandala Florida, criado pela artista plástica Marisa Trippia. No ambiente, uma mandala é formada por 250 vasos de kalanchoes dobrados, nas cores amarelo, vermelho e branco. A composição usa a forma circular como ponto de partida para organizar flores, folhagens e obras de arte em um jardim que convida o visitante a interromper por alguns instantes a rotina e permanecer no espaço.


Ao todo, o ambiente reúne 450 vasos de kalanchoes dobrados e 100 vasos de SunPatiens, nas cores Orange, White e V Red, distribuídos em seis vasos de grande porte. A composição inclui ainda palmeiras-areca, bromélias, peperômias-pendentes e costelas-de-adão. Na parede, 20 cones de fibra de coco recebem orquídeas, acrescentando vegetação também ao plano vertical.


A arte faz parte do percurso de diferentes maneiras. Marisa realiza pinturas em tela no próprio ambiente durante a Mostra, enquanto uma imagem de cachoeira reforça a proposta de pausa e contato com a natureza. Uma rede amplia essa ideia de permanência. O jardim também utiliza suportes de fibra de coco para as orquídeas e outros elementos que aproximam a produção artística da composição vegetal.

Ambiente 5 – Jardim da Chegada – Fátima Regina de Souza (designer de interiores e paisagista), de Valinhos (SP), e Maria Fernanda Padovese (arquiteta e paisagista), de Americana (SP)


Transformar a entrada da casa em um espaço de recepção integrado ao paisagismo é a proposta do Jardim da Chegada. O ambiente trabalha a fachada como parte da experiência da residência, combinando vegetação, arquitetura e áreas de permanência. Uma marquise demarca o acesso principal e ajuda a organizar visualmente a transição entre o exterior e a entrada da casa.


Um dos elementos centrais é o muxarabi em aço corten, com desenho desenvolvido especialmente para o projeto e formas que remetem à vegetação tropical. O elemento vazado cria diferentes efeitos de luz e sombra ao longo do dia e se relaciona com a paleta de tons terrosos, verdes e materiais naturais utilizada na composição.


No jardim, oliveira e pitangueira participam da composição junto a maranta-charuto, costela-de-adão e outras folhagens. Um jardim vertical amplia a presença do verde na fachada, enquanto vasos, iluminação e um banco de contemplação completam o espaço. A proposta reúne soluções que também podem ser aplicadas em entradas residenciais, varandas e jardins de menores dimensões.

Ambiente 6 – Refúgio – Danilo Gürtler (arquiteto e designer) e Gisele Villa (paisagista), de Leme (SP)


Paisagismo e neuroarquitetura se unem no Refúgio, ambiente concebido para oferecer uma experiência de menor carga sensorial, com atenção especial às pessoas no espectro autista. Iluminação difusa, paleta de cores suaves, vegetação, água em movimento, tecidos leves e mobiliário envolvente são combinados para criar diferentes possibilidades de pausa e permanência. Uma pérgola com voal funciona como espaço de descompressão, enquanto poltronas e estofados de formas envolventes são pensados como uma espécie de “ninho”. O projeto nasce também da experiência pessoal do arquiteto e designer Danilo Gürtler, que está no espectro autista.


As escolhas dialogam com referências internacionais de design inclusivo e integração sensorial. Entre elas está o Autism ASPECTSS™ Design Index, desenvolvido pela arquiteta Magda Mostafa para projetos voltados ao espectro autista, especialmente nos conceitos de espaços de fuga e organização de ambientes com menor carga sensorial. O projeto também considera estudos e abordagens ligados à integração sensorial, à neuroestética e ao design biofílico. No bangalô, com 3 x 4 metros, o voal filtra a luz natural e cria uma área mais protegida; tecidos, cortinas, estofados e massas de vegetação também ajudam a atenuar ruídos e a suavizar a incidência de vento no espaço.


O paisagismo envolve um lago de 2 x 3 metros, cujo movimento da água acrescenta um som contínuo ao ambiente. Palmeira-areca, aspargo, costela-de-adão, samambaia e antúrio formam diferentes alturas, volumes e texturas nas áreas ornamentais. Próximo à água, papiros ganham protagonismo, acompanhados por plantas de folhas maiores, como taioba e inhame, que fazem a transição visual entre jardim e lago. Um cercado de madeira delimita essa área e contribui para a segurança sem interromper a integração com a vegetação.

