Sedentarismo pode comprometer articulações, músculos e ossos

Sedentarismo pode comprometer articulações, músculos e ossos e aumentar o risco de problemas musculoesqueléticos

Falta de movimento está associada à perda de força e massa muscular, redução da mobilidade e maior sobrecarga sobre as articulações; especialista reforça a importância de manter uma rotina ativa

Passar longos períodos sentado, reduzir a prática de atividades físicas e manter uma rotina com pouco movimento podem trazer consequências para todo o sistema musculoesquelético. Articulações, músculos e ossos dependem de estímulos regulares para preservar mobilidade, força e funcionalidade. Com o passar do tempo, a falta de atividade pode contribuir com a perda de massa e força muscular, perda de massa óssea,  redução da capacidade funcional e maior dificuldade para realizar movimentos do dia a dia.

O cenário é relevante em escala global. Cerca de 1,8 bilhão de adultos, aproximadamente 31% da população mundial, não atinge os níveis mínimos recomendados de movimento diário, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade recomenda que adultos realizem, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em dois ou mais dias por semana.

Menos movimento, mais perda de força

Os músculos estão entre os primeiros tecidos a sentir os efeitos de uma rotina pouco ativa. A ausência de estímulos regulares pode favorecer a perda de força e condicionamento, tornando tarefas simples, como subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou carregar objetos, progressivamente mais difíceis.

“O corpo humano foi feito para se movimentar. Quando reduzimos de maneira importante a nossa atividade física, podemos perder força, mobilidade e condicionamento. Isso cria um ciclo em que a pessoa se movimenta menos porque sente dificuldade ou desconforto e, consequentemente, perde ainda mais capacidade funcional”, afirma a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg.

A redução da força muscular também pode alterar a maneira como o corpo distribui cargas durante os movimentos. Com músculos menos preparados, determinadas estruturas podem ser submetidas a maior demanda, o que pode contribuir para desconforto e limitação funcional, especialmente quando associado a outros fatores, como excesso de peso, alterações posturais ou lesões prévias.

Articulações também precisam de movimento

As articulações dependem de movimento para desempenhar adequadamente suas funções. A prática regular de atividade física ajuda a preservar a amplitude dos movimentos e a capacidade funcional, enquanto períodos prolongados de inatividade podem contribuir para rigidez e redução da mobilidade.

Isso não significa que toda dor articular seja causada pelo sedentarismo. Doenças reumatológicas, lesões, alterações degenerativas, excesso de peso e diversos outros fatores podem estar envolvidos. Por isso, sintomas persistentes devem ser avaliados individualmente por um médico especialista.

“É importante diferenciar sedentarismo de uma doença articular. Uma pessoa que sente dor não deve simplesmente interromper todo tipo de movimento. Em muitos casos, a atividade física adequada faz parte do cuidado e deve ser adaptada às condições e limitações de cada indivíduo”, explica Cláudia.

Ossos também se beneficiam de uma vida ativa

O tecido ósseo responde aos estímulos mecânicos proporcionados pelo movimento. Atividades físicas que envolvem sustentação de peso e exercícios de fortalecimento podem contribuir para a manutenção da saúde óssea ao longo da vida, dentro das condições individuais de cada pessoa.

A preocupação ganha importância especialmente com o envelhecimento. A combinação de perda de massa muscular, redução da força e alterações na saúde óssea pode comprometer a autonomia, além de contribuir para a perda de massa óssea levando a osteopenia e e osteoporose, e aumentar a vulnerabilidade a quedas e fraturas.

“Cuidar da saúde musculoesquelética não deve começar apenas quando aparece uma dor. A prevenção envolve manter-se fisicamente ativo, fortalecer a musculatura, cuidar da alimentação e do peso corporal e fazer avaliações médicas quando houver sintomas ou fatores de risco”, destaca a reumatologista Schainberg.

Começar aos poucos também conta

Para quem mantém uma rotina predominantemente sedentária, a recomendação não é necessariamente iniciar atividades intensas de forma repentina. A retomada pode ser gradual, respeitando idade, condicionamento físico, histórico de saúde e eventuais limitações.

Caminhadas, exercícios de fortalecimento, atividades de mobilidade e a redução do tempo contínuo sentado são algumas estratégias que podem ajudar a tornar a rotina mais saudável e ativa. Pequenas mudanças, como levantar-se periodicamente durante o trabalho, caminhar em deslocamentos curtos e escolher escadas quando apropriado, também podem contribuir para aumentar o movimento ao longo do dia.

“Não é preciso transformar a rotina de um dia para o outro. O mais importante é reduzir o tempo de inatividade e encontrar formas sustentáveis de inserir movimento no cotidiano. Para quem tem dor, doença reumatológica ou alguma limitação, o ideal é buscar orientação profissional para definir o tipo e a intensidade do exercício mais adequado para cada situação e de forma individualizada”, orienta Cláudia Goldenstein Schainberg.