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  • Anticoncepcional: 5 dúvidas que as mulheres ainda têm sobre o método

    Ginecologista Loreta Canivilo explica o que é mito, o que é verdade e quais fatores devem ser considerados antes de escolher um método contraceptivo

    Embora os anticoncepcionais façam parte da rotina de milhões de mulheres, ainda existem dúvidas sobre seus efeitos, riscos e a melhor forma de utilização. Questões como ganho de peso, pausa da pílula, fertilidade após o uso e diferenças entre os métodos são frequentes nos consultórios. Para ajudar a esclarecer essas questões, a ginecologista Loreta Canivilo explica cinco dúvidas comuns sobre contracepção.

    1. Anticoncepcional sempre causa ganho de peso?

    O possível impacto do anticoncepcional sobre o peso é uma das principais preocupações das mulheres. Segundo Loreta Canivilo, porém, não é correto afirmar que todos os métodos hormonais provocam ganho de peso.

    “Cada organismo responde de uma maneira. Alterações de peso podem estar relacionadas a diversos fatores, como alimentação, retenção de líquidos, metabolismo, idade e estilo de vida. Por isso, não podemos atribuir automaticamente qualquer aumento de peso ao anticoncepcional”, explica a ginecologista.

    A avaliação individual é importante para identificar qual método apresenta melhor relação entre benefícios, efeitos adversos e necessidades de cada paciente.

    1. É preciso fazer pausas no uso da pílula?

    Outra dúvida recorrente é se a mulher precisa interromper periodicamente o anticoncepcional para “descansar o organismo”. De acordo com a especialista, essa pausa não deve ser feita por conta própria.

    “Não existe uma recomendação geral de que toda mulher precise interromper o uso do anticoncepcional para o organismo descansar. A necessidade de pausa ou troca do método deve ser avaliada individualmente, considerando o histórico de saúde e o tipo de anticoncepcional utilizado”, afirma Loreta.

    A interrupção inadequada também pode reduzir a proteção contraceptiva, especialmente quando a mulher retoma o método sem orientação sobre quando estará novamente protegida.

    1. O uso prolongado do anticoncepcional pode causar infertilidade?

    O receio de que o uso contínuo de anticoncepcionais provoque infertilidade também é comum. A especialista esclarece que a ação contraceptiva dos métodos hormonais é, em geral, reversível.

    “O anticoncepcional atua justamente para evitar a ovulação ou dificultar a fecundação durante o período de uso. Isso não significa que ele provoque infertilidade permanente. Depois da suspensão, o tempo de retorno da fertilidade varia de acordo com o método e com as características individuais da mulher”, explica a ginecologista Canivilo.

    Por isso, a ausência de gravidez após a interrupção do método não deve ser automaticamente atribuída ao anticoncepcional. Outros fatores relacionados à saúde reprodutiva do casal precisam ser considerados.

    1. Todo anticoncepcional hormonal é igual?

    Pílula, adesivo, anel vaginal, implante, injeções e dispositivos intrauterinos hormonais são métodos diferentes e apresentam características próprias. A escolha não deve considerar apenas a praticidade ou a preferência pessoal.

    “Existem diferentes tipos de hormônios, doses, vias de administração e formas de uso. Além da eficácia contraceptiva, precisamos avaliar o histórico clínico, a idade, os fatores de risco, os medicamentos utilizados e os objetivos daquela mulher”, destaca Loreta.

    A avaliação médica é especialmente importante para mulheres com determinadas condições de saúde ou fatores de risco, que podem exigir cuidados específicos na escolha do método.

    1. Esquecer uma pílula significa perder a proteção?

    A resposta depende do tipo de pílula, de quantos comprimidos foram esquecidos e do momento da cartela em que isso aconteceu. Por isso, não existe uma única orientação que sirva para todos os casos.

    “O que fazer diante de um esquecimento depende do anticoncepcional utilizado e do número de comprimidos que deixaram de ser tomados. A mulher deve consultar a bula do medicamento e, quando houver dúvida, procurar orientação médica. Em algumas situações, pode ser necessário utilizar um método adicional de proteção”, orienta a ginecologista Loreta Canivilo.

    Além da prevenção da gravidez, é importante lembrar que os anticoncepcionais não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O preservativo continua sendo uma ferramenta fundamental para essa finalidade.

    Escolha do método deve ser individualizada

    A decisão por um anticoncepcional considerado “ideal” deve ser individual e levar em conta o histórico de saúde, rotina, preferências, planos reprodutivos e possíveis contraindicações.

    “Contracepção não deve ser uma escolha baseada apenas em relatos de amigas ou informações encontradas nas redes sociais. O que funciona bem para uma mulher pode não ser a melhor opção para outra. Uma consulta ginecológica permite avaliar as alternativas de forma individualizada e segura”, conclui Loreta Canivilo.

  • Pílulas anticoncepcionais: como saber qual a mais segura para mim?

    Pílulas anticoncepcionais: como saber qual a mais segura para mim?

    Ginecologista explica as diferentes composições das pílulas

     O uso de métodos contraceptivos evoluiu muito ao longo dos anos. Por volta da década de 60, a população brasileira teve acesso aos primeiros contraceptivos orais e dispositivos intrauterinos¹ que, na época, além do alto custo, não contavam com a segurança e tecnologia aplicada nas moléculas atuais.

    No período de 20 anos, entre 1986 e 2006, o uso de métodos contraceptivos feito por mulheres de 15 a 49 anos passou de 66,2%² para 80,6%³, além da evolução na segurança e variedade destes métodos.

    Hoje, há no mercado farmacêutico uma ampla gama de métodos – como os orais, dispositivos intrauterinos, anéis vaginais, implantes subdérmicos, adesivos cutâneos e os preservativos femininos e masculinos – e, entre os contraceptivos orais, há também diferentes composições e combinações hormonais.

    Ao escolher um método contraceptivo, a segurança e eficácia são um dos principais fatores na hora de se prevenir de uma gravidez indesejada e a contracepção oral está entre as opções mais seguras disponibilizadas no mundo entre os métodos reversíveis quando utilizadas corretamente, ofertadas em diversas composições4.

    Pílulas combinadas

    Os contraceptivos orais combinados são compostos pela união de um progestagênio, que bloqueia a ovulação e um estrogênio, que controla o ciclo menstrual, podendo ser monofásicos, bifásicos ou trifásicos, dependendo da dose de hormônios em cada comprimido5.

    O estrogênio, hormônio presente nas pílulas combinadas, pode ser associado à variados efeitos colaterais, sendo o mais preocupante deles o maior risco de eventos vasculares6. Assim, há contraindicações para seu uso, sejam elas relativas ou absolutas, como pacientes com históricos anteriores de trombose, enxaquecas com aura, hipertensão, fumantes e mulheres com mais de 35 anos.

