Escolha de pneu inadequado causa danos ao equipamento e pode diminuir sua eficiência

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Radiais garantem maior tempo de vida útil e aumenta da performance das máquinas

O pneu é um item que merece atenção no ato da compra. A aquisição de um modelo errado para uso em uma área distinta da qual ele é recomendado pode interferir diretamente na eficiência do equipamento e até mesmo resultar na sua inatividade. Sendo assim, no momento da aquisição, nem sempre os mais baratos ou com mais borracha são uma boa alternativa. O mais indicado é verificar o tipo de aplicação e o terreno que ele vai operar.

Os pneus possuem diversas instruções de aplicação: como índice de carga, velocidade, nível de proteção, entre outros, sendo este último um detalhe importante para observar. Segundo Carlos Jacob, Especialista de Produto da Sotreq, empresa com 76 anos de atuação no mercado e uma das maiores revendedoras de produtos, sistemas e serviços Cat® no Brasil, os pneus para equipamento de construção e terraplenagem com menores índices de proteção (menos borracha), são indicados para uso em obras que exigem velocidade ou tração.

Mais um diferencial é que podem percorrer grandes distâncias dentro do local de trabalho, já que dissipam melhor o calor, sendo a temperatura alta um dos principais agravantes para o desgaste dos pneus. “Alguns clientes escolhem pneus com grandes índices de proteção acreditando ser a melhor opção para seu equipamento, no entanto, podem estar incrementando seu custo e trazendo prejuízos à produtividade e performance do equipamento”, afirma o Jacob.

O especialista complementa que os pneus com mais proteção, ou seja, mais borracha, são recomendados para movimentação de grandes cargas e locais com maiores riscos de corte ou perfuração como operação no pé da rocha, por exemplo, realizado em pedreiras. “Devem ser utilizados em ambientes que exijam menor velocidade, pois podem sofrer aquecimento excessivo e, com isso, provocar o aumento significativo do desgaste da banda de rodagem e até mesmo da carcaça dos mesmos”, esclarece.

Atenção nos detalhes

De modo geral, os flancos dos pneus trazem dados sobre o produto, ou seja, os números indicam as medidas da largura nominal da seção, diâmetro interno e sua série ou perfil que podem estar especificados em milímetros e em polegadas. Outras informações encontradas são: nome do fabricante, modelo de acordo com o desenho da banda de rodagem do fabricante, matrícula, pressão de inflação a frio, carga, entre outros.

Segundo Jacob, a aquisição de um produto errado ou o ajuste do mesmo pode interferir na estabilidade das máquinas, principalmente quando são feitas adaptações com medidas desiguais das indicadas pelo fabricante das mesmas. “O cliente deve atentar para o peso do equipamento e da carga sendo movimentada para definir a calibragem dos produtos, sendo que esta deve estar ajustada de acordo com o modelo e fabricante do pneu, pois existem pneus com medidas iguais, entretanto, com capacidades de cargas diferentes”, recomenda.

Vale ressaltar que é comum encontrar no campo o uso de modelos e marcas diferentes de pneus em um mesmo eixo. Contudo, a prática não é indicada. “Jamais deve-se montar dois tipos de pneus (radial ou diagonal) em um mesmo eixo ou colocar uma banda de rodagem com altura de ‘garra’, com diferenças acima de 6% de desgaste entre elas, para não prejudicar os diferenciais e/ou comandos finais do equipamento. O recomendado é que todos sejam iguais (dimensão, marca, modelo) e com desgastes similares. Assim como em automóveis, é indicado realizar rodízios periódicos para garantir um desgaste uniforme entre todos”, informa.

Radial X Diagonal

Atualmente, existem diversos tipos de pneus conhecidos no mercado, entre eles, os mais comuns: radiais e diagonais. Suas diferenças vão além da nomenclatura, como a construção distinta e performance diferenciada. Os diagonais, por exemplo, têm diversas camadas de lonas têxteis cruzadas em sentido diagonal, tornando a lona carcaça uma peça monobloca.

Essa peça, por sua vez, de acordo com a carga, tem seu contato da banda de rodagem variável, deixando de usar toda a energia recebida pelo trem de força. “A carcaça radial, no entanto, é feita com uma única lona de cabos de aço no sentido radial e depois recebe camadas de lonas de proteção e trabalho somente na área da banda de rodagem”, afirma o especialista.

Essa lona em aço traz mais resistência contra corte e perfuração. Além disso, trata-se de um modelo de construção que promove o isolamento da banda de rodagem das laterais dos pneus impedindo a variação do contato com o solo e, dessa forma, resultando em aproveitamento total das forças geradas pela máquina, excelente tração, desgaste inferior dos mesmos e significativa economia de combustivel.

Ambos podem ser utilizados em qualquer tipo de máquina, porém, as melhores performances são alcançadas com pneus radiais. Outra vantagem é que a vida útil desses produtos é maior se comparada aos diagonais, o que garante redução do custo por hora.

“Os radiais comumente alcançam o dobro da vida útil dos convencionais. Inclusive, por sua carcaça ser radial, em uma situação de acidente, as posições dos cabos de aço favorecem danos menores facilitando o seu conserto com manchões menores. Mas, para prolongar a vida útil de ambos (radiais e diagonais), é fundamental manter a calibragem adequada ao peso e a carga, evitar fatores que provoquem seu aquecimento e não expô-los a qualquer tipo de hidrocarboneto (derivados de petróleo)”, sugere.

É importante salientar que os pneus radiais também podem passar por recapagem, ou seja, a reforma do mesmo. “ Por exemplo, Enquanto um diagonal, pode passar por diversos ciclos de serviços de recapagens, no intervalo de cinco anos, os radiais, por seu desgaste menor e maior vida útil, precisará passar menos vezes pelo processo, nos mesmos cinco anos, o que significa diminuição do custo com recapagem e maior tempo empregado em horas de trabalho”, conclui Jacob.

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