Ambiente 7 – Jardim da Memória Afro-Brasileira – Denise Valêncio (empreendedora nas áreas de design de interiores e paisagismo), de Mairiporã (SP), e Tainã Dorea (arquiteta e paisagista), de São Paulo (SP)


Os saberes e a ancestralidade das mulheres negras conduzem o Jardim da Memória Afro-Brasileira. O espaço homenageia avós, mães, benzedeiras, quitandeiras e outras mulheres que preservaram e transmitiram conhecimentos sobre plantas, alimentação, cuidado e proteção. O paisagismo assume a função de narrativa e de escrevivência, transformando plantas, objetos e obras de arte em elementos de memória.


Em uma das paredes, uma frase de Conceição Evaristo introduz o núcleo dedicado às escrevivências das mulheres negras nas paisagens. Obras de Gabriela Guedes, Claudiane Guedes, Erika Nascimento, Alexandre Ferreira Pedro, Mabson Ferreira e Tainã Dorea apresentam diferentes referências à ancestralidade feminina por meio de pintura, pintura em cabaça, colagem digital, fitotipia e secagem de plantas. Cestos e macramês com PANCs remetem às quitandeiras, mulheres negras que tiveram papel de destaque na comercialização de frutas e alimentos.


Na parte frontal, o jardim medicinal e de PANCs recupera conhecimentos transmitidos pela oralidade entre gerações. Alecrim, hortelã e lavanda remetem ao uso tradicional de plantas em chás e emplastros, enquanto espécies alimentícias não convencionais, como o trevo, evidenciam saberes relacionados a plantas que também fazem parte da alimentação. Ao fundo, junto à parede de tijolos, o Jardim Sagrado das Ewés/Makaia reúne plantas associadas à proteção, como dracena-peregun, espada-de-são-jorge e pimentas. Os termos ewé, em iorubá, e makaia, em quicongo, fazem referência às folhas e remetem a matrizes linguísticas africanas presentes na formação cultural brasileira.


A memória familiar aparece de forma mais direta em outro trecho do jardim. Portões de ferro, cadeira de balanço, vasos, flores, ervas, mobiliário e objetos de decoração recriam referências às antigas varandas das avós, espaços de convivência e transmissão de histórias. Fotografias das avós de Denise Valêncio completam a homenagem e aproximam a narrativa coletiva da memória pessoal e geracional.

Ambiente 8 – Café ao ar livre – Stellamaris Pezotti (arquiteta) e Ester Pezotti (designer de interiores), de Santo Antônio do Jardim (SP)


A relação de uma família com o cultivo e a produção do café inspira o Café ao ar livre, ambiente criado pelas irmãs Stellamaris e Ester Pezotti. A família mantém lavouras próprias e realiza na propriedade todas as etapas de cultivo do grão, desde o plantio até a secagem dos grãos. As duas também criaram a marca Cheio de Mistério, produzida a partir de uma seleção manual dos melhores grãos. No jardim, essa história aparece não apenas na bebida, mas nas próprias plantas e em materiais retirados da lavoura.


A composição paisagística reúne cerca de 182 mudas e combina estrelítzia-augusta, costela-de-adão, dinheiro-em-penca, samambaias, SunPatiens, zamioculca, antúrio e outras espécies. Sete mudas jovens de café integram o paisagismo: seis ficam distribuídas em dois vasos na entrada e uma próxima ao banco, no fundo do ambiente. Como ainda são plantas novas, não apresentam frutos durante a Mostra. Diferentes alturas, volumes e texturas formam camadas de vegetação em uma paleta dominada por verdes, terracota e tons terrosos.


Um dos elementos mais incomuns do projeto é o banheiro integrado ao jardim, com banheira de imersão em meio à vegetação. A proposta é mostrar que mesmo um ambiente tradicionalmente interno pode se abrir para a natureza, aproximando conceitos do design biofílico e da psicoarquitetura. A integração entre água, vegetação e área de permanência transforma o banho em uma experiência de contato com o espaço externo.


O reaproveitamento de materiais também carrega histórias do próprio processo produtivo. Troncos de cafeeiros retirados da propriedade durante a renovação da lavoura, que seriam descartados, formam um mural artesanal. Carretéis originalmente usados para fios elétricos em obras, também destinados ao descarte após serem danificados, são recuperados, envernizados e transformados em mesas.

