Musculação por 12 semanas fortalece músculos respiratórios e melhora perfil inflamatório em idosos

Ensaio clínico com participação da Unifesp identificou aumento da força inspiratória e expiratória e alterações em marcadores associados à inflamação e ao envelhecimento saudável

Os benefícios da musculação na terceira idade podem ir além do fortalecimento de braços e pernas. Um ensaio clínico randomizado com 60 pessoas entre 60 e 75 anos mostrou que 12 semanas do treinamento foram capazes de aumentar significativamente a força dos músculos envolvidos na respiração e, ao mesmo tempo, produzir alterações favoráveis em marcadores associados à inflamação e ao envelhecimento saudável.

O estudo, publicado no

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Trinta permaneceram sem intervenção, enquanto outros 30 realizaram treinamento resistido supervisionado durante 12 semanas, com três sessões semanais. O programa incluiu sete exercícios envolvendo grandes grupos musculares dos membros superiores e inferiores, com progressão individualizada das cargas.

Ao final do período, os pesquisadores observaram aumento significativo tanto da força inspiratória quanto da força expiratória entre os participantes que fizeram musculação, indicando que um programa convencional de treinamento de força pode promover adaptações também nos músculos responsáveis pela respiração.

“

Exercício também modificou marcadores ligados ao envelhecimento

Além dos ganhos musculares, o estudo encontrou alterações em marcadores sanguíneos relacionados à resposta inflamatória. Após as 12 semanas, houve redução da interleucina-6 (IL-6), molécula associada a processos pró-inflamatórios, e aumento da interleucina-10 (IL-10), que possui papel regulador e anti-inflamatório.

Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o aumento da α-Klotho, proteína que vem sendo investigada por sua relação com diferentes processos biológicos envolvidos no envelhecimento.

O avanço da idade costuma ser acompanhado por um estado persistente de inflamação de baixa intensidade, conhecido como

“Não estamos falando apenas de ganhar força. Encontramos, ao mesmo tempo, adaptações musculares e mudanças em marcadores biológicos relacionados à inflamação e ao envelhecimento. Essa resposta integrada é particularmente interessante quando pensamos em estratégias para preservar a autonomia e a capacidade funcional ao longo dos anos”,

Três sessões por semana

O programa adotado na pesquisa teve duração de três meses, com três sessões supervisionadas por semana. Os participantes realizaram exercícios como puxada, supino em máquina, elevação lateral dos ombros, exercícios para bíceps e tríceps e movimentos de extensão e flexão dos joelhos.

Foram realizadas quatro séries de oito a 15 repetições, com cargas progressivamente ajustadas de acordo com o desempenho e a tolerância de cada participante. O treinamento começou em torno de 65% da carga máxima individual e evoluiu progressivamente em direção a aproximadamente 80%.

Os pesquisadores destacam que o protocolo utilizado no estudo não deve ser entendido como uma prescrição universal. Frequência, intensidade, volume e escolha dos exercícios precisam ser adaptados às condições de saúde, experiência anterior, capacidade funcional e objetivos de cada pessoa.