Crianças e pets: como transformar a hora do petisco em uma lição de responsabilidade
Crianças e pets: como transformar a hora do petisco em uma lição de responsabilidade
Veterinária explica como envolver os pequenos nessa rotina sem comprometer a saúde dos animais
Oferecer um petisco ao cachorro ou gato é um gesto comum entre crianças que convivem com animais de estimação. Na relação cada vez mais próxima entre pessoas e pets, a comida também ganhou espaço como demonstração de carinho. Além de fortalecer o vínculo, esse momento pode ser uma oportunidade para ensinar aos pequenos que cuidar de um animal envolve responsabilidade, limites e atenção à saúde.
“É muito comum que as crianças gostem de oferecer petiscos aos pets como uma forma de carinho e interação. Esse pode ser um momento interessante para ensinar que demonstrar afeto também envolve responsabilidade. Ele pode fazer parte da rotina de forma segura e saudável, mas precisa ser oferecido na quantidade adequada e de acordo com as necessidades daquele animal”, explica a médica-veterinária Mayara Andrade, de GranPlus, da MBRF Pet.
A associação entre petiscos e vínculo afetivo também aparece na literatura científica. Um estudo publicado em 2023 na revista Preventive Veterinary Medicine, realizado por pesquisadores do Ontario Veterinary College, da University of Guelph, no Canadá, ouviu 716 responsáveis por cães sobre seus hábitos de oferecer petiscos. Entre os principais motivos estavam fazer o animal feliz e fortalecer o vínculo. Quase 40% dos participantes afirmaram oferecer petiscos frequentemente como forma de demonstrar amor.
Mayara explica que a questão, portanto, não é eliminar o petisco da rotina, mas oferecê-lo de maneira adequada. Segundo ela, os petiscos podem representar até 10% das calorias consumidas diariamente pelo animal. Como cães e gatos que recebem uma alimentação completa e balanceada já têm suas necessidades nutricionais atendidas, o alimento extra precisa ser considerado no consumo total do dia.
“Não é uma questão de proibir. É possível oferecer petiscos, desde que isso seja feito de forma inteligente e que a quantidade seja calculada dentro da dieta do animal”, afirma a veterinária.
A recomendação também não é igual para todos os pets. Segundo Mayara, animais com necessidades nutricionais específicas ou que seguem dietas determinadas por um veterinário podem ter restrições a determinados alimentos. Por isso, antes de incluir petiscos na rotina, a orientação profissional deve ser considerada.
“Para as crianças, o cuidado pode começar com pequenas tarefas. Elas podem participar da pesagem do alimento, do oferecimento de água e da oferta do petisco, desde que a escolha e a quantidade sejam definidas por um adulto. Também podem aprender que o fato de o animal pedir comida não significa que ele deva receber mais e que, além disso, nem todo alimento humano pode ser saudável ou permitido para cães e gatos”, explica.
O aprendizado se estende ainda ao momento da refeição. Não retirar o pote, não mexer no animal enquanto ele come e reconhecer sinais de desconforto são formas de ensinar respeito aos limites do pet.
“Quando a criança entende que não pode simplesmente dar comida porque o pet pediu, ela começa a perceber que cuidar também é saber o que faz bem para ele. É uma forma simples de trabalhar responsabilidade e respeito. Uma boa dica é combinar com a criança um horário e uma quantidade fixos para o petisco do dia. Assim, o gesto de carinho entra na rotina sem atrapalhar a alimentação do animal”, diz a veterinária.