    Contraceptivos orais de progestagênio isolado

    Este método contraceptivo é composto apenas por um progestagênio4, como a drospirenona isolada, podendo proporcionar benefícios como a segurança vascular para a saúde das mulheres graças à ausência do estrogênio.

    Com a presença somente do progestagênio, além da redução destas reações adversas, os contraceptivos orais isolados mantêm a eficácia dos combinados, com efetividade de 99,5% quando seu uso contínuo é feito de maneira correta7.

    “Os contraceptivos com drospirenona isolada, por exemplo, são uma inovação na área da saúde feminina mundial e brasileira que ajudam a proporcionar uma melhor qualidade de “vida contraceptiva” para as pacientes. Isso porque a mulher, ao iniciar o uso do progestagênio isolado na contracepção, apresentará menor exposição hormonal e, principalmente, estaremos ajudando a diminuir riscos metabólicos e vasculares, incluindo o risco de trombose”, explica Dr. Márcio de Queiroz Elias, Médico Ginecologista CRM 82558/SP.

    Este novo método contraceptivo é apresentado pela Mantecorp Farmasa pelo nome de Ammy®, um contraceptivo composto por drospirenona isolada na concentração de 4mg que tem propriedades antiandrogênicas e antimineralocorticóides leves, podendo ser utilizado, com importante segurança contraceptiva, por adolescentes a partir dos 16 anos e lactantes 21 dias após o parto8, 10. Ammy® também não tem atividade estrogênica, glicocorticóide e antiglicocorticóide, fornecendo à drospirenona um perfil farmacológico muito próximo ao hormônio natural progesterona.

    Além disso, o uso da drospirenona isolada é considerado adequado para muitos perfis de pacientes, incluindo pacientes de risco (obesidade, tabagismo, hipertensão) e maiores de 35 anos, possibilidade adquirida pela exclusão do estrogênio9, 11.

    Qual o melhor método para mim?

    É comum, ao buscar um método contraceptivo, que as principais recomendações venham de amigas e familiares. Porém, ainda que seja um medicamento que funcione para a pessoa que indicou, é sempre necessária a visita a um médico de confiança.

    “Os métodos contraceptivos são designados para a paciente de acordo com os resultados de seus exames solicitados pelo médico. Por estarmos tratando de diferentes corpos, níveis de hormônios, idades, proporções corporais, é importante que o profissional médico avalie as necessidades da paciente e entenda os riscos que o método pode trazer e as expectativas da paciente, como por exemplo a melhora da dismenorréia e oleosidade da pele, por exemplo.”, comenta o Dr. Márcio Elias Médico Ginecologista CRM 82558/SP.

    Além disso, a eficácia dos contraceptivos também depende da ingestão correta, respeitando os horários e outras recomendações de acordo com a bula do produto. É importante também, com ou sem uso de métodos contraceptivos, consultar-se frequentemente com seu ginecologista de confiança.

    DIZERES LEGAIS

    AMMY® – drospirenona 4mg. Comprimido revestido. MS 1.7817.0918. VIA DE ADMINISTRAÇÃO: ORAL. USO ADULTO E PEDIÁTRICO ACIMA DE 16 ANOS. INDICAÇÕES: contracepção hormonal oral.CONTRAINDICAÇÕES: transtorno tromboembólico venoso ativo; doenças arteriais e cardiovasculares, passadas ou presentes; diabetes Mellitus com envolvimento vascular; presença ou história de doença hepática grave enquanto os valores da função hepática não tenham voltado ao normal; insuficiência renal grave ou insuficiência renal aguda; insuficiência adrenal; malignidades sensíveis ou suspeitas a esteroides sexuais; sangramento vaginal não diagnosticado antes do tratamento; hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES: a drospirenona é um antagonista da aldosterona com propriedades poupadoras de potássio. O tratamento deve ser interrompido imediatamente se houver sintomas de um evento trombótico arterial ou venoso ou suspeita do mesmo e a descontinuação de Ammy® deve ser considerada em caso de imobilização prolongada devido a cirurgia ou doença. O tratamento com Ammy® leva à diminuição dos níveis séricos de estradiol, para um nível correspondente à fase folicular precoce. Pacientes diabéticos devem ser cuidadosamente observados durante os primeiros meses de uso. As mulheres devem ser aconselhadas a contactar o seu médico em caso de alterações do humor e sintomas depressivos, incluindo logo após o início do tratamento. Se ocorrer hipertensão sustentada durante o uso de Ammy®, ou se um aumento significativo da pressão arterial não responder adequadamente à terapia anti-hipertensiva, a interrupção de Ammy® deve ser considerada. Mulheres com tendência ao melasma devem evitar a exposição ao sol ou à radiação ultravioleta enquGravidez -Categoria X. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas ou que possam ficar grávidas durante o tratamento. Ammy® é contraindicado antes da menarca. Ammy® é indicado apenas para mulheres em idade fértil. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: hidantoínas, barbitúricos, primidona, carbamazepina, rifampicina, bosentana e medicamentos para tratar HIV e, possivelmente, também oxcarbazepina, topiramato, rifabutina, felbamato, griseofulvina e produtos contendo Erva de São João. REAÇÕES ADVERSAS: Comum (>1/100 e < 1/10): aumento de peso, dor de cabeça, diminuição da libido, náuseas, acne, dor na mama, mastalgia, hemorragia vaginal, dismenorreia, menstruação irregular. POSOLOGIA: um comprimido revestido deve ser tomado diariamente durante 28 dias consecutivos, um comprimido revestido branco ativo por dia durante os primeiros 24 dias e um comprimido revestido verde inativo diariamente durante os 4 dias seguintes. O primeiro comprimido revestido do tratamento deve ser tomado no primeiro dia do sangramento menstrual. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. MB01/22. Agosto/2024.

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  • Quando devo trocar meu anticoncepcional?

    Médico lista seis sinais de alerta para a mudança do método contraceptivo

    Para evitar uma gravidez não planejada, o uso de um método contraceptivo é fundamental. Com as diversas opções disponíveis atualmente, muitas mulheres ficam em dúvida se em algum momento precisam trocar de anticoncepcional e quando essa mudança deveria ocorrer. “Ao indicarmos o uso de um método contraceptivo, sempre buscamos aquele que seja de grande eficácia e que interfira o menos possível na vida da paciente ou que proporcione até melhoras em sua qualidade de vida. No caso de mulheres em uso de contraceptivo hormonal, sua troca deve acontecer caso a paciente desenvolva alguma nova condição clínica ou entre em alguma fase da vida que contraindique o uso do contraceptivo que está em uso”, explica o médico ginecologista e obstetra, Rodrigo Dias Nunes, Doutor em Ciências da Saúde.

