Como trazer as tradições do Natal britânico para suas celebrações

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Muitas tradições de Natal remontam à Grã-Bretanha, como a decoração de Natal e a troca de presentes. Até mesmo o primeiro cartão de Natal foi postado na Inglaterra durante a década de 1840, e a prática logo se tornou uma parte estabelecida na preparação para o Natal em países ao redor do mundo, incluindo o Brasil.

Aqui estão algumas das tradições do Natal britânico que podem ser lembradas nas celebrações deste ano, algumas das quais já podem fazer parte dos planos anuais de muitas famílias.

Luzes de Natal
Lâmpadas elétricas foram usadas pela primeira vez para adicionar um toque de magia às festividades do inverno no Hemisfério Norte em 1881, quando o Savoy Theatre no West End de Londres se tornou o primeiro edifício do mundo totalmente iluminado por eletricidade. Hoje, luzes decorativas de Natal enchem as ruas de cidades e vilas britânicas a partir de meados de novembro. Dos cantos palacianos da Regent Street em Londres a cidades tipicamente britânicas, como Harrogate, em Yorkshire, o espetáculo das luzes natalinas é uma sólida tradição.

Decorações de Natal
É provável que as decorações de Natal tenham origens bem antigas. Azevinho, hera e visco são associados a rituais da Idade Média. O costume de beijar sob um raminho de visco, seguido por tantos casais, é derivado de uma antiga tradição pagã. O visco era considerado sagrado pelos druidas britânicos, que atribuíam a esse arbusto poderes milagrosos. Entre os romanos, era um símbolo de paz – ao avistar inimigos posicionados sob um visco, eles entendiam que estavam sendo convidados a descartar as armas e declarar uma trégua. Vem daí o costume de beijar sob o visco. A Inglaterra foi o primeiro país a adotar essa tradição durante o Natal.

A árvore de Natal
Por mais de 200 anos, as famílias britânicas celebraram as festas com sua própria árvore de Natal ricamente decorada, um costume introduzido pela rainha Charlotte, esposa do rei George III, em 1800, seguindo uma tradição que começou na Alemanha do século 16. A origem da árvore de Natal pode ser rastreada até as tradições pagãs da antiga Grã-Bretanha. No entanto, foi somente na época da rainha Victoria que celebrar o Natal com presentes ao redor de um pinheiro tornou-se um costume mundial. Em 1846, a rainha Victoria e seu marido, o alemão Albert, foram retratados pelo Illustrated London News numa pose com seus filhos, todos de pé, ao redor de uma árvore de Natal no Castelo de Windsor. Imigrantes alemães trouxeram o costume de árvores de Natal para a Grã-Bretanha no início de 1800, mas a prática só se popularizou com a adesão da rainha Victoria.

Uma das tradições festivas mais conhecidas de Londres é a árvore de Natal exibida no coração de Trafalgar Square. Montada pela primeira vez em 1947, foi um presente da Noruega à Grã-Bretanha, em agradecimento ao apoio recebido durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, a árvore passou a ocupar o centro da praça com seus deslumbrantes fios de luzes de fadas.

Pratos natalinos: Pudim de Natal, Almoço de Natal, tortas de carne moída

Para muitos britânicos, as festas de final de ano são uma época para desfrutar de comidas e bebidas quentes, por causa do frio muitas vezes abaixo de zero.

As tortas de carne moída são apreciadas pelos britânicos desde o período Tudor, quando eram conhecidas como tortas “shrid”. Hoje há outras opções de recheio – um dos favoritos é o que combina frutas secas e especiarias envoltas em uma massa amanteigada. O trio de especiarias usadas (noz-moscada, cravo e canela) é considerado um símbolo dos presentes dados ao menino Jesus pelos três Reis Magos em Belém.

O clássico Pudim de Natal é enfeitado com frutas temperadas e quentes, mas com um toque alcoólico. Feito de frutas secas, especiarias e conhaque, o tradicional “pud” é uma parte icônica do almoço de Natal em toda a Grã-Bretanha. O pudim original, criado na época medieval, também era de carne e foi ganhando versões diferentes, até se transformar numa sobremesa que não só é saborosa como muito disputada. Explica-se: a tradição manda esconder uma moeda de “seis pence” no recheio, que dará sorte a quem achar. A moeda desse valor já deixou de circular, mas o costume se mantém ainda hoje com uma de cinco pence.

Para dar ao pudim um toque festivo, ele é flambado com uma concha de conhaque em chamas ao ser colocado na mesa.

