Especialista destaca que atividade física e outros hábitos de vida têm impacto no bem-estar emocional e podem auxiliar no enfrentamento da ansiedade e depressão
Quando se fala em saúde mental, é comum pensar primeiro em emoções, pensamentos, ansiedade, estresse e outros aspectos psicológicos. Mas o cuidado com a mente não acontece de forma isolada do corpo. É cada vez mais reconhecida a relação entre hábitos de vida, funcionamento do organismo e bem-estar emocional.
No Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à importância de falar sobre saúde mental, Juliana Romantini, treinadora corpo & mente, especialista em mindfulness e em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, chama atenção para uma questão que, muitas vezes, passa despercebida: cuidar do corpo também é uma forma de cuidar da mente.
“Quando a gente fala em atividade física, muitas pessoas ainda pensam apenas em emagrecimento, estética ou condicionamento. Mas o movimento tem um papel muito maior. Ele ajuda a liberar tensões, reduzir o estresse, melhorar a qualidade do sono e pode trazer uma sensação maior de disposição e bem-estar para enfrentar a rotina”, explica Romantini.
Para ela, saúde mental deve ser tratada como algo que faz parte do bem-estar integral. O modo como uma pessoa dorme, se alimenta, se movimenta, respira e administra o estresse interfere na forma como ela se sente e enfrenta as emoções no dia a dia.
“Não é sobre transformar o exercício em mais uma obrigação ou buscar uma performance. É sobre encontrar formas de colocar o corpo em movimento que façam sentido para cada pessoa. Às vezes, uma caminhada, uma aula, alguns minutos de alongamento ou simplesmente sair da cadeira e se movimentar já representam uma mudança na rotina”, afirma.
Esse entendimento também encontra respaldo nas pesquisas. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no BMJ, que reuniu 218 estudos randomizados e mais de 14 mil participantes, identificou redução dos sintomas de depressão associada à prática de exercícios físicos, com resultados positivos para modalidades como caminhada, corrida, yoga e treinamento de força.
A especialista destaca ainda que a atividade física não substitui acompanhamento psicológico ou médico quando ele é necessário. A proposta é ampliar a compreensão sobre o cuidado. “Quando falamos de saúde mental, precisamos olhar para a pessoa inteira. O corpo não fica de fora. Movimentar-se e criar momentos de pausa são atitudes que podem ajudar a construir uma vida mais equilibrada e leve”, afirma.
Para Romantini, mais do que uma preocupação estética, o cuidado com o corpo vem se tornando uma ferramenta de autocuidado. “Em um período em que a sociedade é chamada a falar mais abertamente sobre sofrimento emocional, ansiedade, depressão e prevenção do suicídio, ampliar esse olhar também significa entender que cuidar da mente faz parte da vida cotidiana e começa muito antes de uma situação de crise”, finaliza.