Alterações súbitas na fala, na visão, no equilíbrio ou na força de um lado do corpo podem indicar uma emergência neurológica; especialista explica por que o atendimento rápido faz diferença
Uma dificuldade repentina para falar, a perda de força em um braço ou uma alteração na visão podem desaparecer após poucos minutos. A melhora, no entanto, não significa que o risco passou. Esses sintomas podem indicar tanto um Acidente Vascular Cerebral (AVC) quanto um ataque isquêmico transitório (AIT), condições que apresentam manifestações semelhantes no início e exigem atendimento médico imediato.
Segundo o neurologista Edson Issamu, dos Hospitais São Camilo de São Paulo, não é possível diferenciar as duas condições apenas pelos sintomas iniciais. A avaliação clínica, associada a exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética do crânio, é fundamental para a investigação.
“O AVC e o AIT podem começar exatamente da mesma forma. A pessoa apresenta perda de força, dificuldade para falar ou alterações na visão e, em alguns casos, os sintomas desaparecem rapidamente. Isso não significa que o episódio possa ser ignorado, porque é necessário investigar a causa e avaliar o risco de novos eventos”, explica o neurologista.
O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para determinada região do cérebro é interrompido pela obstrução de um vaso, no caso do AVC isquêmico, ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo, caracterizando o AVC hemorrágico. Em ambas as situações, o tecido cerebral pode sofrer danos, e a rapidez do atendimento influencia as possibilidades de tratamento e recuperação.
Quais sinais podem indicar um AVC?
Os sintomas costumam surgir de maneira repentina e variam conforme a região do cérebro afetada. Entre os principais sinais de alerta estão:
- Perda de força ou sensibilidade: fraqueza ou dormência em um lado do rosto, braço ou perna;
- Dificuldade para falar: fala enrolada, troca de palavras ou dificuldade para compreender uma conversa;
- Alterações na visão: perda repentina da visão em um ou ambos os olhos ou visão dupla;
- Perda de equilíbrio: tontura intensa, dificuldade para caminhar ou falta de coordenação;
- Dor de cabeça súbita: dor muito intensa, especialmente quando diferente das habituais;
- Confusão mental: desorientação repentina ou alteração do nível de consciência.
“Os sinais não precisam aparecer todos ao mesmo tempo. Uma alteração neurológica súbita, mesmo isolada, já é motivo para procurar atendimento de emergência”, orienta o especialista.
Qual é a diferença entre AVC e AIT?
Embora apresentem os mesmos sintomas iniciais, o AVC e o ataque isquêmico transitório têm características distintas. No AIT, as manifestações desaparecem completamente, geralmente em poucos minutos, sem evidência de infarto cerebral agudo nos exames de imagem.
Já no AVC, pode haver lesão cerebral identificável nos exames, mesmo quando os sintomas melhoram rapidamente. Por isso, a duração das manifestações, isoladamente, não é suficiente para estabelecer a diferença entre as duas condições.
O neurologista explica que a investigação considera a história clínica, a evolução dos sintomas e os resultados dos exames. Em determinadas situações, mesmo quando a tomografia ou a ressonância inicial não identifica alterações, o diagnóstico de AVC pode continuar sendo considerado com base na avaliação médica.
“Uma das maiores preocupações é quando o paciente apresenta sintomas e, após a melhora, decide não procurar atendimento. O AIT pode ser um sinal de alerta para um AVC futuro. Identificar a causa e iniciar medidas preventivas é fundamental para reduzir o risco de um novo evento, que pode provocar incapacidades graves e permanentes”, ressalta Edson Issamu.
O que fazer quando os sintomas aparecem?
Diante de qualquer sinal súbito compatível com AVC, a recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192. Não se deve esperar para verificar se os sintomas desaparecem nem administrar medicamentos por conta própria.
Também é importante informar à equipe médica o horário em que os sintomas começaram ou o último momento em que a pessoa estava sem alterações. Essa informação contribui para a avaliação e para a definição das possibilidades de tratamento.
“O tempo é determinante no atendimento. Quanto mais cedo o paciente chega ao serviço de emergência, maiores são as possibilidades de receber o tratamento adequado e reduzir o risco de sequelas”, afirma o neurologista.
Como reduzir o risco de AVC?
O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, a prática regular de atividade física, a alimentação equilibrada e o combate ao tabagismo estão entre as principais medidas de prevenção. O acompanhamento médico também permite identificar condições que aumentam o risco de eventos vasculares, como determinadas doenças cardíacas.
Para Edson Issamu, reconhecer os sintomas e não subestimar episódios passageiros são cuidados essenciais.
“Mesmo que a pessoa recupere completamente os movimentos ou a fala, é necessário investigar o que aconteceu. A melhora dos sintomas não elimina a possibilidade de um problema vascular e não deve ser motivo para adiar o atendimento”, conclui.
