Dicas para prevenção de acidentes domésticos em tempos de quarentena

Coronavírus

Acidentes domésticos em tempos de coronavírus: todo cuidado é pouco para garantir a segurança de crianças e idosos

Confira dicas para deixar cômodos como banheiro e cozinha mais seguros para todos

Segundo dados do Ministério da Saúde, acidentes domésticos são a principal causa de morte de crianças brasileiras de até 14 anos. Por ano, são aproximadamente 3,6 mil crianças e outras 111 mil hospitalizadas. Os números são preocupantes, por isso a prevenção é fundamental.

Já entre os idosos com mais de 65 anos, estima-se que cerca de 30% caem pelo menos uma vez por ano. Esse número chega a 50% para os que passaram dos 80. As quedas podem ser muito sérias nessa fase da vida e podem levar a óbito. Em 25% dos casos, o acidentado precisa ser hospitalizado e metade não sobrevive após um ano do acidente.

Durante a pandemia de coronavírus, muito tem se falado dos cuidados de higiene necessários, como lavar as mãos com frequência e a utilização de álcool gel. Mas, para evitar a ida aos hospitais, precisamos nos preocupar também com os acidentes domésticos, muito comuns para quem tem crianças ou idosos em casa.

A Aldeias Infantis SOS Brasil, que atende crianças, adolescentes e famílias que se encontram em estado de vulnerabilidade social e conta com 59 Casas Lares em seu programa de acolhimento, listou algumas dicas para ajudar as famílias a deixarem os ambientes mais seguros para os pequenos.

“O ideal é que nenhum móvel tenha rodinhas e, de preferência, que sejam fixados no chão ou parede para não tombarem com facilidade quando alguém se apoiar. Os cantos devem ser arredondados, especialmente para quem tem bebês que ainda estão aprendendo a andar e podem bater nas quinas. Outra dica é ter espaço livre para circulação entre eles”, diz Roucheli Tavares, Coordenadora Nacional da Política de Salvaguarda da Aldeias Infantis.

Deixar os ambientes mais claros e bem iluminados também ajuda na locomoção de todos pela casa, principalmente para os idosos. “Se possível, deixe um abajur e o interruptor do lado da cama, assim evita que os idosos se levantem no escuro. Com o confinamento, os idosos vão passar muito mais tempo em casa, aumentando o risco de acidentes”, diz Dayane Alves, especialista em envelhecimento e gerente do projeto Viver Melhor do Instituto Família Barrichello, que atende 1.800 idosos em seus programas e nos passou orientações de segurança para eles.

Tanto para idosos, como para crianças, os acidentes mais comuns são provenientes de quedas. Por isso, evite panos e tapetes pela casa em que eles possam tropeçar. Não encere o piso, criando ambientes escorregadios. Em banheiros, é preciso ter cuidado com o piso molhado e vale a instalação de barras de suporte dentro do boxe para auxiliar na hora do banho.

Já nas escadas, instale portões de segurança para os pequenos e corrimão para os mais velhos. Evite desníveis e degraus nos ambientes, se for necessário, utilize uma inclinação. Em janelas e sacadas devemos instalar redes de proteção para evitar acidentes mais graves. Outra precaução é não ter cadeiras, camas ou outros móveis que as crianças possam subir e se debruçar.

A cozinha é um dos cômodos com mais riscos. Além do fogão, as gavetas estão cheias de objetos perigosos como facas, tesouras e garfos. Travas de segurança, nas portas e gavetas, funcionam bem para que crianças menores não tenham acesso a eles. Já para evitar queimaduras, os cabos das panelas devem estar sempre para o lado de dentro do fogão, assim é mais difícil que se esbarre neles, evitando que se derrame conteúdo quente. Em frente a pia da cozinha, coloque passadeira antiderrapante ou fita adesiva antiderrapante, evitando que possam escorregar com resíduos que caiam no chão.

Produtos de limpeza devem estar em suas embalagens originais ou ter avisos. Jamais utilizar embalagens de alimentos para armazená-los. Isso evita intoxicação acidental. Para as crianças, é bom deixá-los fora de seu alcance.

De acordo com o Diretor Executivo do Instituto Família Barrichello William Boudakian, o afastamento das atividades físicas pode debilitar ainda mais essas pessoas que, pela idade, perdem massa muscular muito rápido e ainda apresentam desequilíbrio para caminhar. “Para evitar que nossos assistidos passem por isso, estamos oferecendo aulas de maneira online e gratuitas, não somente para eles, mas para toda a população em nosso canal no Youtube”.

Para crianças pequenas, os afogamentos também são um risco, já que apenas 2,5 cm de água em um recipiente possa ser suficientes para que a criança não consiga sair sozinha. Neste caso, é recomendado lacres nos vasos sanitários e baldes sempre no alto, fora do alcance

Roucheli Tavares ressalta a importância de todos esses cuidados, “Em nosso programa de acolhimento, podemos ter até 9 crianças convivendo na casa sob os cuidados de uma mãe social. Essas crianças vêm de diferentes realidades. Muitas sofreram sérios traumas nas suas famílias de origem e podem apresentar comportamentos desafiadores. Ter ambientes seguros para recebê-las é fundamental para evitar acidentes.”

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