    De acordo com o especialista, é importante que a mulher participe do processo de escolha do método contraceptivo junto ao seu ginecologista para que ela entenda quais são os benefícios e os eventos adversos esperados para o método escolhido. “Não necessariamente o que serve para uma mulher serve para outra. Por esse motivo, a individualização da contracepção é extremamente importante. A função do ginecologista ou do clínico é fornecer o leque de opções, permitindo a participação da paciente nesse processo de escolha. Se necessário, a mulher pode optar por um método temporário para conhecê-lo e permitir sua adaptação para, posteriormente, optar por uma escolha mais definitiva”, afirma.

    A troca do método contraceptivo não é prejudicial à saúde, porém precisa ser orientada e realizada da maneira adequada, obedecendo o tempo de adaptação para cada método, o momento da troca e a forma adequada de uso. Segundo Dr. Nunes, se uma paciente muda de método contraceptivo a cada 30 dias, período que a grande maioria dos métodos ainda não alcançou sua eficácia plena, ela nunca estará protegida, correndo o risco de uma gravidez não planejada. “Por outro lado, se a paciente não utiliza um determinado método corretamente, independentemente do seu tempo de uso, a troca se faz necessária, uma vez que existe o risco de engravidar. Para estes casos, em que há dificuldade da utilização ou intolerância a algum determinado contraceptivo, recomenda-se os métodos de longa duração, que não requerem a participação constante ou mesmo diária da paciente, tendo sua utilização adequada por não sofrer a interferência em sua eficácia”, comenta o médico, que aponta uma tendência de crescimento mundial para a utilização dos métodos contraceptivos de longa duração.

    Com o objetivo de ajudar as mulheres a entender quando devem considerar a troca do método contraceptivo, o Dr. Rodrigo Nunes, a pedido da farmacêutica Organon, especializada em saúde feminina, fez uma lista dos principais sinais de alerta que devem ser avaliados para esta decisão. São eles:

    Uso incorreto do método

    O uso incorreto do método contraceptivo pode levar à redução de sua eficácia e/ou aumentar o risco de eventos adversos, principalmente nos padrões irregulares de sangramento. Os contraceptivos orais possuem dias e horários adequados para uso; já as trocas de um adesivo ou de um anel vaginal, por exemplo, são programadas baseadas na dose que é liberada no organismo da paciente. Quando a paciente esquece ou não toma ou não faz a troca no período adequado, é o momento de ela considerar outro método contraceptivo que se adeque melhor ao seu ritmo de vida.

    Não se adaptar ao método

    Outra situação comum é a intolerância da paciente a determinados sintomas e eventos adversos dos contraceptivos. Entre eles: sangramento irregular, cefaleia, alterações fisiológicas na pele, no cabelo, ganho de peso e retenção de líquido corporal. De forma geral, o número mágico para a adaptação ao método contraceptivo seria em três meses de uso. Normalmente, o padrão de sangramento melhora após esse período e outros eventos, por possuírem um caráter transitório, também desaparecem. Havendo a persistência de sintomas associados ao método contraceptivo em uso, deve ser considerada sua troca.

    Amamentação

    Nenhuma paciente amamentando pode usar métodos que contenham estrogênio, que é um dos hormônios presente em alguns métodos contraceptivos hormonais. Existem outros métodos que são específicos para lactantes ou que também podem ser usados em mulheres que estejam amamentando, por evitarem a passagem de uma medicação inadequada pelo leite, que seja imprópria para o bebê, ou mesmo que possa inibir a produção de leite.

    Idade 

    Atualmente, a paciente pode usar um método contraceptivo até entrar na menopausa. Só que a partir de algumas idades, alguns cuidados devem ser seguidos e avaliados. A partir dos 40 anos, existem contraceptivos que são menos prejudiciais, com risco menor de fenômenos tromboembólicos. Abaixo de 35 anos, se a paciente não é tabagista, ela tem liberação para qualquer anticoncepcional, caso não tenha outra comorbidade. Já a paciente tabagista com mais de 35 anos tem uma restrição para o uso de algumas categorias. Caso a mulher utilize mais do que 15 cigarros por dia, essa restrição se torna ainda maior devido, novamente, ao risco crescente de fenômenos tromboembólicos.

    Doenças crônicas

    Em relação às doenças crônicas, não existe uma proibição, mas sim uma restrição para a utilização de alguns métodos contraceptivos hormonais, como pacientes com diabetes com vasculopatia ou com hipertensão arterial. Para todas as comorbidades existem métodos alternativos. Apenas pacientes com câncer, como o de mama e o de endométrio, é que possuem contraindicação absoluta para o uso de métodos hormonais.

    Uso de medicações

    Existem algumas medicações que diminuem a eficácia de alguns métodos contraceptivos hormonais. Então durante o uso dessa medicação, se for por um período curto, a paciente não precisaria trocar o seu método, mas ela deveria utilizar um método de barreira acessório, como a camisinha masculina ou feminina. Mas se a medicação for necessária por uso prolongado, recomenda-se a troca do método contraceptivo hormonal para algum que não seja influenciado pela medicação em questão. Existem, ainda, medicações que podem sofrer a diminuição do seu efeito com o uso do contraceptivo. Nesse caso a preocupação é contrária, pois o efeito esperado da medicação em uso pode não ocorrer.

    “Por todos esses motivos, a contracepção é considerada um capítulo especial da história da ginecologia, sendo necessária a identificação do perfil e desejo de cada paciente, permitir sua participação na escolha do método e acompanhar com atenção, respeito e paciência a utilização do método escolhido. Felizmente, as mulheres possuem inúmeras opções e definir qual delas melhor se adeque a cada paciente é uma complexa ciência e uma desafiante arte de cuidar”, finaliza o médico.

  • Conheça os diferentes métodos anticoncepcionais

    Anticoncepcional: conheça os diferentes métodos e saiba qual a melhor opção para você

    Não existe o melhor método ou o mais eficiente, existem métodos que melhor se adequam de acordo com as necessidades e condições clínicas de cada mulher

    A escolha do método anticoncepcional é tão importante que deve ser feita com muita atenção, avaliando prós e contras. Não basta seguir a indicação da melhor amiga ou seguir no mesmo método que vem funcionando há décadas… atualmente, há diferentes opções no mercado, cada qual com as suas indicações. Mais do que isso, muitos deles agregam benefícios que vão muito além de evitar uma gravidez, que vale a pena que sejam considerados no momento da escolha.

    Um alerta importante do Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista e obstetra, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e médico colaborador de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, são as contraindicações.

    “Muitos métodos não são indicados para todos os casos. Outros, não serão seguros ou não oferecerão proteção contra uma gravidez indesejada se não utilizados corretamente”.

