Perdeu a carteira de vacinação? Saiba o que fazer quando não há registro das vacinas
Falta de comprovantes não significa que é preciso recomeçar todas as imunizações; histórico, idade e situação vacinal ajudam a definir quais doses são necessárias
Você sabe quais vacinas tomou ao longo da vida? Para muita gente, a resposta não é tão simples. A carteira de vacinação da infância se perdeu, os registros ficaram espalhados entre diferentes serviços ou simplesmente não acompanharam as mudanças de endereço e de fase da vida. O problema costuma aparecer quando é necessário comprovar uma imunização ou quando surge a dúvida sobre quais doses ainda estão pendentes.
Segundo a enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, perder a carteira não significa necessariamente ter que começar todo o calendário novamente. O primeiro passo é tentar recuperar os registros existentes e, a partir das informações disponíveis, avaliar quais vacinas precisam ser atualizadas. “É comum recebermos adultos que não sabem quais vacinas tomaram ou que têm apenas parte dos registros. A orientação não é simplesmente aplicar todas as vacinas novamente. Avaliamos a idade, o histórico que a pessoa consegue recuperar, possíveis registros disponíveis e as recomendações atuais para definir a melhor conduta”, explica Elisa.
Uma das possibilidades é procurar as unidades de saúde e clínicas onde as vacinas foram aplicadas. Registros mais recentes também podem estar disponíveis de forma digital. Quando não é possível localizar a informação, a avaliação deve ser individualizada.
E se eu não souber se já tomei determinada vacina?
A ausência de registro é diferente de estar com uma vacina atrasada. Dependendo do imunizante, da idade e do histórico da pessoa, o profissional pode recomendar completar o esquema ou considerar outras estratégias para verificar a proteção. “Não é indicado tentar reconstruir a carteira apenas pela memória. Muitas pessoas lembram que receberam ‘alguma vacina’, mas não sabem qual, quantas doses foram aplicadas ou quando isso aconteceu. O registro é importante justamente porque alguns esquemas exigem mais de uma dose ou reforços ao longo da vida”, explica a especialista.
Outro receio frequente é receber novamente uma vacina que já tenha sido aplicada no passado. Segundo Elisa, essa possibilidade também deve ser analisada conforme o imunizante e a situação individual. “Quando não existe comprovação, o profissional avalia qual é a recomendação mais segura. O importante é não deixar de se proteger simplesmente porque a carteira foi perdida”, afirma.
Vacinação não termina na infância
A especialista lembra ainda que recuperar a carteira é uma oportunidade para verificar a situação vacinal como um todo. Vacinas contra doenças como tétano, difteria, coqueluche, hepatite B, sarampo, caxumba, rubéola, influenza e Covid-19, entre outras, podem fazer parte das recomendações para adultos, dependendo da idade, histórico, condições de saúde e outros fatores. “Existe uma percepção de que carteira de vacinação é algo da infância, mas a imunização acompanha todas as fases da vida. Mesmo quem acredita estar com tudo em dia pode precisar de reforços ou de vacinas indicadas para uma nova faixa etária ou condição”, ressalta Elisa.
Para evitar que o problema se repita, a recomendação é guardar a carteira física e manter, sempre que possível, uma cópia digital ou fotografia atualizada dos registros. “Hoje o celular facilita muito. Ter uma foto legível da carteira pode fazer diferença caso o documento físico seja perdido”, completa. A Clínica Vacinne orienta que, diante de dúvidas sobre o histórico vacinal, a pessoa procure um serviço de saúde para avaliação individualizada antes de decidir quais doses receber.