Ambiente 9 – Entre Pausas – Isabela Perin Corbo (bióloga e paisagista), Luiz Henrique Coelho de Faria e Leandro de Pádua Russo (técnicos em eletrotécnica e administradores) e Edson Farias (executor paisagístico), de Pedreira e Campinas (SP)


O fim de um dia comum e o desejo de aproveitar melhor o tempo dentro de casa inspiram o Entre Pausas. O ambiente representa a área externa de uma residência contemporânea, pensada para desacelerar depois do trabalho, preparar uma refeição, reunir pessoas queridas, assistir a um filme ou simplesmente permanecer junto ao jardim. A pausa, aqui, não aparece como interrupção, mas como escolha de estar presente e reencontrar o próprio tempo.


Em uma das extremidades, o spa se integra à vegetação e representa o momento dedicado ao descanso. No centro, uma grande mesa de madeira e o mobiliário externo organizam a área de convivência, sob um pendente de madeira com orquídeas. A lareira ecológica introduz o fogo como ponto de encontro e contraponto à água do spa, enquanto um painel de LED incorpora à área externa possibilidades como assistir a filmes, ouvir música ou acompanhar um jogo. O projeto também utiliza piso drenante produzido com pedras naturais, madeira licenciada e vasos preparados para integrar sistemas de irrigação e iluminação.


O paisagismo reúne 17 espécies e grupos ornamentais e cria uma grande massa verde ao fundo do ambiente. Palmeiras, estrelítzias, costelas-de-adão, filodendros, fícus, alocásias, calateias, cordilines, zamioculcas, aglaonemas, mandevilas e orquídeas se distribuem em diferentes alturas e volumes. A composição privilegia o desenho e as texturas das folhagens, com diferentes tonalidades de verde e pontos de cor, buscando a aparência de um jardim residencial já estabelecido, no qual vegetação e área de lazer fazem parte da mesma experiência.

Ambiente 10 – Jardins das Mil e Uma Flores – Francisco Suelo (artista plástico e designer de objetos em madeira), de Jaguariúna (SP)


Um oásis inspirado na vegetação e em referências culturais dos sete emirados que formam os Emirados Árabes Unidos dá forma aos Jardins das Mil e Uma Flores, ambiente criado pelo artista plástico Francisco Suelo. Paisagismo e arte se encontram em uma composição marcada por jardins coloridos, palmeiras, plantas aromáticas, esculturas e peças autorais em madeira. Aromas, cores e diferentes texturas conduzem a experiência do visitante.


O ambiente reúne cerca de mil plantas, número que se aproxima das “mil e uma” do próprio nome do projeto. Antúrios, bromélias, orquídeas, calateias, samambaias, palmeiras e outras espécies compõem o conjunto, ao lado de plantas aromáticas como manjericão, tomilho, arruda e hortelã. Os “tapetes” aparecem na forma de jardins coloridos, formados por antúrios, forrações, cactos e diferentes palmeiras exóticas. No jardim vertical, uma Árvore da Vida de 6 metros de largura por 3 metros de altura, composta por bromélias, samambaias e orquídeas, cria um dos principais pontos de impacto visual.


A interação também aparece nas “Asas da Vida”, duas esculturas de madeira feitas à mão, com 2,20 metros de altura por 1,20 metro cada, criadas como uma releitura dos tapetes voadores e abertas à interação e às fotografias dos visitantes. O trabalho autoral de Francisco se espalha pelo ambiente em esculturas de parede, luminárias de teto e de chão e peças inspiradas em cavalos, formas abstratas e elementos vegetais. Entre elas está “Maravilhas de Dubai”, escultura criada especialmente para a Mostra que reúne referências como as dunas do deserto, o cavalo árabe, o falcão, o Burj Al Arab e o Burj Khalifa.

Ambiente 11 – História, afeto e propósito – Neide Tobias (paisagista), de Holambra (SP)


Memórias da casa de campo, das varandas e dos quintais de outros tempos dão forma ao ambiente História, afeto e propósito. Inspirado na arquitetura vernacular brasileira, o ambiente aproxima técnicas construtivas tradicionais, vegetação tropical e objetos que remetem à vida no campo. A fachada em taipa de pilão, feita com terra compactada, as telhas cerâmicas e as janelas pintadas com tinta à base de barro ajudam a construir essa referência. Mais do que cenário, a varanda é um espaço para ser vivido: o visitante pode entrar, sentar-se, descansar na rede e utilizar uma das janelas da fachada como ponto para fotografias.