    Por este motivo, é sempre muito importante que esta escolha seja realizada com a orientação e acompanhamento de um médico ginecologista. Ele avaliará diversos aspectos da saúde da mulher, hábitos de vida e outras variáveis que fazem muita diferença na escolha do método, como a idade, a existência de doenças crônicas e até mesmo o histórico familiar para algumas condições de saúde importantes.

    Atenção: lactantes não podem fazer uso de qualquer anticoncepcional. Há métodos específicos para estes casos, que não oferecem riscos ao bebê e nem prejudicam a amamentação.

    DEFINITIVOS OU REVERSÍVEIS

    Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados de várias maneiras, mas todos eles podem ser divididos em dois grupos principais: os definitivos e os reversíveis, explica o Dr. Alexandre.

    “Como o próprio nome diz, os definitivos devem ser a opção das mulheres ou casais que não desejam mais ter filhos, pois são métodos cirúrgicos, realizados em pelo menos um dos parceiros”.

    Entre os métodos reversíveis, estão os de barreira, como a camisinha, os dispositivos intrauterinos (DIU), os hormonais e os de emergência.

    Confira, a seguir, um pouco mais sobre cada um deles, indicações e outras informações importantes.

    ANTICONCEPCIONAIS HORMONAIS ORAIS – A PÍLULA

    Os anticoncepcionais hormonais orais, também chamados de pílulas anticoncepcionais, podem ser utilizados isoladamente ou em associação com outros métodos, como a camisinha, com a finalidade principal de impedir a concepção.

    São compostos por hormônios sintéticos, semelhantes aos produzidos pelos ovários da mulher, inibindo a ovulação e provocando alterações no endométrio e no muco cervical.

    Podem ser divididos entre combinados ou minipílulas. Os combinados são compostos de estrogênio e progestogênio, enquanto as minipílulas são constituídas apenas por progestogênio.

    No caso dos combinados, afirma o médico ginecologista, há variação com relação às doses e proporção entre os componentes.

    “São métodos muito eficazes, se usados corretamente. No entanto, precisam ser muito bem indicados e tomados da maneira correta. Em caso de uso incorreto, esquecimento ou dúvidas, o ideal é que seja combinado com a camisinha e um médico seja consultado para orientações”.

    A orientação médica deve incluir respostas para as seguintes questões:

    • o que fazer caso esqueça de tomar um dia?

    • e se eu não menstruar no intervalo entre as cartelas?

    • é preciso tomar o medicamento sempre no mesmo horário?

    • em caso de vômito ou diarreia, a eficácia fica comprometida?

    • é possível que outros medicamentos reduzam a eficácia do anticoncepcional, ou vice-versa?

    INJETÁVEIS

    Segundo o Dr. Alexandre Rossi, o anticoncepcional hormonal injetável inibe a ovulação e aumenta a viscosidade do muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozóides.

    “As aplicações são realizadas a cada três meses e o retorno à fertilidade, dependendo dos hormônios presentes na composição do anticoncepcional, podem levar até quatro meses após o término do efeito da última injeção”.

    Em geral, as mulheres que utilizam este método relatam a ausência de menstruação durante a vigência do efeito ou, em alguns casos, observam apenas pequenos sangramentos irregulares. Podem, no entanto, ocorrer efeitos colaterais, como aumento de peso, dores de cabeça e alterações de humor.

    DIU

    O DIU – dispositivo intrauterino é um artefato de polietileno, inserido na cavidade uterina com a função contraceptiva. Seja ele de cobre ou hormonal, o DIU impede a fecundação dificultando a chegada do espermatozóide no trato reprodutivo feminino, reduzindo a chance de fertilização do óvulo.

    O método é bastante seguro, avalia o especialista, que revela os diversos benefícios agregados, além da contracepção: “é extremamente prático, podendo ter durabilidade de até 10 anos, dependendo do tipo. Após a remoção, as concentrações de cobre e de levonorgestrel, no caso do DIU hormonal, no trato genital superior caem rapidamente e a recuperação da fertilidade é imediata”.

    A colocação do DIU pode ser feita em consultório ou em ambiente hospitalar, conforme a necessidade da paciente. Para início do uso, em geral, é aconselhável que a colocação seja realizada durante o período menstrual, descartando a gravidez e facilitando a inserção pela dilatação do canal cervical, especialmente quando a colocação é feita em consultório, sem analgesia.

    O DIU também pode ser colocado logo após o parto, aborto ou imediatamente após a troca de método anticoncepcional.

    DIU hormonal ou DIU de cobre?

    A indicação do tipo de DIU deve levar em consideração diversos fatores, como idade, histórico de saúde, características do ciclo menstrual da mulher e outras questões de saúde, que podem ser afetadas com a utilização do dispositivo.

    No caso do DIU de cobre, é comum que haja alteração no ciclo menstrual, especialmente nos primeiros meses, como aumento do volume do fluxo e surgimento de cólicas.

    O DIU hormonal é hoje comercializado em dois tamanhos, liberando diferentes doses do hormônio levonorgestrel (progesterona). O menor deles é indicado para mulheres com útero pequeno ou que nunca tiveram filhos, bem como para aquelas que apresentam mais sensibilidade à ação da progesterona. Em ambos os casos, são raros os efeitos colaterais e queixas que levem à retirada antecipada dos dispositivos.

    Após a colocação, em poucos meses poderá haver pequenos sangramentos irregulares ou até a ausência de menstruação. Mulheres que costumam sofrer com cólicas regulares geralmente são beneficiadas com queixas reduzidas ou até mesmo o fim destes sintomas.

    MÉTODOS DEFINITIVOS

    A esterilização é um método contraceptivo cirúrgico, que pode ser realizado na mulher, por meio da ligadura das trompas (laqueadura ou ligadura tubária), ou no homem, através da ligadura dos canais deferentes (vasectomia), explica o Dr. Alexandre Rossi.

    Na mulher, a fecundação é evitada pela obstrução das trompas, que impede o encontro dos gametas. Já a vasectomia, elimina a presença de espermatozóides no ejaculado.

    A eficácia dos dois métodos é alta, com taxas de falha baixíssimas, quando tomadas todas as precauções e realizados todos os exames pós-cirúrgicos corretamente, especialmente no caso da vasectomia.

    “Ambos os métodos, conforme as técnicas utilizadas e condições de saúde dos pacientes, podem ser revertidos. Mas o sucesso dos procedimentos e a possibilidade de sucesso em uma gestação após a reversão é baixo”, alerta o médico.

