Dor, coceira, sangramento e dificuldade para evacuar estão entre os sinais mais comuns; especialista explica o que pode causar as hemorroidas, quando o sangramento exige investigação e quais tratamentos podem devolver qualidade de vida.

Hemorroidas são comuns, mas ainda cercadas de constrangimento. Muitas pessoas convivem com dor, coceira ou sangramento sem procurar ajuda, seja por vergonha ou por acreditar que o problema desaparecerá sozinho. Embora geralmente não representem uma condição grave, os sintomas merecem avaliação, principalmente quando persistem.
As hemorroidas são vasos sanguíneos dilatados e inflamados na região anal e podem ser internas ou externas. Entre os sinais mais frequentes estão coceira, dor ou ardência durante ou após a evacuação, sangramento e presença de uma saliência na região.
Segundo o Dr. Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia, o diagnóstico correto é fundamental, especialmente nos casos de sangramento.
“Para um diagnóstico preciso das hemorroidas se faz necessário uma boa consulta, com análise dos sintomas, histórico médico e avaliação da região anal e perianal. Isso permite identificar hemorroidas externas ou internas e os prolapsos, que se projetam para fora do ânus. Em casos de sangramento, exames de imagem como anuscopia, retossigmoidoscopia ou colonoscopia podem ser solicitados para auxílio diagnóstico e exclusão de outras condições causadoras de sangramento, como tumores, diverticulite ou doenças inflamatórias intestinais.”
Nem todo sangramento é hemorroida
Um dos principais cuidados é não atribuir automaticamente qualquer sangramento anal às hemorroidas. Dependendo da idade, do histórico clínico e das características do sangramento, o médico pode solicitar exames para descartar outras doenças.
Entre os fatores que favorecem o surgimento das hemorroidas estão constipação, dieta pobre em fibras, baixa ingestão de líquidos, gravidez, obesidade, sedentarismo, predisposição genética e esforço excessivo durante a evacuação. Permanecer muito tempo sentado e o sexo anal também podem contribuir para o problema.
Nas fases iniciais, especialmente nas hemorroidas internas de primeiro grau, o paciente pode não apresentar sintomas. Com a evolução, porém, as veias podem aumentar e provocar sangramento, dor, desconforto ou prolapso.
“As causas das hemorroidas incluem obstipação, vulgarmente conhecida como prisão de ventre, gravidez, obesidade, vida sedentária, componente genético, dieta pobre em fibras e pouca ingestão de líquidos, e sexo anal. Os sintomas incluem coceira provocada por inchaço das veias, sangramento resultante do rompimento das veias anais, dor ou ardor durante ou após a evacuação, e saliência palpável no ânus”, alerta o Dr. Ernesto Alarcon.
Tratamento depende do quadro

O tratamento é individualizado e depende do tipo e do grau da hemorroida. Em casos mais leves, podem ser indicados tratamentos locais, como pomadas e supositórios.
Outra alternativa é a ligadura elástica, procedimento utilizado em determinados casos de hemorroidas internas. Já quadros mais avançados ou que não respondem aos tratamentos convencionais podem exigir cirurgia, como a hemorroidectomia, que remove as veias comprometidas.
A prevenção passa principalmente pelo bom funcionamento intestinal. Uma alimentação rica em fibras, ingestão adequada de líquidos, atividade física e evitar esforço ou longos períodos no vaso sanitário são medidas que podem ajudar a reduzir o risco e aliviar os sintomas.
Também é importante evitar produtos de higiene que irritem a região. Banhos de assento mornos e compressas frias podem ajudar no alívio do desconforto, conforme orientação profissional.
“A escolha do tratamento é individualizada, dependendo do tipo e da gravidade das hemorroidas, bem como da presença de outras condições de saúde. A consulta a um médico é crucial para avaliação específica das hemorroidas e para a indicação do tratamento mais adequado”, finaliza o Dr. Ernesto Alarcon.