Cardiologista explica quando o dispositivo é indicado, como é feito o implante, os cuidados após o procedimento e os avanços da tecnologia
Pequeno e cada vez mais tecnológico, o marcapasso é um dispositivo eletrônico utilizado para monitorar o ritmo cardíaco e emitir estímulos elétricos quando o coração bate devagar demais ou apresenta determinados bloqueios na condução elétrica. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, o aparelho não substitui o coração nem funciona continuamente: os modelos atuais acompanham os batimentos e atuam apenas quando identificam a necessidade de estimular o coração.
Segundo o Dr. Fernando Barreto, cardiologista e diretor médico do São Cristóvão Saúde, a indicação mais comum é a bradicardia sintomática, quando o coração bate mais devagar do que deveria e isso provoca sintomas no paciente. O marcapasso também pode ser indicado em casos de bloqueio atrioventricular, quando o coração apresenta dificuldade para transmitir os sinais que coordenam os batimentos, podendo fazer com que a frequência cardíaca fique muito baixa.
Outra situação que pode exigir o dispositivo é a doença do nó sinusal, uma alteração que prejudica o ritmo natural do coração e pode causar batimentos muito lentos ou pausas. Em alguns casos de insuficiência cardíaca, também pode ser utilizado um aparelho especial, chamado ressincronizador cardíaco, que ajuda a coordenar os batimentos do coração e melhorar sua eficiência.
A necessidade de implantar um marcapasso, no entanto, não é determinada apenas pela frequência cardíaca. “É preciso relacionar o ritmo registrado aos sintomas, verificar se existe uma causa reversível e avaliar o tipo de alteração elétrica”, explica o especialista. Entre os sinais que podem estar relacionados a uma frequência cardíaca inadequadamente baixa estão desmaios, sensação de quase desmaio, tonturas frequentes, fraqueza, cansaço excessivo, intolerância aos esforços, falta de ar, confusão mental e quedas sem explicação. Como esses sintomas também podem aparecer em diversas outras condições, a investigação pode envolver eletrocardiograma, Holter, monitorização prolongada e outros exames, conforme cada caso.
Na implantação tradicional, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar, geralmente com anestesia local e sedação. Um ou mais eletrodos são introduzidos por uma veia até o coração e conectados a um gerador, normalmente colocado sob a pele na região abaixo da clavícula. Depois do implante, o equipamento é testado e programado de acordo com as necessidades do paciente. A internação costuma ser curta, embora o período de permanência varie conforme a condição clínica e a complexidade do procedimento.
Os cuidados após o implante incluem observar a região da incisão e seguir as orientações da equipe médica. Vermelhidão progressiva, secreção, febre, aumento da dor ou inchaço devem ser comunicados ao médico. Também pode haver, durante a recuperação, alguma restrição temporária de movimentos amplos ou esforços com o braço do lado em que o dispositivo foi implantado.
A tecnologia dos marcapassos também evoluiu. Os aparelhos atuais são menores, apresentam maior durabilidade e podem adaptar a frequência dos estímulos às atividades do paciente. O acompanhamento remoto é outro recurso que facilita o monitoramento, permitindo que informações do dispositivo sejam transmitidas à equipe responsável e contribuindo para a identificação de alterações e o acompanhamento da bateria. Entre as inovações estão ainda os marcapassos sem eletrodos, implantados diretamente dentro do coração por meio de um cateter, e técnicas de estimulação mais fisiológica, que procuram utilizar o próprio sistema elétrico cardíaco para preservar melhor a sincronização da contração.
Após o período de recuperação, a maioria dos pacientes pode retomar suas atividades habituais, mas o acompanhamento cardiológico permanece necessário para verificar o funcionamento e a programação do dispositivo e acompanhar a bateria. Celulares e eletrodomésticos comuns, em geral, podem ser utilizados normalmente. Como precaução, recomenda-se não deixar o celular diretamente sobre o marcapasso e, quando possível, utilizá-lo no ouvido oposto ao lado do implante.
Outro cuidado está relacionado a campos magnéticos e equipamentos específicos. Portas de segurança e detectores de metais geralmente não danificam o dispositivo, mas o paciente deve portar a identificação do marcapasso e evitar permanecer parado junto ao detector. Já equipamentos industriais de alta potência e campos magnéticos intensos exigem avaliação específica. Esse cuidado também vale para exames de ressonância magnética: embora atualmente existam sistemas de marcapasso compatíveis com o procedimento, é necessário confirmar a compatibilidade do aparelho e realizar o exame seguindo um protocolo específico.
“Hoje, o marcapasso é um dispositivo seguro, preciso e cada vez mais tecnológico. Quando bem indicado e acompanhado, ele permite controlar alterações importantes do ritmo cardíaco e proporciona ao paciente mais segurança para retomar sua rotina e suas atividades. O mais importante é que sintomas como desmaios, tonturas ou cansaço excessivo não sejam ignorados, pois uma avaliação cardiológica pode identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, finaliza Dr. Fernando Barreto.