    No caso da recanalização tubária, apenas 50% das mulheres submetidas a laqueadura tubária apresentam condições técnicas para recanalização. Destas, apenas uma pequena parcela terá êxito em uma gestação. Por este motivo, a cirurgia para esterilização deve ser considerada definitiva, exigindo uma avaliação cuidadosa antes de sua realização.

    ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA

    A anticoncepção de emergência, mais conhecida como pílula do dia seguinte, é o uso alternativo do anticoncepcional hormonal oral para evitar uma gravidez.

    Ele deve ser tomado antes de completar 72 horas da relação sexual desprotegida. No entanto, quanto mais precocemente tomado, maior será a proteção.

    Vale destacar que a pílula do dia seguinte não terá qualquer efeito caso a implantação já tenha se completado, ou seja, uma gravidez já em andamento não será interrompida.

    Atenção!

    Por ser constituído de altas doses de hormônios, o método não deve ser utilizado de rotina, mas apenas em situações de emergência. É importante, portanto, que seu uso seja feito de acordo com as orientações médicas e as instruções da bula, seguindo corretamente a maneira adequada de utilizar as pílulas.

    Após utilizar a anticoncepção de emergência, é importante procurar um médico ginecologista para a eventual realização de exames e orientações para a adoção de um método anticoncepcional de rotina.

  • Hábitos comuns que interferem na pílula anticoncepcional

    A pílula anticoncepcional é um dos métodos aliados das mulheres com vida sexual ativa que desejam evitar a gravidez. O que nem todas sabem é que alguns hábitos, relativos a horários e à ingestão inadequada, interferem na eficácia do medicamento. A ginecologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Maria Luisa Mendes Nazar, solucionou algumas das principais dúvidas sobre o tema:

    1. Não tomar a pílula anticoncepcional no mesmo horário diminui a eficiência do remédio?

    A resposta é sim. Segundo a ginecologista, ingerir o medicamento no mesmo período é o ideal e garante maior eficiência, seja ele via oral ou injetável. No caso da pílula, que é diária, recomenda-se escolher um horário com menor possibilidade de esquecimento. A médica, no entanto, tranquiliza. “Quando alertamos sobre atrasos, não nos referimos a minutos, mas sim a um período inteiro, após 3h do horário”, explica. Nesses casos, o ideal é fazer uso de outros métodos contraceptivos, como a camisinha para evitar qualquer risco de engravidar.

    1. É preciso ingerir o comprimido com água ou outro líquido?

    A recomendação é tomar o remédio sempre com auxílio de água ou qualquer outro líquido que não seja alcoólico. A dica, como explica a Maria Luisa, é importante por ajudar na condução do comprimido até o estômago, evitando qualquer parada inesperada no esôfago, por exemplo. “Caso a paciente tenha uma boa salivação e consiga deglutir sem nenhum problema, não há contraindicação. Mas aconselhamos a assistência da água para que a pílula chegue tranquilamente ao estômago”, explica a ginecologista.

    1. Vômitos e diarreia atrapalham a absorção do anticoncepcional?

    Nestes casos, segundo a médica, é preciso cautela. Os vômitos são preocupantes em alguns cenários, principalmente quando ocorrem em até quatro horas da ingestão do comprimido. Isso porque é este o tempo médio que a pílula demora a chegar ao estômago, portanto, aumenta as chances de não absorção correta.

    A segunda situação que merece atenção é a de pacientes com bulimia, gastrite, intolerância no tubo digestivo e mulheres que fizeram cirurgia bariátrica. Para estas pessoas, por conta do histórico clínico, é preciso uma análise do caso para a escolha do método mais adequado e eficaz. Já no caso de diarreia, a ginecologista não vê perigo. “O comprimido primeiro chega ao estômago, cai na corrente sanguínea e vai até o fígado para ser metabolizado. Por isso, a diarreia não é uma ameaça ao efeito da pílula”, lembra.

    1. Qual o melhor método anticoncepcional?

    Não é possível afirmar de forma geral qual é o melhor, destaca Maria Luisa. A orientação é sempre consultar-se com o especialista a fim de definir a opção mais vantajosa para a realidade de cada paciente.

  • 15 Mitos e Verdades sobre o Anticoncepcional

    A camisinha é a solução mais eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Mas para as mulheres que buscam se proteger, além das doenças, de uma gravidez indesejada, o método deve ser conciliado ao uso de outros anticoncepcionais.

    Os contraceptivos orais acompanham as mulheres desde a década de 60, quando se estabeleceu o início da revolução sexual e social feminina. Mais de 50 anos depois, as pílulas continuam sendo o método contraceptivo mais procurado no mercado mesmo com todas as lendas a cerca da ingestão do medicamento.

    Para sanar de vez as dúvidas que nem sempre estão nas bulas, o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli, disponibilizou um questionário com 15 perguntas e respostas sobre o método contraceptivo.

    1-      A pílula anticoncepcional pode acabar com o desejo sexual das mulheres?

    Mito e verdade: O questionamento que as mulheres mais fazem aos ginecologistas é sobre a perda de libido. Não há qualquer relação entre o uso desse contraceptivo com a perda do apetite sexual, porém eventualmente se houver interferência do anticoncepcional na concentração do hormônio testosterona, poderá haver uma diminuição, mas não a perda da libido.

    2-      O anticoncepcional promove o aumento de peso?

    Mito: Os hormônios contidos nas pílulas devem ser dosados e indicados pelo ginecologista para não sobrecarregar a contagem de hormônios. Mas em geral não há indícios de que o efeito seja relacionado ao aumento do peso. O que pode ocorrer é uma retenção de líquidos maior levando a um inchaço, dependendo do hormônio que for utilizado, porem o que não é relacionado com o aumento de células de gordura. O único segredo para não ganhar quilos é praticar exercícios e ter uma alimentação saudável.

    3-      A pílula causa câncer?

    Mito e verdade: As pesquisas realizadas na área são incontestáveis, o uso da pílula não está associado ao surgimento de cânceres, porém podem aumentar a probabilidade de tê-los em alguns casos. O efeito muitas vezes é até contrário, onde o contraceptivo oral auxilia na prevenção de câncer como os de endométrio e ovários. Porém, as pílulas combinadas que contem estrogênio, aumentam a probabilidade de câncer de mama em pacientes com histórico pessoal ou familiar deste câncer.

    4-      A infertilidade pode ser causada pelo uso contínuo do anticoncepcional?

    Mito: As mulheres que tomam a pílula por um longo período de tempo podem demorar um pouco mais do que as mulheres que não fazem o uso do medicamento para voltarem a engravidar. Isso se dá, pois, uma parte dos hormônios pode ficar acumulado em células de gordura e continuarem a ser liberados mesmo após a parada de toma-los. A pílula é reversível e não causa danos à saúde da mulher.

    5-      Posso não fazer intervalos entre todas as cartelas para não menstruar?

