Antes do verão, faça um check-up da própria pele: 7 sinais que merecem atenção
Pintas que mudam, manchas diferentes e feridas que não cicatrizam podem passar despercebidas no dia a dia; dermatologista explica o que observar antes da temporada de maior exposição solar
A preparação para o verão geralmente começa com protetor solar reforçado, novos produtos de skincare e uma preocupação maior com manchas, hidratação e aparência da pele. Mas existe um cuidado que não depende de nenhum cosmético: parar diante do espelho e observar se alguma coisa mudou nos últimos meses.
Segundo a dermatologista Dra. Bianca Almeida, conhecer o padrão da própria pele ajuda a perceber alterações que merecem avaliação. Isso não significa transformar toda pinta em motivo de preocupação, mas reconhecer sinais que cresceram, mudaram ou simplesmente passaram a se comportar de maneira diferente.
1. Uma pinta antiga começou a mudar
Ter pintas há muitos anos é comum. O ponto de atenção aparece quando uma delas deixa de ter o aspecto habitual. Mudanças de tamanho, formato ou aparência ao longo de semanas ou meses são motivos para olhar aquela lesão com mais cuidado, principalmente quando ela começa a se destacar das demais.
“Não precisamos olhar para cada pinta com medo. Uma pessoa pode ter dezenas delas e conviver com todas durante anos. O que chama atenção é quando uma lesão passa a se comportar de maneira diferente das demais, seja porque cresceu, mudou de formato ou cor, começou a sangrar ou simplesmente parece diferente do padrão daquela pele”, explica a dermatologista.
2. Observe a assimetria e as bordas
A regra do ABCDE continua sendo uma ferramenta simples para ajudar na auto-observação. Assimetria e bordas irregulares estão entre os pontos que podem chamar atenção. Ao olhar uma pinta, vale perceber se as duas metades são muito diferentes ou se o contorno deixou de ser regular.
“O ABCDE ajuda a população a entender algumas características que merecem ser observadas, mas não deve ser utilizado para fazer um diagnóstico em casa. Se existe uma pinta diferente ou que mudou de aspecto, o ideal é que ela seja examinada adequadamente”, orienta Bianca.
3. Mudanças de cor também entram no radar
Uma pinta não precisa necessariamente ser muito escura para merecer atenção. O surgimento de diferentes tonalidades dentro da mesma lesão ou uma mudança perceptível de cor em relação ao aspecto anterior são características que devem ser observadas, especialmente quando aparecem junto a outras transformações.
“Mais importante do que tentar decidir sozinho se determinada cor é normal ou não é perceber se houve uma transformação. Conhecer como aquela pinta costumava ser ajuda muito. Quando existe uma mudança de cor ou ela começa a destoar das demais, vale procurar avaliação”, explica a médica.
4. Preste atenção na evolução, não apenas no tamanho
O “E” do ABCDE significa evolução e merece destaque. Uma lesão não precisa atingir determinado tamanho para justificar uma consulta. Crescimento, mudança de relevo, alteração de textura ou qualquer transformação progressiva pode ser relevante, mesmo quando a pinta continua pequena.
“O ABCDE funciona como um alerta, não como um diagnóstico feito em casa. Às vezes, o mais importante é justamente a evolução. Se aquela pinta mudou em relação ao que era antes, vale mostrar ao dermatologista”, afirma a especialista.
5. Feridas que não cicatrizam não devem ser ignoradas
Nem toda alteração que merece investigação tem aparência de pinta. Aquela pequena ferida que cria uma casquinha, melhora por alguns dias e depois retorna também precisa ser observada. Isso vale especialmente para áreas frequentemente expostas ao sol, como rosto e colo.
“Se a pessoa passa meses retirando uma casquinha do mesmo lugar, percebe sangramentos recorrentes ou vê uma lesão desaparecer e voltar, não deveria simplesmente continuar tratando como um machucado. A persistência é justamente uma característica que merece avaliação”, alerta a dermatologista.
6. Sangramento recorrente merece atenção
Uma lesão pode sangrar depois de ser machucada, coçada ou traumatizada. O que merece atenção é quando o sangramento começa a acontecer repetidamente ou sem uma explicação evidente. O mesmo cuidado vale para lesões que apresentam mudanças associadas, como crescimento ou alteração do aspecto.
“Não é necessário esperar uma lesão doer para procurar um dermatologista. Algumas alterações importantes podem ser completamente assintomáticas no início. Se existe sangramento recorrente ou uma mudança que não estava presente anteriormente, é melhor investigar”, orienta Bianca.
7. Não use o bronzeado para “preparar” a pele para o verão
Com a chegada dos primeiros dias quentes, algumas pessoas começam a aumentar a exposição solar acreditando que um bronzeado gradual poderá proteger a pele durante as férias. Essa estratégia, porém, não funciona como uma preparação contra os efeitos da radiação ultravioleta. A exposição produz danos que se acumulam ao longo do tempo.
“O bronzeado não é uma proteção para exposições futuras. A radiação ultravioleta produz um dano cumulativo, por isso a fotoproteção precisa fazer parte da rotina antes, durante e depois do verão. Conhecer a própria pele também faz diferença: se alguma coisa mudou, parece diferente ou não cicatriza, esse já é um motivo para procurar avaliação”, finaliza a Dra. Bianca Almeida, dermatologista.
