A “Hora de Ouro” no trauma e como os primeiros 60 minutos salvam vidas

Especialistas explicam o que fazer e o que não fazer ao presenciar um acidente antes da chegada do resgate

Com a chegada do Dia do Trauma, especialistas ressaltam a importância da agilidade e de protocolos específicos no socorro de emergência, principalmente no Brasil, onde o trauma se consolida como uma das principais causas de mortalidade e incapacidade temporária ou permanente. 

Seja para acidentes de trânsito, queda de idosos, acidentes domésticos ou de trabalho, existem regras básicas que devem ser seguidas pelas pessoas e pelas instituições de saúde e que podem evitar lesões maiores e até o risco de vida.

O desfecho dessas emergências depende de uma janela crítica de tempo conhecida pela medicina de urgência: a “Golden Hour” (Hora de Ouro). O conceito refere-se aos primeiros 60 minutos após a ocorrência da lesão, período em que a intervenção médica ágil e precisa reduz significativamente os riscos de morte e sequelas irreversíveis. O conceito também é bastante comum na obstetrícia, pois a primeira hora de vida do bebê também é delicada e exige cuidados.

“Quando falamos em paciente traumatizado, tempo é vida. Na Hora de Ouro, a identificação rápida de hemorragias internas, lesões neurológicas e obstruções respiratórias, aliada à transferência adequada e ao atendimento cirúrgico ou intensivo imediato, são fatores determinantes entre a recuperação plena e uma complicação grave”, explica Dr. Pedro Henrique Ferreira Alves, Gerente Médico do Centro de Trauma do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO), 1º hospital do país certificado por Distinção em Atendimento ao Paciente Traumatizado (SBAIT/IQG).

O que fazer e o que não fazer ao presenciar uma situação de trauma

De acordo com o especialista, até a chegada do socorro especializado (como SAMU ou Corpo de Bombeiros), atitudes corretas da população no local do acidente são vitais:

  • O que fazer:
    • Mantendo a própria segurança, ligue para os serviços de emergência (192 ou 193).
    • Verifique quais são as vítimas e onde estão.
    • Mantenha a vítima calma e imóvel, falando de forma clara.
    • Em caso de sangramentos externos abundantes, faça compressão direta sobre o ferimento com um pano limpo.
  • O que não fazer:
    • Não abandonar a vítima ou omitir socorro.
    • Nunca movimente a vítima ou retire capacetes (em caso de motociclistas), a menos que haja risco iminente de incêndio ou explosão. O manuseio inadequado pode causar lesões permanentes na coluna vertebral.
    • Não tente remover a vítima presa em ferragens ou locais de perigo, sem preparação.
    • Não ofereça água ou alimentos à pessoa acidentada.
    • Não aplique nenhuma substância sobre ferimentos ou queimaduras.

Assistência hospitalar

Para otimizar o tempo dentro da Hora de Ouro, a infraestrutura de emergência do Pronto Atendimento deve contar com exames diagnósticos de alta precisão e rápida resposta, além do acionamento imediato do Centro Cirúrgico e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) quando há indicação cirúrgica ou de suporte crítico. A condução do caso ocorre de forma síncrona por equipes multidisciplinares especializadas, integrando profissionais de medicina de emergência, cirurgia do trauma, ortopedia, neurocirurgia, cardiologia e enfermagem intensiva, garantindo intervenções que evitam danos secundários e maximizam as chances de reabilitação funcional do paciente.

“No HNIPO, seguimos as diretrizes estabelecidas pelo Colégio Americano de Trauma, com Pronto Atendimento de alta complexidade disponível 24 horas, equipe integrada, abordagem multidisciplinar, que garante a estabilização da vítima e triagem adequada para o tratamento definitivo. A lesão, suas forças e localização, além do estado hemodinâmico do paciente determinam a prioridade e o método de avaliação, considerando, sobretudo, lesões com risco iminente de vida e lesões com potencial risco de vida”, comenta o médico.

Em resumo, a conscientização promovida no Dia do Trauma reforça que o tempo e a informação corretos são recursos decisivos na assistência emergencial. A disseminação de protocolos adequados e a agilidade na resposta em saúde contribuem diretamente para a preservação de vidas e a redução de sequelas em situações críticas de trauma.