Antes de degustarem esses doces, os britânicos geralmente comem uma carne assada com vários acompanhamentos. O almoço tradicional servido no dia de Natal, em comparação com a ceia na véspera de Natal no Brasil, tem pratos completos com cenouras, couve de Bruxelas, pudins de Yorkshire, molho, peru e batatas assadas. Outros acréscimos populares ao menu são a pastinaga (um tipo de raiz) torrada com mel e recheios de castanha, bacon e cranberry.

Crackers de Natal
Nenhum almoço de Natal na Grã-Bretanha estaria completo sem a retirada cerimonial dos crackers, tradicionalmente usados para decorar a mesa para a festa do dia. Esses curiosos tubos de papel vêm preparados com um mecanismo de “quebra” que, quando puxado por duas pessoas, cria um pequeno estrondo. Cada cracker vem com um pequeno prêmio (como abridores de garrafa e truques de mágica), acompanhados de chapéus de papel imitando coroas e uma piada inevitavelmente terrível. É o momento das maiores risadas do dia.

Os crackers foram introduzidos pelo londrino Tom Smith, em 1847, inspirado nos bombons que ele conhecera em Paris (é que os crackers são embrulhados em papel tal qual os bombons de chocolate). Smith lançou uma versão chique, coberta com papel de seda, e fez sucesso. 

Em 1869, Tom Smith faleceu, e seus filhos tomaram o controle do negócio. Um deles, Walter Smith, teve a ideia de rechear o papel com outros tipos de presentes e surpresas além do chocolate – e foi ele também o responsável por introduzir a coroa de papel (que é encontrada nos crackers originais da Inglaterra no Brasil importados pela Festa Crackers, que vende online pelo site https://www.festacrackers.com.br).

O discurso da rainha
Depois da diversão de almoços com assados e crackers no dia de Natal, grande parte da Grã-Bretanha se senta à frente da televisão para assistir à Mensagem Real de Natal no início da noite. O discurso da rainha é uma parte importante do Natal britânico desde que foi transmitido pela primeira vez pelo rei George V em 1932, ainda via rádio, na BBC. Essa comunicação real é transmitida para as nações do Commonwealth às 15h (12h no Brasil) no dia 25 de dezembro, destacando os eventos marcantes do ano e as reflexões pessoais da monarca. A BBC deixa “The Queen’s Speech” disponível online logo depois da transmissão ao vivo.

Concertos, corais e outros eventos
Além das ruas cintilantes e das mesas de jantar decoradas, a alegria festiva dessa época pode ser sentida em concertos por todo o país. O palácio York Minster e o Royal Albert Hall são alguns dos locais mais disputados para essas celebrações. As igrejas, muitas vezes adornadas com impressionantes grinaldas de flores e velas enormes, também oferecem concertos e apresentações de corais com canções natalinas. Em 2020, quando os eventos virtuais provavelmente serão a norma, o The Home.Hope.Song.concert está agendado para ser o maior evento de canções de Natal virtual do Reino Unido a partir das 19h (16h no Brasil) da quinta-feira, 3 de dezembro. Será transmitido ao vivo gratuitamente no site da instituição de caridade inglesa Shelter a partir da igreja de St Martin-in-the-Fields, na Trafalgar Square de Londres, toda iluminada por velas.

Pantomimas tradicionais
Das luzes das fadas nas ruas aos holofotes do palco, as pantomimas são uma tradição de Natal apreciada tanto por jovens quanto por idosos. As pequenas peças já foram interpretadas pela rainha Elizabeth e a princesa Margaret durante a infância no Windsor Castle. Os programas são frequentemente releituras extravagantes de contos clássicos, como Dick Whittington, Cinderela ou Branca de Neve e os Sete Anões. Pantomimas (ou “pantos”, como costumam ser chamadas na Grã-Bretanha) são programas cômicos e emocionantes que regularmente exigem a participação do público, que se juntam às provocações de certos personagens com sons estridentes de “vaias” e “assobios”.

A história das pantomimas remonta à Idade Média, onde contos religiosos destacavam o triunfo do bem sobre o mal. O estilo teatral das performances tem suas bases no entretenimento na corte do século 14, que geralmente apresentava música e mímica dramática.

Muitos grupos farão lives pelo internet de pantominas em novembro, dezembro e janeiro. Clique aqui para uma lista completa de opções.

Pechinchas do Boxing Day
O dia 26 de dezembro ficou conhecido como “Boxing Day” na Grã-Bretanha na era vitoriana, quando os donos das casas davam um dia de folga a seus empregados e ofereciam a eles uma caixa de presentes para levar para suas famílias. Agora sinônimo de “pechincha”, o Boxing Day é tradicionalmente o início das vendas pós-natalinas nas lojas na Grã-Bretanha, com descontos tentadores.

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