O jardim acompanha essa linguagem com traçados orgânicos, diferentes alturas e uma vegetação marcada por folhagens. Crótons, estrelítzias, bambu-mossô, filodendros, bromélias, calateias, moreias e costelas-de-adão aparecem entre as espécies utilizadas. Água, vegetação e pontos de luz completam a experiência, com uma fonte de cerâmica inserindo o som da água no percurso e luminárias distribuídas entre o jardim.


A cadeira de balanço ocupa um lugar de destaque na varanda e reforça a referência afetiva às casas dos avós e aos momentos de permanência nesses espaços. O trabalho artesanal aparece também em uma luminária produzida com galho natural e potes de vidro reutilizados decorados com macramê, além de outras peças de cerâmica. O piso drenante acompanha as formas do jardim e permite que arquitetura e paisagismo se encontrem sem uma separação rígida, enquanto a fachada funciona como principal referência visual do ambiente.

Ambiente 12 – Varanda Tropical – Yully Hollowatj (arquiteta paisagista) e Barbara Ortiz (engenheira agrônoma), de São Paulo (SP)


Transformar a varanda de um apartamento em um jardim tropical, mesmo diante das limitações de espaço e profundidade para plantio, é a proposta da Varanda Tropical. Inspirado nas varandas e apartamentos garden de São Paulo, o ambiente cria uma área de permanência cercada por vegetação, em que diferentes alturas, volumes e folhagens ajudam a aproximar o verde da rotina de quem vive na cidade.


O paisagismo reúne 16 espécies e aproximadamente 137 plantas, entre palmeira-de-petrópolis, jasmim-manga, estrelítzia-augusta, chamaedórea, clúsia, fícus-lira, dracena-pink, maranta-zebrina, filodendro, orelha-de-elefante, xanadu e barba-de-serpente. Um dos destaques é a palmeira-de-petrópolis, espécie nativa que vem ganhando espaço no mercado paisagístico e representa também um movimento de maior valorização das espécies da flora brasileira. A vegetação ocupa principalmente o perímetro do ambiente, criando uma camada verde ao redor da área de estar.


Para viabilizar o jardim em uma situação de pouca profundidade e reduzir a sobrecarga sobre a laje, o projeto utiliza vasos leves e uma mistura de terra, areia, substrato e vermiculita, formando um composto mais aerado, que evita a compactação e favorece o desenvolvimento das raízes. A solução é acompanhada por drenagem e irrigação automatizada por gotejamento, que direciona a água às plantas e reduz desperdícios. Aço corten, ladrilho hidráulico, uma fonte e um banco integram a composição, mostrando como soluções técnicas e paisagismo podem trabalhar juntos na criação de áreas verdes em apartamentos.


Ambiente 13 – Ateliê Flor&Ser – Botanic Art & Decor – Fabiana Vieira (paisagista), Fernando Comparoni (engenheiro agrônomo e paisagista) e Raissa Comparoni (artista visual), de São Paulo (SP)


Um ateliê botânico onde plantas dividem espaço com arte, design e áreas de permanência é a proposta do Ateliê Flor&Ser – Botanic Art & Decor. Criado a partir de um sonho compartilhado em família, o ambiente representa um espaço urbano em que é possível não apenas escolher plantas e objetos, mas também permanecer, ler, criar e estar próximo da natureza. Varanda, quintal e área interna funcionam de forma integrada.


O paisagismo, assinado por Fabiana Vieira, utiliza principalmente plantas tropicais e folhagens de maior porte, distribuídas em diferentes alturas, volumes e tonalidades de verde. Ervas aromáticas ficam próximas ao espaço destinado à leitura e acrescentam perfume à composição. Na área externa, vegetação e água em movimento cercam os pontos de descanso e o spa, que aparece integrado ao jardim como parte da proposta de momentos de presença, conexão e bem-estar.


O projeto também mostra aspectos técnicos necessários à manutenção de um espaço com grande presença de vegetação. Fernando Comparoni assina o jardim vertical e as soluções de irrigação paisagística, incorporadas ao ambiente como parte do funcionamento do jardim. A proposta evidencia que a escolha das plantas está associada também ao manejo da água e às condições necessárias para manter a vegetação ao longo do tempo.


A arte entra no projeto por meio de Raissa Comparoni, responsável por uma intervenção criada especialmente para a área interna do ateliê. A pintura utiliza formas orgânicas e estabelece uma relação direta com o paisagismo. Dentro do conceito apresentado pelos profissionais, o Ateliê Flor&Ser também é pensado como um espaço capaz de comportar oficinas de arte, kokedamas e outras atividades manuais e botânicas, reunindo em um mesmo lugar cultivo, criação e convivência.

