Especialista explica por que controle, respiração e individualização são mais importantes do que simplesmente executar os movimentos
A popularização do Pilates fez com que a modalidade chegasse a públicos cada vez mais diversos. Mas, junto com o crescimento da prática, também surgem dúvidas sobre a forma correta de executar os exercícios e sobre o que realmente determina bons resultados.
Para a fisioterapeuta e especialista em Pilates Mariana Dias, proprietária da unidade do Instituto VOLL em Campinas, a qualidade do movimento é mais importante do que simplesmente completar uma sequência de exercícios.
“O Pilates não é sobre fazer o movimento de qualquer maneira. Existe um trabalho de controle, consciência e precisão. Muitas vezes, diminuir a amplitude ou a velocidade é justamente o que permite que a pessoa execute melhor e aproveite mais aquele exercício”, explica.
A especialista aponta seis erros comuns que podem comprometer a prática:
- Fazer o exercício no automático
Repetir movimentos sem prestar atenção ao corpo pode diminuir a qualidade da execução. No Pilates, concentração e consciência corporal fazem parte do exercício e ajudam o aluno a perceber como está se movimentando. - Prender a respiração
A respiração acompanha o movimento e pode contribuir para o controle e a organização corporal. Segurá-la durante o esforço pode aumentar a tensão desnecessariamente e dificultar a execução. - Confundir amplitude com qualidade
Tentar fazer um movimento cada vez maior não significa necessariamente evoluir. Uma amplitude adequada, realizada com controle, pode ser mais eficiente do que ultrapassar os próprios limites para alcançar uma posição. - Compensar o movimento
Quando uma região do corpo não tem força ou mobilidade suficiente, é comum que outra parte tente compensar. Identificar essas compensações é importante para que o exercício cumpra seu objetivo. - Tentar acompanhar o ritmo de outra pessoa
Cada corpo possui um nível diferente de força, mobilidade, experiência e consciência corporal. Comparar a própria execução com a de outro aluno pode levar a movimentos inadequados ou a uma intensidade que não corresponde à necessidade individual. - Achar que sentir dor significa que o exercício está funcionando
Desconforto muscular e esforço fazem parte de determinadas práticas, mas dor não deve ser utilizada como parâmetro de eficácia. Dor persistente, aguda ou diferente do padrão habitual deve ser investigada.
Pilates não é uma competição
Segundo Mariana, um dos principais diferenciais da modalidade está justamente na possibilidade de adaptar os exercícios para diferentes corpos e objetivos.
“Temos milhares de possibilidades de exercícios e variações. Isso permite adaptar a prática para aquilo que cada pessoa precisa, seja desenvolver força, melhorar mobilidade, trabalhar consciência corporal ou simplesmente se movimentar melhor no dia a dia”, afirma.
A especialista também destaca que a evolução no Pilates não deve ser medida apenas pela capacidade de executar movimentos considerados difíceis. Melhorar a estabilidade, perceber uma mudança na postura, ganhar mobilidade ou realizar uma atividade cotidiana com mais facilidade também são sinais de progresso.
Por isso, mais do que buscar uma execução esteticamente perfeita, a recomendação é respeitar o próprio processo e contar com a orientação de um profissional capacitado para adaptar a prática às necessidades individuais.
