Xadrez ganha espaço nas escolas e ajuda crianças

Xadrez ganha espaço nas escolas e ajuda crianças a exercitar estratégia, atenção e tomada de decisão

Na Start Anglo Bilingual School Recreio, alunos se preparam para a 3ª Etapa da Liga Escolar no dia 3 de outubro; diretora conta como o comportamento diante do tabuleiro muda à medida que eles avançam no jogo
 

Em uma partida de xadrez, não existe uma única resposta esperando para ser encontrada. A cada movimento do adversário, o jogo muda e é preciso observar novamente, avaliar possibilidades, escolher um caminho e pensar no que pode acontecer depois. Para crianças acostumadas a estímulos rápidos e respostas quase imediatas, permanecer diante de um tabuleiro acompanhando uma partida inteira já propõe uma experiência diferente.
 

Na Start Anglo Bilingual School Recreio, o xadrez é liderado pelo professor Moisés do Carmo, faz parte das atividades dos estudantes e ganha atenção especial no dia 3 de outubro, quando alunos da escola participam da 3ª etapa do Circuito de Xadrez da Liga Escolar 2026. Nas aulas que antecedem a disputa, a diretora pedagógica e psicopedagoga da escola, Cristiane Cristo, acompanha uma evolução que nem sempre aparece apenas no resultado das partidas.
 

“Quando começam, muitos querem movimentar a peça rapidamente. Com o tempo, você percebe que passam a parar, olhar o tabuleiro inteiro, observar o que o adversário está fazendo e pensar em diferentes possibilidades antes de decidir. Eles ficam mais atentos à partida e começam a entender que nem sempre a primeira ideia é a melhor”, explica Cristiane Cristo que complementa:
 

“Uma coisa que chama atenção é a maneira como eles começam a lidar com o erro. No início, perder uma peça importante pode desorganizar completamente a criança. Depois, ela percebe que precisa olhar para o que ainda tem no tabuleiro e encontrar outro caminho. Você começa a ouvir ‘eu poderia ter feito diferente’ ou ‘não percebi que ele faria isso’. Essa capacidade de analisar a própria decisão vai aparecendo aos poucos”, conta o professor.
 

O xadrez também exige uma habilidade simples, mas cada vez mais desafiadora em meio a tantos estímulos: esperar. Existe o tempo do adversário, o momento de observar e a necessidade de continuar acompanhando o jogo mesmo quando não é a sua vez de movimentar uma peça.
 

No campeonato de 3 de outubro, entram ainda outros elementos da experiência: competir seguindo as mesmas regras, administrar a expectativa pelo resultado e continuar raciocinando mesmo diante da pressão de uma partida.

“Depois de um tempo, o ‘ganhei’ ou ‘perdi’ já não é a única coisa que importa na conversa. Eles começam a querer entender onde a partida mudou, qual jogada funcionou, o que não perceberam e o que poderiam ter feito de outra maneira. Para quem acompanha as aulas, essa evolução fica muito clara. A criança começa a jogar com mais calma, observa mais e passa a justificar as próprias escolhas”, afirma Cristiane.
 

Para a diretora e psicopedagoga, é justamente essa combinação entre atenção, estratégia, tomada de decisão, análise do erro e necessidade de adaptação que faz com que uma partida possa oferecer aprendizados que ultrapassam aquele momento diante do tabuleiro.

“Xadrez é um jogo em que pensar faz parte da ação. A criança percebe que decidir rápido nem sempre significa decidir bem e que mudar de estratégia não significa que tudo deu errado. Aos poucos, ela aprende a olhar com mais atenção antes de agir. E acompanhar essa mudança na forma como eles jogam é uma das partes mais interessantes das aulas.”