Ambiente 14 – O Poder do Verde – Neide Tobias (paisagista) e Carla Dadazio (arquiteta e paisagista), de Holambra (SP)


Dois espaços com a mesma arquitetura, o mesmo mobiliário e os mesmos materiais mostram, lado a lado, o quanto a presença do paisagismo interfere na maneira como um ambiente é percebido. Essa é a proposta de “O Poder do Verde”. Em uma das áreas, a vegetação tropical envolve os móveis e cria diferentes alturas, volumes, cores e texturas. Na outra, a composição é praticamente a mesma, mas o paisagismo é reduzido ao gramado e aos elementos vegetais já existentes. A comparação permite que o visitante experimente, na prática, como o verde pode alterar a identidade e a relação com um espaço. 


No lado mais densamente plantado, antúrios, SunPatiens, filodendros, aspargos, crótons, calateias, estrelítzias, fícus e jasmim-manga formam um jardim tropical ao redor da área de permanência. A vegetação cria camadas e aproxima o visitante das plantas, enquanto o outro lado preserva uma leitura mais aberta e simplificada. A proposta não é apresentar dois projetos diferentes, mas mostrar como uma única mudança — a presença ou a ausência de um paisagismo mais estruturado — transforma a experiência do mesmo lugar. 


A unidade entre os dois lados aparece na parede em azul-jeans, no mobiliário produzido com madeira de demolição e no piso drenante. Luminárias artesanais feitas com galhos também se repetem nas duas áreas, reforçando que os elementos arquitetônicos permanecem os mesmos. No centro da composição, um quadro com a imagem de um moinho ajuda a conectar visualmente os dois espaços. Assim, O Poder do Verde coloca o paisagismo no centro da comparação e convida o visitante a perceber o que muda quando arquitetura e vegetação passam a funcionar juntas.

Ambiente 15 – Nos Jardins do Rei – Fernando Mattos (paisagista), de Holambra (SP), e Daniela Inácio Moreno (designer de interiores), de Santa Bárbara d’Oeste (SP)


Os jardins formais franceses e o filme Nos Jardins do Rei inspiram o ambiente criado pelo paisagista Fernando Mattos e pela designer de interiores Daniela Inácio Moreno. O projeto reinterpreta referências dos jardins de Versalhes por meio de simetria, eixo central, formas geométricas, bordaduras, repetição de elementos e podas, sem buscar uma reprodução literal. O jardim ocupa o centro da composição e organiza os demais espaços de descanso e convivência.


O paisagismo reúne aproximadamente 25 espécies e mais de 200 mudas. Lavandas, ‘Mona Lavender’, buxinhos podados em formas arredondadas e diferentes tipos de fícus ajudam a construir a linguagem formal do jardim. A vegetação inclui ainda ráfis, zamioculca, espada-de-são-jorge, cica, pata-de-elefante, trapoeraba-roxa, mandevila branca, escudo-persa, hortelã e manjericão. Uma jabuticabeira e um limoeiro ocupam posições de destaque em lados opostos do espaço e introduzem uma leitura brasileira dentro da referência europeia.


No eixo central está uma fonte redonda de cimento rústico, com duas quedas d’água, que funciona como principal ponto visual do jardim. Ao fundo, quatro esculturas representam Primavera, Verão, Outono e Inverno e ficam dispostas simetricamente, duas de cada lado, voltadas para o centro. Dois bancos diante da fonte criam uma área de permanência. A ambientação completa a proposta com tecidos, tapetes, mesa posta e uma banheira de estilo vitoriano, incorporada de forma intencional ao conjunto. O resultado mistura diferentes referências de época para construir uma atmosfera inspirada nos jardins europeus, sem pretensão de reconstrução histórica rigorosa.

Ambiente 16 – Atelier do Paisagista – Cléia Thomazini (arquiteta, urbanista, paisagista e decoradora) e Orpheu Thomazini (arquiteto, urbanista e paisagista), de Mogi Mirim (SP)


Mostrar o que acontece antes de um jardim ficar pronto é a proposta do Atelier do Paisagista. O ambiente reproduz o espaço de trabalho desses profissionais e reúne, dentro da casinha, bancada, desenhos e projetos, ferramentas de jardinagem e amostras de materiais. Irrigação e reuso de água também aparecem entre as soluções apresentadas, aproximando o visitante das etapas técnicas envolvidas na criação e manutenção de um projeto paisagístico.