    Verdade: Apesar de o sangue da menstruação ser uma maneira do corpo feminino se livrar das impurezas do organismo, a pílula não perde sua eficácia se a opção for emendar as cartelas, desde que os intervalos sejam acompanhados pelos ginecologistas,

    6-      O cigarro prejudica a ação das pílulas?

    Verdade: O anticoncepcional continua sendo um método eficaz mesmo com o uso do cigarro. Mas combinação das substancias presentes no fumo e nas pílulas afetam o fígado bruscamente e aumentam as chances de doenças cardiovasculares e tromboses venosas. É altamente recomendada a não união da pílula e do cigarro.

    7-      O uso da pílula pode acarretar no aumento da acne?

    Mito e Verdade: O surgimento da acne está veiculado ao hormônio feminino, quando a pílula é somada ao excesso de hormônio feminino já encontrado naturalmente em algumas mulheres, podendo haver efeito indesejado. Quando as mulheres possuem maior taxa de hormônios masculinos no organismo, a pílula é equilibrador e auxilia no tratamento da acne.

    8-      O consumo de álcool pode fazer a pílula perder o efeito?

    Verdade: O álcool pode sim interferir na capacidade preventiva das pílulas anticoncepcionais. Tanto o álcool como os anticoncepcionais são metabolizados no fígado. O álcool pode inclusive aumentar as taxas de estradiol circulante, elevando seus efeitos colaterais como o aumento da probabilidade de se ter câncer de mama. Também o uso contínuo da bebida pode afetar a qualidade dos óvulos e dificultar uma gravidez posterior.

    9-      O anticoncepcional causa trombose?

    Mito: Não, desde que o uso seja livre da influência de cigarros e que a mulher não tenha outros fatores de risco para trombose. O cigarro unido à pílula é responsável por engrossar o sangue, complicar a circulação e causar as tromboses. Claro que toda paciente deve ser orientada sobre a possibilidade de investigar trombofilia antes de iniciar um método contraceptivo

    10-   A pílula altera o humor das mulheres?

    Verdade: A pílula pode melhorar o humor feminino porque age diretamente no controle das dores e dos sintomas nada sutis que vêm acompanhados da menstruação. O contraceptivo oral é um combatente da TPM.

    11-   A pílula causa celulite?

    Mito: As celulites são provenientes da genética, não há o que culpar. Converse com seu ginecologista sobre anticoncepcionais que retenham menos liquido no organismo, reporte ao médico inchaços, aumento de peso e qualquer alteração física para descartar possibilidades de efeitos colaterais.

    12-   Posso utilizar as pílulas do dia seguinte mesmo tomando o contraceptivo regularmente?

    Mito: Não, a combinação dos contraceptivos não aumenta a prevenção da gravidez, mas acarreta em problemas circulatórios e perda de libido causada pela alta dosagem hormonal dos medicamentos.

    13-   Posso tomar qualquer anticoncepcional disponível no mercado?

    Mito: Não, o ginecologista é o único capacitado para receitar o contraceptivo oral, pois há a necessidade de realizações de exames para descartar impossibilidades de usar o método. A dosagem hormonal também só pode ser indicada pelo médico para não ocasionar efeitos colaterais.

    14-   A pílula pode ser ingerida em horários distintos? 

    Mito: O anticoncepcional deve ser tomado em horário regular. O esquecimento contínuo deixa o corpo feminino sem a cobertura da ação preventiva da pílula facilitando a fertilização.

    15-   Preciso trocar a marca das pílulas de tempos em tempos?

    Mito: Se a mulher não tem efeitos desagradáveis com o uso continuo de uma só pílula, pode utilizar por tempo indeterminado uma marca e a eficácia não será comprometida.

  • Pílula anticoncepcional: um risco cardiovascular oculto

    Cardiologista do HCor alerta para o uso dos pequenos comprimidos sem orientação médica; pacientes cardiopatas, diabéticas, tabagistas, hipertensas ou obesas correm cinco vezes mais chances de sofrerem problemas cardíacos

    Usada por milhões de mulheres anos a fio, a pílula anticoncepcional é o medicamento mais estudado no mundo. Quem toma, muitas vezes, nem imagina que haja contraindicação para o uso. A combinação dos hormônios estrógeno e progestágeno, embora em níveis mais baixos, causam efeitos colaterais sérios nas mulheres, aumentando os riscos de sofrerem de doenças do coração e derrames cerebrais, em decorrência do endurecimento das artérias.

    Diversas pesquisas mostram que mulheres cardiopatas, hipertensas, tabagistas, diabéticas ou obesas, que consomem a pílula, possuem uma tendência maior a ter placas de gordura em suas artérias do que as que não tomam o medicamento. Com o uso a longo prazo, as taxas aumentam significativamente: de 20% a 30% por década de consumo. Isso ocorre porque o sangue entra em estado de hipercoagulabilidade, ou seja, fica mais espesso.

    As complicações, no entanto, podem ser fatais. “Os hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais favorecem a contração dos vasos sanguíneos e aceleram a formação de coágulos, comprometendo a circulação do sangue. Este é o típico quadro de arteriosclerose, que aumenta as chances do infarto ou derrame”, explica Dr. Abrão Cury, cardiologista e clínico geral do HCor.

    Para evitar os possíveis efeitos adversos, é importante procurar orientação de um profissional para que seja feita uma avaliação precisa da condição de saúde da paciente, para considerar possíveis fatores de risco e predisposição genética para algumas doenças. “O problema é que, em mais de 90% dos casos, as mulheres não sabem que possuem propensão a desenvolver algumas doenças cardiovasculares. O médico precisa de um diagnóstico preciso, antes de prescrever o tipo correto de anticoncepcional, sem oferecer riscos à paciente”, recomenda Dr. Cury.

    Fatores de risco

    Obesidade, tabagismo, pressão alta e diabetes são alguns dos principais fatores de risco que, associados ao uso de pílulas anticoncepcionais, aumentam as chances de AVC, infarto e trombose. Entenda o porquê e consulte um médico.

    Tabagismo: as substâncias do cigarro afetam as funções do sistema vascular arterial, favorecendo o acúmulo de gordura e colesterol nos vasos. Já os hormônios presentes nas pílulas favorecem a coagulação do sangue, elevando – e muito -, as chances de um AVC, infarto ou trombose.

    Hipertensão: o coração das mulheres hipertensas, normalmente, fica hipertrofiados. Isso ocorre devido ao grande esforço para bombear o sangue nas artérias que, com o tempo, perdem sua elasticidade, favorecendo o seu entupimento e o seu rompimento, levando a um quadro de AVC.

    Obesidade: o tecido adiposo em excesso produz mais de 15 substâncias que interferem no funcionamento do organismo como um todo, inclusive nos níveis hormonais.

