Dormir mal e passar horas no celular? Veja 7 hábitos que prejudicam o bem-estar

Isolamento e sedentarismo também estão entre comportamentos que podem afetar a qualidade de vida; Especialista em Ciência da Felicidade explica o que fazer para começar a mudá-los

Crédito: Magnific 

Dormir mal, passar horas diante de telas, ficar muito tempo sentado e se afastar das pessoas são comportamentos comuns que, quando se repetem, podem prejudicar diferentes aspectos do bem-estar. Alguns afetam o sono e a disposição, enquanto outros reduzem o convívio social, o descanso ou o tempo dedicado a atividades prazerosas. Identificar quais deles estão mais presentes na rotina é o primeiro passo para começar a mudar.

Para Gustavo Arns, especialista em Ciência da Felicidade, um dos riscos é que esses comportamentos se tornem automáticos e deixem de ser percebidos. “Um comportamento danoso ao nosso bem-estar puxa outro, que puxa outro”, afirma. O contrário também pode acontecer. Uma mudança positiva na rotina pode facilitar outras escolhas que favoreçam a qualidade de vida.

Veja sete hábitos que merecem atenção e o que pode ser feito para começar a mudá-los, segundo o especialista.

Os 7 hábitos que merecem atenção

  1. Dormir mal

O sono inadequado pode provocar irritabilidade, sonolência, menor capacidade de concentração e dificuldade para tomar decisões. Quando a privação se torna frequente, também está associada a prejuízos para a saúde física e mental. É durante o descanso que o organismo realiza processos importantes para a memória, o humor e a recuperação física.

Além da quantidade de horas, é importante observar a regularidade dos horários e como a pessoa se sente ao acordar. Arns também recomenda diminuir o contato com telas antes de dormir. Segundo ele, deixar o celular, o computador e outros dispositivos de lado de 30 a 45 minutos antes de se deitar pode ajudar a preparar o corpo para o sono.

  1. Viver sob estresse constante

O estresse é uma resposta natural diante de desafios e não precisa ser tratado como algo sempre negativo. Uma dose de tensão pode ajudar a reagir a determinadas situações, mas o problema começa quando esse estado se prolonga e o organismo tem pouco espaço para se recuperar. Nessa situação, podem surgir alterações no sono, no apetite, na energia e na concentração, além de piora de problemas de saúde preexistentes.

Se a sensação de tensão acompanha boa parte dos dias, vale observar o que está consumindo mais energia e em quais momentos há, de fato, descanso. Pausas ao longo da rotina, tempo longe do trabalho e atividades que ajudem a desacelerar não precisam ficar restritos às férias ou aos fins de semana.

  1. Isolar-se socialmente

Estar sozinho por escolha é diferente de não ter vínculos nos quais seja possível confiar, conversar e pedir ajuda. O Harvard Study of Adult Development, iniciado em 1938, relaciona a qualidade das relações à saúde e à felicidade ao longo da vida. Autoridades de saúde também reconhecem a conexão social como um dos elementos importantes para o bem-estar individual e coletivo.

O especialista aponta que família e amigos costumam aparecer entre as primeiras respostas quando as pessoas são questionadas sobre felicidade, mas nem sempre recebem tempo e atenção compatíveis com essa importância. A solidão também pode se aprofundar quando o contato com outras pessoas vai desaparecendo da rotina.

Para recuperar esses vínculos, não é necessário esperar uma grande mudança. Procurar um amigo, conversar com alguém da família, participar de uma atividade coletiva ou se aproximar mais de pessoas do próprio convívio são possibilidades. O importante é criar oportunidades reais de contato, em vez de esperar que a proximidade aconteça sozinha.

  1. Pensamentos negativos recorrentes

Pensar sobre uma dificuldade pode ajudar a encontrar uma solução, mas o problema aparece quando retorna às mesmas preocupações repetidamente, sem conseguir sair desse ciclo. Esse padrão é chamado de ruminação mental e está associado à manutenção de emoções negativas e a sintomas de ansiedade e depressão.

A proposta não é tentar impedir pensamentos desagradáveis nem se obrigar a pensar de forma positiva. Vale perceber quando a preocupação se tornou repetitiva e está consumindo parte importante do dia. Quando isso provoca sofrimento, interfere na rotina ou se torna difícil de controlar, a orientação é procurar um profissional de saúde.

  1. Passar tempo demais diante de telas, principalmente ao dormir e acordar

Ficar no celular depois de um dia cansativo pode parecer descanso, mas nem sempre significa que a mente realmente parou. O excesso de telas pode ocupar justamente o período que seria destinado à recuperação, além de reduzir o tempo disponível para conversas, hobbies e outras formas de lazer.

O uso próximo ao horário de dormir também merece atenção porque pode atrapalhar o sono. Durante o dia, uma forma de avaliar o excesso é perceber se o celular acompanha todas as refeições, interrompe conversas ou ocupa automaticamente qualquer momento livre. Criar períodos sem dispositivos e fazer pausas realmente offline ajuda a devolver espaço a outras atividades.

  1. Passar muito tempo em ambientes fechados

A luz natural ajuda a regular o relógio biológico, responsável por organizar ciclos como sono e vigília ao longo de aproximadamente 24 horas. Passar grande parte do dia em ambientes fechados e com pouca luminosidade pode dificultar essa regulação e também está relacionado ao humor.

Para quem permanece muitas horas em locais fechados, uma possibilidade é aproveitar momentos do dia para ficar em ambientes externos ou próximos à luz natural. Isso não significa que a exposição ao sol substitua tratamento para alterações de humor ou sintomas de depressão.

  1. Manter uma rotina sedentária e usar substâncias com frequência

A falta de movimento e o uso frequente de álcool, cigarro ou outras substâncias podem prejudicar o bem-estar e estão associados a problemas de saúde física e mental. A atividade física regular, por outro lado, contribui para o sono, a disposição e a saúde mental. Caminhar, pedalar, dançar e realizar outras atividades que coloquem o corpo em movimento também contam.

Para reduzir o sedentarismo, a orientação é começar com movimentos que caibam na rotina. Levantar durante o expediente, caminhar pela casa ou dar uma volta no quarteirão são formas simples de passar menos tempo sentado e incluir mais movimento no dia a dia.

O consumo de álcool e cigarro também merece atenção. A Organização Mundial da Saúde associa o álcool a mais de 200 doenças, lesões e condições de saúde, incluindo depressão, ansiedade e transtornos relacionados ao uso da própria substância. Todas as formas de consumo de tabaco são prejudiciais, e a nicotina provoca dependência. Quando há dificuldade para reduzir o consumo ou sensação de perda de controle, a orientação é procurar um profissional de saúde.

Por onde começar

Perceber hábitos que precisam mudar não significa tentar reorganizar toda a vida de uma vez. Para Arns, a autoavaliação deve ajudar a entender o momento atual, sem se transformar em cobrança. “Faça simplesmente um registro objetivo”, pondera.

Uma saída é escolher o comportamento que mais interfere na rotina e começar por uma mudança possível. Pode ser antecipar o horário de dormir, caminhar durante a semana, procurar alguém que não vê há algum tempo ou estabelecer um período do dia longe das telas. Depois que esse ajuste estiver incorporado, outros podem ser feitos.

Os hábitos ajudam a proteger o bem-estar, mas não substituem acompanhamento especializado. Quando alterações de humor, sono, energia ou interesse persistem, pioram ou começam a prejudicar trabalho, estudos e relações, a orientação é procurar um profissional de saúde.