A construção do ateliê utiliza light steel frame, placas de drywall, cobertura em PVC e piso e forro laminados com aparência de madeira. A porta de vidro tem pouca ferragem e abertura quase total, facilitando o acesso e a manutenção. Do lado externo, piscina e vegetação completam o conjunto. A piscina recebe revestimento cimentício monolítico, escolhido pela praticidade de aplicação.


O paisagismo reúne mais de 600 plantas. Entre as espécies estão costelas-de-adão, escudo-persa, estrelítzias-gigantes, fícus, guaimbês, bambu-mossô, nandinas, pacovás, orquídeas, xanadus, zamioculcas, mandevilas e SunPatiens vermelhas. A composição inclui ainda duas costelas-de-adão da cultivar ‘Thai Constellation’. Escudo-persa, guaimbê, xanadu e SunPatiens aparecem em maior quantidade, com 100 exemplares de cada. Os pisos externos drenantes, assim como pedriscos brancos e piso hidráulico, compõem o acabamento.

Ambiente 17 – Santuário Azure – Cléia Thomazini (arquiteta, urbanista, paisagista e decoradora) e Orpheu Thomazini (arquiteto, urbanista e paisagista), de Mogi Mirim (SP)


Uma área de banho e descanso cercada por vegetação dá forma ao Santuário Azure, ambiente criado por Cléia e Orpheu Thomazini. O projeto reúne banheira artesanal, estar externo, chuveiro e áreas floridas, com a água, a iluminação e a vegetação compondo os diferentes pontos do jardim. A banheira e o chamado Arco Divino, entre a vegetação e o piso hidráulico em tons de amarelo e azul, estão entre os principais elementos visuais do espaço.


O paisagismo reúne mais de 700 plantas, com destaque para 300 SunPatiens brancas, 80 ráfis, 40 mandevilas amarelas, 40 xanadus, 40 zamioculcas, 40 arrudas e 40 eufórbias. A composição inclui ainda canhotinha-azul, copos-de-leite amarelos, estrelítzias-gigantes, fícus, bambu, cheflera, peperômia e uma orelha-de-elefante de grande porte. As flores brancas, amarelas e azuis aparecem em meio às folhagens verdes e ajudam a definir a paleta do jardim.
Um jardim vertical com samambaias e mandevilas amarelas integra a composição. A estrutura utiliza tela de construção e vasos meia-cuia presos com abraçadeiras, em uma solução de montagem simples. O espaço também trabalha com aromas, água e luz e é pensado para permanência e contemplação, com pontos destinados a fotografias e descanso.

Ambiente 18 – Ambiente Dopamina – Raquel Cury (arquiteta paisagista), Ingrid Morato e Maurício Mello (designers de interiores), de Santa Bárbara d’Oeste e Americana (SP)


Criar um jardim onde as pessoas tenham vontade de permanecer, conversar e compartilhar momentos é a proposta do Ambiente Dopamina, assinado por Raquel Cury, Ingrid Morato e Maurício Mello. O nome parte da ideia de um espaço capaz de provocar sensações de prazer, alegria, curiosidade e surpresa. Uma pérgola com mesa central organiza a área de convivência, pensada para refeições, encontros entre famílias e amigos e momentos longe dos estímulos digitais.


O paisagismo tem linguagem tropical e reúne mais de 160 plantas. A composição inclui 50 marantas, 35 estrelítzias-gigantes, 25 bromélias de três espécies, 20 helicônias, entre Heliconia stricta e o híbrido Heliconia rauliniana, 17 samambaias, 15 filodendros e seis dracenas-arbóreas. A vegetação se integra ao jardim já existente, de onde também vêm os sons, aromas, pássaros e insetos presentes no espaço, sem a criação de recursos artificiais específicos para essa experiência.


Entre os elementos do ambiente está um painel de aço com corte a laser, instalado diante de uma coluna no meio do jardim e iluminado como uma obra de arte. A peça pertence ao acervo de um dos colaboradores do projeto. Mobiliário, esculturas e outras peças desenvolvidas e assinadas por Ingrid Morato Casa completam a composição, em que madeira e verde predominam.

Baixar fotos em alta (Fotos de Rafael Avelar Arruda)

Serviço — Expoflora 2026
Data: de 28 de agosto a 27 de setembro de 2026, às sextas-feiras, sábados e domingos, além do feriado de 7 de setembro
Horário: das 9h às 19h
Local: Parque da Expoflora — Holambra (SP)
Informações: www.expoflora.com.br
Ingressos: www.expofloratickets.com.br

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