    Diabetes: o excesso de hormônio presente nas pílulas dificulta a ação da insulina – hormônio responsável pela absorção de açúcar no organismo. As consequências vão de uma magreza excessiva à arteriosclerose.

    Fique atenta!

    Se você usa pílula, procure imediatamente um médico se:

    Aparecer ou agravar a dor de cabeça com sinais neurológicos;

    Tiver hemorragias;

    Sentir dor abdominal de causa indeterminada;

    Ocorrer alteração visual de aparecimento súbito;

    Houver dor e sensação de penso nos membros inferiores.

  • Como a pílula anticoncepcional pode mudar o corpo da mulher

    Desde que ela surgiu, na década de 50, a finalidade da pílula anticoncepcional era apenas preventiva da gravidez indesejada. Rica em hormônios, elas até poderiam ser as responsáveis pelo aumento de peso das mulheres. Hoje, ela já é considerada um dos métodos mais populares e eficazes com baixa dosagem hormonal, e o melhor, pode até ser considerada uma aliada nos tratamentos estéticos contra celulite, queda de cabelos e oleosidade da pele.

    Isso acontece porque os mesmos hormônios das pílulas que previnem a gravidez são quase iguais aos fabricados pelos ovários femininos. Esta semelhança química permite que estes tenham funções parecidas com os produzidos pelas mulheres, o que pode ajudar na beleza da pele, dos cabelos e até do corpo.

    Segundo Dr. Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra, a combinação entre a mulher e sua pílula precisa ser perfeita para que ela possa contribuir com a beleza. “Existem hormônios que variam de uma pílula para outra, por isso é tão importante que a mulher use o método que favoreça seu organismo e que combine com os seus hormônios naturais”, explica.

    A queda capilar feminina, por exemplo, tem muito a ver com o ciclo menstrual, por isso os usos destes anticonceptivos podem ajudar na redução na queda dos fios e até estabilizar a queda durante todo o mês. “Já as pílulas que contém drospirenona ou acetato de ciproterona na composição contribuem para a redução da oleosidade da pele, isso porque reduzem a produção das glândulas sebáceas, a grande responsável pela acne e pela oleosidade na raiz dos cabelos”, informa o ginecologista.

    O especialista ainda alerta para os principais componentes que podem ajudar a manter pele, corpo e cabelos desejáveis:

    ComponentesBenefícios
    CafeínaAjuda a eliminar os quilos a mais
    Zinco, ferro magnésio, vitaminas A,C e EPele, unhas e cabelos mais bonitos
    Ácido linoléicoContribui para diminuir a oleosidade

    “É claro que, é fundamental a orientação de um especialista para que os anticoncepcionais sejam prescritos e orientados pelo uso correto e pela melhor combinação de hormônios para cada organismo, ” finaliza Mantelli.

  • Oito dúvidas sobre métodos anticoncepcionais

    Especialista da Criogênesis esclarece os principais questionamentos das mulheres

    Segundo o relatório publicado pelo Departamento da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, Tendências do Uso de Métodos Anticoncepcionais no Mundo, 64% das mulheres em um relacionamento estável usam métodos anticoncepcionais. No Brasil, o público feminino que usou algum tipo de método contraceptivo chegou a 79% em 2015, contra cerca de 51% em 1970. “O uso de anticoncepcionais auxilia na prevenção de uma possível gravidez indesejada, ajuda a manter o ciclo menstrual regulado e proporciona alguns benefícios à saúde da mulher, por isso esse aumento durante os anos”, revela Renato de Oliveira, ginecologista e infertileuta da Criogênesis.

    Apesar de ser um assunto muito discutido, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas. Abaixo, o especialista separou as principais dúvidas dos métodos contraceptivos.

    1. Existe um método contraceptivo mais efetivo?

    Se pensarmos em relação a evitar gravidez e prevenir doenças sexualmente transmissíveis, o preservativo é uma boa opção. Se considerarmos apenas o fato de evitar gravidez, o anticoncepcional oral, combinado ou não, é uma excelente opção também para controle do ciclo e melhora da oleosidade da pele e acne. Os injetáveis propiciam a praticidade de aplicações mensais ou trimestrais; porém, a aversão às picadas pode ser um fator que diminua a adesão destas pacientes. Anel vaginal é um método efetivo, mas com resistência de muitas pacientes pela forma de uso. O adesivo também possui boa efetividade, no entanto, pode ocorrer uma perda desta se a mulher for obesa. Os dispositivos intrauterinos são rejeitados em uma pequena parcela das mulheres. Assim, antes de escolher o método, é necessário entender o propósito, a forma de uso do contraceptivo, além da adequação da paciente.

    1. Qual a importância da utilização de métodos contraceptivos?

    Além de prevenir a gravidez, o uso desses métodos ajuda a controlar o ciclo menstrual, além de aliviar a TPM e reduzir as cólicas e fluxo menstrual.

    1. O anticoncepcional pode falhar?

    Sim. Não existe nenhum método 100% e as chances de falhar aumentam se a mulher tiver náuseas e vômitos, diarreia, tomar bebida alcoólica, esquecer ou tomar fora do horário.

    1. Usar um contraceptivo por muito tempo pode levar à infertilidade?

    É muito importante frisar que os métodos hormonais não causam infertilidade. “A interrupção do método e o retorno dos ciclos menstruais sugere o retorno à fertilidade. O que causa infertilidade não é o fato de usar um anticoncepcional por 10 ou 15 anos por exemplo, mas ter 10 ou 15 anos a mais e a idade impacta na taxa de gravidez”, explica Dr. Oliveira.

    1. Remédios podem contar o efeito do anticoncepcional?

    Sim, podem. Dentre todos, deve-se destacar alguns antibióticos e antidepressivos. Portanto, informe sempre ao seu médico sobre o uso de remédios em paralelo.

    1. Posso engordar utilizando os métodos contraceptivos?

    Os métodos estão cada vez mais modernos e utilizam baixas doses de hormônios, causando o mínimo possível de transtorno em relação ao peso e, desde que não existam contraindicações, costumam ser bem tolerados. O que engorda é a alimentação, o sedentarismo e o passar do tempo com as modificações naturais do metabolismo. 

    1. É possível engravidar nos 7 dias de intervalo entre uma cartela e outra?

    Não. Desde que a mulher tenha feito o uso correto, não existe nenhum momento fértil para que possa surgir uma gravidez.

    1. Tem algum problema usar o medicamento para ficar sem menstruar? 

    A interrupção da menstruação com métodos anticoncepcionais, desde que não haja contraindicações, é considerada segura e deveria ser oferecida como uma opção para a mulher moderna. “No entanto, a escolha do método depende de critérios de elegibilidade definidos pela Organização Mundial de Saúde a fim de avaliar o risco para cada paciente. Assim, antes de iniciar qualquer método, procure seu ginecologista”, finaliza Dr. Renato. 

