Calendário Nacional de Vacinação prevê imunizantes para diferentes fases e reforça a importância da proteção individual e coletiva
Muitas pessoas só se lembram de verificar a carteira de vacinaçãoquando precisam viajar, matricular os filhos na escola ou procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Porém, muitos adultos não sabem onde guardaram o documento e acabam deixando de tomar doses importantes para manter a sua proteção em dia.
Ao contrário do que muitos imaginam, a vacinação não é um cuidado que termina na infância. Conforme a coordenadora da área de Saúde do Senac Novo Hamburgo, Carol Piumato, a imunização acompanha diferentes momentos da vida e pode fazer diferença tanto para a proteção individual quanto para a saúde de toda a comunidade.
O Calendário Nacional de Vacinação, definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, prevê imunizantes desde os primeiros dias de vida até a terceira idade. Na infância, estão entre as vacinas previstas BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócica, meningocócica, febre amarela, tríplice viral, varicela e hepatite A, além dos respectivos reforços.
Na adolescência, a atenção deve continuar. É o momento de completar esquemas vacinais, como o HPV, além de manter atualizadas as doses iniciadas na infância. Já os adultos, gestantes e terceira idade também possuem doses específicas para cada fase da vida. “O calendário completo, com idades e intervalos exatos, está sempre disponível no site do Ministério da Saúde e pode ser consultado em qualquer UBS”, explica Carol.
Segundo ela, algumas vacinas precisam de reforços porque a proteção diminui com o tempo, enquanto outras foram incorporadas ao calendário depois que parte da população adulta já havia passado da faixa etária inicialmente indicada. “A vacinação é um cuidado contínuo, não algo que se encerra na infância”, destaca.
Entre as vacinas que mais costumam ser esquecidas pelos adultos, segundo Carol, estão o reforço contra difteria e tétano (dT), a tríplice viral, a hepatite B e a febre amarela. A influenza também exige atenção, especialmente entre os grupos prioritários. Para quem está com alguma dose atrasada, a orientação é procurar uma UBS para atualizar a vacinação. “Um esquema vacinal incompleto não precisa ser reiniciado do zero. A pessoa retoma de onde parou, completando apenas as doses que faltam, respeitando os intervalos mínimos entre elas”, orienta.
Para quem perdeu a carteira de vacinação ou não sabe quais doses já recebeu, o primeiro passo é procurar a UBS mais próxima. De acordo com Carol, a unidade pode consultar o histórico vacinalregistrado no Sistema Único de Saúde (SUS) ou, quando não houver registros disponíveis, avaliar quais imunizantes são necessários de acordo com a idade e o histórico de cada pessoa.
Além de proteger individualmente, manter a vacinação em dia também contribui para reduzir a circulação de vírus e bactérias na comunidade. Quando um número elevado de pessoas está protegido, a chamada imunidade coletiva ajuda a proteger também quem não pode ser vacinado ou quem pode não responder adequadamente à imunização, como pessoas imunossuprimidas ou com determinadas condições de saúde. “É por isso que a vacinação não é só uma decisão individual. Cada pessoa vacinada reduz a chance de o vírus ou a bactéria chegar até alguém que não tem como se proteger sozinho”, ressalta Carol.
O sarampo é um exemplo atual de como a manutenção da cobertura vacinal continua sendo necessária mesmo quando uma doença parece estar controlada. O Brasil recebeu, em 2016, o certificado internacional de eliminação do sarampo. Isso significa que o vírus deixou de circular localmente, mas não que o risco acabou, já que o vírus continua circulando em outros países e pode ser reintroduzido por meio de viajantes.
“Mesmo com coberturas vacinais próximas de 90%, a intensa mobilidade populacional e o fluxo internacional de viajantes na região do estado de São Paulo facilitaram a importação e a circulação do vírus em municípios como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Isso mostra bem por que baixar a guarda nunca é seguro. O sarampo é uma das doenças mais transmissíveis que existem, e uma pequena queda na cobertura vacinal já é suficiente para abrir espaço para um surto”, afirma a coordenadora.
Por isso, Carol destaca que vacinas como a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, devem receber uma atenção especial. “Além do surto em andamento em São Paulo, a cobertura vacinal nacional para essa vacina segue abaixo da meta de 95% necessária para garantir a proteção coletiva. Em 2025, apenas a BCG e a vacina de hepatite B ao nascer atingiram essa meta no país, enquanto tríplice viral, pentavalente, pneumocócica e meningocócica C ficaram abaixo do recomendado”, conta.
Ela finaliza com um alerta: “A história recente mostra o que a vacinação é capaz de fazer: erradicou a varíola no mundo, eliminou a poliomielite e o sarampo do Brasil por anos, e reduziu drasticamente mortes por doenças que já mataram milhões. Vacinar-se é também um gesto de cuidado com quem está ao seu redor, especialmente com quem não pode se proteger sozinho”.