Hotel da Ilha, em Ilhabela: boa localização e estrutura ampla, mas experiência ainda precisa de ajustes
O Hotel da Ilha, em Ilhabela, passou recentemente a aceitar hóspedes acompanhados de seus dogs, ampliando as opções DogFriendly na região. A mudança é positiva, principalmente em um destino onde muitas famílias procuram viajar com seus animais.
Nossa experiência, porém, mostrou que o hotel ainda está em uma fase de adaptação. Há pontos interessantes na estrutura e na localização, mas também aspectos importantes de atendimento, limpeza, manutenção e experiência DogFriendly que ainda precisam evoluir.
Ficamos hospedados no quarto 33, uma acomodação espaçosa e com uma configuração diferente.

Ao entrar encontramos uma cama de casal e uma cama de solteiro, TV e frigobar pequeno. Descendo três degraus, há uma segunda área com mesa, armário, ar condicionado e o banheiro.
Essa divisão ajuda a dar sensação de amplitude ao quarto, mas também traz uma limitação importante: por causa dos degraus, a acomodação não é adequada para quem possui dificuldade de locomoção ou necessita de acessibilidade.
Quarto amplo, mas com alguns pontos de atenção
O quarto 33 fica praticamente entre a área das piscinas e o estacionamento, o que pode resultar em barulho dependendo do movimento do hotel.
Há também uma janela voltada diretamente para a área da piscina. Ela ajuda na iluminação e ventilação do ambiente, mas, na prática, não é tão confortável deixá-la aberta por muito tempo, já que a circulação de hóspedes acontece logo em frente e a privacidade acaba ficando comprometida.
Outro ponto que chamou nossa atenção foi a limpeza e conservação.

Encontramos superfícies e cantos com pontos e resíduos escuros, além de sinais de desgaste em algumas estruturas e ferragens. São detalhes que indicam necessidade de uma higienização mais minuciosa e de maior atenção à manutenção preventiva.
No banheiro, o chuveiro é elétrico. Para conseguir água realmente quente, foi necessário reduzir bastante a vazão. Quando aumentávamos o fluxo, a temperatura caía rapidamente.
Para quem gosta de banho com mais pressão, isso pode incomodar.
DogFriendly: começou a aceitar, mas ainda falta estrutura
O fato de o Hotel da Ilha ter começado a receber dogs é um ponto positivo.
Mas existe uma diferença importante entre aceitar animais e oferecer de fato uma experiência DogFriendly estruturada.
O hotel informa que empresta potinho e tapetinho higiênico, porém esses itens não estavam preparados no quarto. Foi necessário solicitá-los na recepção.
Além disso, o potinho fornecido era muito pequeno, praticamente adequado apenas a dogs de porte mini, como um Pinscher.
Outro ponto importante é que os dogs não podem permanecer na área do buffet do café da manhã.
Até aí, a regra pode ser compreensível por questões sanitárias. O problema é que, durante nossa hospedagem, não vimos uma área alternativa com mesas onde os tutores pudessem tomar café acompanhados dos dogs.
Na prática, a família precisa se organizar para deixar o animal fora desse momento.
Também é exigido que os dogs permaneçam na guia durante a circulação pelo hotel.
As regras em si não são necessariamente um problema. O que falta é uma estrutura que ajude a integrar melhor o animal à experiência da família.
Algumas mudanças simples já fariam diferença: ter os itens preparados antes da chegada, oferecer potes de tamanhos diferentes e criar algumas mesas externas ou uma área específica para hóspedes acompanhados dos dogs.
Atendimento da recepção foi um dos pontos mais negativos
O atendimento da recepção foi um dos aspectos que mais pesaram negativamente durante nossa estadia.
Sentimos falta de cordialidade, carisma, atenção e interesse pelo hóspede.
Isso ficou ainda mais evidente no encerramento da hospedagem.
Optamos por fazer um check-out antecipado, saindo antes da data inicialmente prevista. Mesmo diante disso, o atendente da recepção não demonstrou preocupação e nem sequer perguntou o motivo de estarmos indo embora mais cedo.
Em hotelaria, esse tipo de situação deveria naturalmente despertar interesse.
Houve algum problema? Algo poderia ter sido resolvido? A experiência deixou a desejar em algum aspecto?
Além de demonstrar atenção, esse tipo de pergunta também seria uma oportunidade para o hotel entender melhor a percepção do hóspede e identificar eventuais pontos de melhoria.
No nosso caso, a ausência dessa iniciativa reforçou a percepção que já havíamos tido durante a hospedagem: falta um atendimento mais acolhedor e interessado na experiência de quem está hospedado.
Café da manhã tem boa variedade e uma solução interessante
O café da manhã é servido das 7h30 às 10h.
A variedade é boa. Encontramos pães, frios, pão de queijo, ovos mexidos, salsicha, bolos, sucos, iogurte, frutas e salada de frutas, entre outras opções.