  • 15 Mitos e Verdades sobre o Anticoncepcional

                                                  Imagem retirada da internet

    Ginecologista, Domingos Mantelli, tira dúvidas sobre o assunto

    A camisinha é a solução mais eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Mas para as mulheres que buscam se proteger, além das doenças, de uma gravidez indesejada, o método deve ser conciliado ao uso de outros anticoncepcionais.

    Os contraceptivos orais acompanham as mulheres desde a década de 60, quando se estabeleceu o início da revolução sexual e social feminina. Mais de 50 anos depois, as pílulas continuam sendo o método contraceptivo mais procurado no mercado mesmo com todas as lendas a cerca da ingestão do medicamento.

    Para sanar de vez as dúvidas que nem sempre estão nas bulas, o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli, disponibilizou um questionário com 15 perguntas e respostas sobre o método contraceptivo.

    1. A pílula anticoncepcional pode acabar com o desejo sexual das mulheres?

    Mito e verdade: O questionamento que as mulheres mais fazem aos ginecologistas é sobre a perda de libido. Não há qualquer relação entre o uso desse contraceptivo com a perda do apetite sexual, porém eventualmente se houver interferência do anticoncepcional na concentração do hormônio testosterona, poderá haver uma diminuição, mas não a perda da libido.

    1. O anticoncepcional promove o aumento de peso?

    Mito: Os hormônios contidos nas pílulas devem ser dosados e indicados pelo ginecologista para não sobrecarregar a contagem de hormônios. Mas em geral não há indícios de que o efeito seja relacionado ao aumento do peso. O que pode ocorrer é uma retenção de líquidos maior levando a um inchaço, dependendo do hormônio que for utilizado, porem o que não é relacionado com o aumento de células de gordura. O único segredo para não ganhar quilos é praticar exercícios e ter uma alimentação saudável.

    1. A pílula causa câncer?

    Mito e verdade: As pesquisas realizadas na área são incontestáveis, o uso da pílula não está associado ao surgimento de cânceres, porém podem aumentar a probabilidade de tê-los em alguns casos. O efeito muitas vezes é até contrário, onde o contraceptivo oral auxilia na prevenção de câncer como os de endométrio e ovários. Porém, as pílulas combinadas que contem estrogênio, aumentam a probabilidade de câncer de mama em pacientes com histórico pessoal ou familiar deste câncer.

    1. A infertilidade pode ser causada pelo uso contínuo do anticoncepcional?

    Mito: As mulheres que tomam a pílula por um longo período de tempo podem demorar um pouco mais do que as mulheres que não fazem o uso do medicamento para voltarem a engravidar. Isso se dá, pois, uma parte dos hormônios pode ficar acumulado em células de gordura e continuarem a ser liberados mesmo após a parada de toma-los. A pílula é reversível e não causa danos à saúde da mulher.

    1. Posso não fazer intervalos entre todas as cartelas para não menstruar?

    Verdade: Apesar de o sangue da menstruação ser uma maneira do corpo feminino se livrar das impurezas do organismo, a pílula não perde sua eficácia se a opção for emendar as cartelas, desde que os intervalos sejam acompanhados pelos ginecologistas,

    1. O cigarro prejudica a ação das pílulas?

    Verdade: O anticoncepcional continua sendo um método eficaz mesmo com o uso do cigarro. Mas combinação das substancias presentes no fumo e nas pílulas afetam o fígado bruscamente e aumentam as chances de doenças cardiovasculares e tromboses venosas. É altamente recomendada a não união da pílula e do cigarro.

    1. O uso da pílula pode acarretar no aumento da acne?

    Mito e Verdade: O surgimento da acne está veiculado ao hormônio feminino, quando a pílula é somada ao excesso de hormônio feminino já encontrado naturalmente em algumas mulheres, podendo haver efeito indesejado. Quando as mulheres possuem maior taxa de hormônios masculinos no organismo, a pílula é equilibrador e auxilia no tratamento da acne.

    1. O consumo de álcool pode fazer a pílula perder o efeito?

    Verdade: O álcool pode sim interferir na capacidade preventiva das pílulas anticoncepcionais. Tanto o álcool como os anticoncepcionais são metabolizados no fígado. O álcool pode inclusive aumentar as taxas de estradiol circulante, elevando seus efeitos colaterais como o aumento da probabilidade de se ter câncer de mama. Também o uso contínuo da bebida pode afetar a qualidade dos óvulos e dificultar uma gravidez posterior.

    1. O anticoncepcional causa trombose?

    Mito: Não, desde que o uso seja livre da influência de cigarros e que a mulher não tenha outros fatores de risco para trombose. O cigarro unido à pílula é responsável por engrossar o sangue, complicar a circulação e causar as tromboses. Claro que toda paciente deve ser orientada sobre a possibilidade de investigar trombofilia antes de iniciar um método contraceptivo

    1. A pílula altera o humor das mulheres?

    Verdade: A pílula pode melhorar o humor feminino porque age diretamente no controle das dores e dos sintomas nada sutis que vêm acompanhados da menstruação. O contraceptivo oral é um combatente da TPM.

    1. A pílula causa celulite?

    Mito: As celulites são provenientes da genética, não há o que culpar. Converse com seu ginecologista sobre anticoncepcionais que retenham menos liquido no organismo, reporte ao médico inchaços, aumento de peso e qualquer alteração física para descartar possibilidades de efeitos colaterais.

    1. Posso utilizar as pílulas do dia seguinte mesmo tomando o contraceptivo regularmente?

    Mito: Não, a combinação dos contraceptivos não aumenta a prevenção da gravidez, mas acarreta em problemas circulatórios e perda de libido causada pela alta dosagem hormonal dos medicamentos.

    1. Posso tomar qualquer anticoncepcional disponível no mercado?

    Mito: Não, o ginecologista é o único capacitado para receitar o contraceptivo oral, pois há a necessidade de realizações de exames para descartar impossibilidades de usar o método. A dosagem hormonal também só pode ser indicada pelo médico para não ocasionar efeitos colaterais.

    1. A pílula pode ser ingerida em horários distintos?

    Mito: O anticoncepcional deve ser tomado em horário regular. O esquecimento contínuo deixa o corpo feminino sem a cobertura da ação preventiva da pílula facilitando a fertilização.

    1. Preciso trocar a marca das pílulas de tempos em tempos?

    Mito: Se a mulher não tem efeitos desagradáveis com o uso continuo de uma só pílula, pode utilizar por tempo indeterminado uma marca e a eficácia não será comprometida.