Por muito tempo, levar crianças a um restaurante significava procurar um “menu kids”, espaço para brincar e pratos adaptados ao paladar infantil. Contudo, os hábitos das famílias estão mudando e a relação das novas gerações com a gastronomia também. Hoje, as crianças são apresentadas cada vez mais cedo a diferentes sabores, restaurantes e experiências à mesa. O desafio para o foodservice, portanto, pode estar menos em criar uma versão infantil do restaurante e mais em construir uma experiência da qual a criança também queira fazer parte.
O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, traz uma oportunidade para discutir justamente essa transformação. Como os restaurantes podem conquistar consumidores que ainda não têm poder de compra, mas já começam a desenvolver preferências, referências e memórias de consumo?
O fato é que a nova geração também escolhe onde a família vai comer. No setor de alimentação, essa influência ganha uma dimensão particularmente interessante. Afinal, embora os pais sejam os responsáveis pelo pagamento, a experiência da criança pode determinar se aquele restaurante entrará ou não no repertório da família. Saber disso muda a lógica de hospitalidade, porque não basta pensar “o que a criança vai comer”. É preciso considerar como ela será recebida, o que verá, o que poderá experimentar e, principalmente, qual memória levará daquele momento. Para o restaurante, essa pode ser uma oportunidade de construir um relacionamento muito antes daquele consumidor ter autonomia financeira.
Outro movimento que merece atenção é a maior abertura das famílias para apresentar às crianças novos ingredientes e diferentes cozinhas. Nesse cenário, restaurantes que trabalham com uma proposta gastronômica específica podem ter um papel interessante na formação do repertório alimentar. Em vez de necessariamente adaptar toda a experiência, podem criar condições para que os pequenos participem do ritual da refeição e descubram novos sabores ao lado dos pais. Essa é, justamente, a proposta que pode ser observada noL’Entrecôte de Paris – rede de bistrôs que inovou no Brasil com o conceito de prato único.
A marca não possui um prato ou menu kids. Ainda assim, recebe famílias que buscam compartilhar uma experiência gastronômica e apresentar às crianças uma refeição tradicionalmente encontrada em Paris. O conceito é baseado em um prato principal, composto pelo tradicional entrecôte servido em fatias acompanhado por fritas e o molho secreto da casa, permite que a marca trabalhe com a ideia de simplicidade aliada à qualidade, permitindo que a experiência seja compartilhada por diferentes gerações.
Mais do que criar uma versão infantil do seu conceito, o restaurante aposta na experiência completa: ambiente, apresentação, atendimento, ritual à mesa e, naturalmente, em uma combinação gastronômica que tem elementos bastante familiares ao paladar infantil: carne e batatas fritas. Todos esses itens combinados colaboram diretamente para que uma memória afetiva e positiva seja criada. A primeira visita a determinado restaurante, uma sobremesa compartilhada com os pais, o ambiente diferente, uma comemoração em família ou até mesmo a descoberta de um novo sabor podem se transformar em referências afetivas, um ativo extremamente relevante para as marcas.
Isso significa, que a experiência gastronômica pode começar a construir fidelidade antes mesmo de existir uma relação de consumo independente. Por isso, o Dia das Crianças pode ser mais do que uma oportunidade para oferecer promoções ou criar pratos especiais, mas um convite para que o setor reflita sobre como está preparando seus restaurantes para receber a próxima geração de consumidores.
“A criança não precisa necessariamente de um cardápio diferente para se sentir acolhida em um restaurante. Ela precisa perceber que aquele espaço também foi pensado para ela e que pode participar daquela experiência com a família”, explica Glaucia Fernandes, diretora executiva do L’Entrecôte de Paris. Para a executiva, essa mudança de perspectiva pode ser importante para restaurantes que desejam construir relacionamento de longo prazo com seus consumidores.“Quando uma marca consegue fazer parte de uma memória familiar, ela começa a construir uma relação que vai muito além daquela refeição”, acredita.