Um diferencial interessante é a presença de uma proteção de acrílico sobre o buffet.
Como há circulação de pássaros na região, essa estrutura ajuda a impedir que eles tenham contato direto com os alimentos. É uma solução simples, mas funcional e positiva do ponto de vista de higiene.

Por outro lado, quem optar por tomar café mais próximo do horário de encerramento deve ficar atento.
Durante nossa experiência, não percebemos reposição consistente de alguns alimentos que estavam terminando ou já haviam acabado.
Ou seja, embora o café seja servido até as 10h, chegar mais tarde pode significar encontrar uma seleção menor.
Cardápio próprio e cozinha até as 21h30
Além do café da manhã, o hotel também possui um cardápio próprio de lanches e refeições rápidas.
Os preços nos pareceram acessíveis para o padrão de Ilhabela.
A cozinha funciona até as 21h30, o que é uma comodidade interessante para quem chega cansado de um dia de praia ou passeio e prefere não sair novamente à noite.
É um serviço simples, mas que acrescenta praticidade à hospedagem.
Três piscinas, todas sem aquecimento
A área de lazer conta com três piscinas. Duas ficam na região central do hotel: uma adulta e outra infantil. A terceira fica em uma área de deck.

Nenhuma delas é aquecida, algo importante para considerar em dias mais amenos.
A piscina do deck também tem uma particularidade: uma pousada vizinha possui varanda praticamente de frente para essa área.
Na prática, quem estiver na varanda vizinha tem uma visão bastante direta da piscina.
Isso não impede o uso, mas pode reduzir a sensação de privacidade.
Dois estacionamentos, mas o frontal exige atenção
O Hotel da Ilha possui dois estacionamentos.
O primeiro fica em frente ao hotel e é menor. Nesse espaço, percebemos alguns pontos que exigem atenção ao manobrar, como tampas de bueiro e canos aparentes.
Principalmente à noite ou para quem está com um carro mais baixo, vale redobrar o cuidado ao entrar, sair ou estacionar.
Há também um segundo estacionamento na área interna do hotel. Ele possui algumas vagas cobertas, mas são poucas. A maioria das vagas fica descoberta.
Ter duas áreas de estacionamento é positivo, mas o espaço frontal poderia receber melhor acabamento e sinalização para reduzir o risco de o motorista atingir algum obstáculo.
Localização é um dos principais pontos positivos
A localização do Hotel da Ilha é interessante para quem pretende aproveitar essa região de Ilhabela.
O hotel fica a cerca de três quadras da Praia Grande, permitindo chegar até a praia com uma caminhada relativamente curta.
Para quem está sem carro ou prefere evitar deslocamentos constantes pela ilha, essa proximidade é um ponto favorável.
Vale a experiência?
O Hotel da Ilha possui características interessantes.

O quarto é amplo, a localização é conveniente, há três piscinas, o café da manhã apresenta boa variedade e o hotel ainda oferece a praticidade de uma cozinha funcionando até as 21h30 com opções de preços acessíveis.
A recente decisão de aceitar dogs também é um passo positivo.
Nossa experiência, entretanto, mostrou que ainda existem aspectos importantes que precisam evoluir: limpeza, manutenção, funcionamento do chuveiro, atendimento da recepção, reposição do café da manhã, alguns detalhes dos estacionamentos e, principalmente, uma estrutura DogFriendly mais bem desenvolvida.
No quesito DogFriendly, o hotel parece estar dando os primeiros passos.
Aceitar os animais já amplia as possibilidades para quem viaja acompanhado, mas ainda existe uma diferença clara entre permitir a hospedagem dos dogs e oferecer uma experiência realmente pensada para eles e seus tutores.
O melhor
Localização a cerca de três quadras da Praia Grande, quarto espaçoso, três piscinas, boa variedade no café da manhã, cozinha funcionando até as 21h30 e disponibilidade de estacionamento.
Pontos de atenção
Limpeza e conservação, chuveiro elétrico que exige pouca vazão para aquecer, ruído dependendo da localização do quarto, falta de acessibilidade na acomodação testada, ausência de área de café da manhã para hóspedes acompanhados de dogs, estrutura DogFriendly ainda limitada, atendimento da recepção pouco acolhedor e cuidados necessários no estacionamento frontal.
Wi-Fi é instável, na maioria do tempo utilizei a rede do celular mesmo