Halloween reacende mitos sobre gatos pretos e alerta para estigma e negligência com felinos

Associados à má sorte por crenças antigas, animais ainda enfrentam maus-tratos. Especialista reforça que a suposta independência dos gatos não elimina a necessidade de cuidados com a saúde e o bem-estar.

Divulgação UNIFACS (Magnific)

Com a chegada do Halloween, celebrado em 31 de outubro, imagens de gatos pretos ao lado de bruxas, abóboras e cenários sombrios voltam a ocupar o imaginário popular. Embora façam parte da estética tradicional da data, essas representações têm
raízes em antigas superstições que contribuíram para transformar os felinos de pelagem escura em alvos de maus-tratos. A ocasião também abre espaço para discutir outro problema: a ideia de que gatos são animais independentes e, por isso, precisam
de menos atenção do que outros pets.

A associação entre gatos pretos, azar e bruxaria ganhou força na Europa medieval, quando esses animais passaram a ser relacionados a práticas de feitiçaria e a forças sobrenaturais. Ao longo dos séculos, essas narrativas foram incorporadas a
lendas e tradições populares, contribuindo para a permanência do estigma. Entretanto, a correlação entre gatos pretos e má sorte não é universal: em diferentes culturas, esses animais são vistos como símbolos de prosperidade, proteção e boa
fortuna.

Apesar do caráter lúdico das fantasias e decorações de Halloween, o preconceito não deve ser ignorado. A cor da pelagem não determina o temperamento, a saúde ou o comportamento de um animal. Por isso, a data pode ser uma oportunidade para
incentivar a adoção responsável e combater crenças que contribuam para a rejeição de gatos pretos.

Independência não significa ausência de cuidados

O desafio do bem-estar felino vai além das superstições. A percepção de que os gatos são autossuficientes pode fazer com que suas necessidades sejam subestimadas. Embora tenham hábitos diferentes dos cães e sejam capazes de passar períodos
entretidos sozinhos, eles precisam de acompanhamento veterinário, alimentação equilibrada, água fresca, ambiente seguro, estímulos e interação diária.

Outro ponto de atenção é que os felinos podem esconder sinais de dor e desconforto. Mudanças no apetite, no consumo de água, na disposição, na urina, nas fezes ou nos hábitos de higiene devem ser observadas e, quando necessário, avaliadas por um
profissional.

“É importante entender que independência não significa que o gato não precise de atenção. Os felinos necessitam de cuidados preventivos, acompanhamento veterinário e um ambiente que favoreça seu bem-estar físico e emocional. Observar mudanças
de comportamento é fundamental para identificar precocemente possíveis problemas de saúde”, explica a médica veterinária Lorenna Medeiros, da Universidade Salvador (UNIFACS), integrante do maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do
país: o Ecossistema Ânima.

Entre os cuidados essenciais estão manter a vacinação e o controle de parasitas em dia, oferecer alimentação adequada à idade e às condições de saúde do animal, higienizar regularmente a caixa de areia e disponibilizar brinquedos, arranhadores,
esconderijos e locais elevados. A castração deve ser discutida com o médico-veterinário, assim como a frequência das consultas preventivas.

A segurança também merece atenção especial durante o Halloween. Portas abertas para a circulação de visitantes, barulho, fantasias e movimentação intensa podem provocar medo e estresse nos animais. O ideal é manter o gato em um cômodo
tranquilo, com água, alimento, caixa de areia e um local onde possa se esconder. Velas acesas, objetos decorativos pequenos, fios, fitas e enfeites que possam ser ingeridos devem permanecer fora do alcance dos pets. Chocolates e outros doces também
precisam ficar longe dos animais, pois alguns ingredientes podem ser tóxicos.

“Para os responsáveis por gatos pretos, a orientação é a mesma destinada a todos os tutores: oferecer proteção, afeto e cuidados regulares, sem permitir que mitos interfiram na relação com o animal. A adoção deve ser baseada na
compatibilidade com a família e no compromisso de cuidar do pet durante toda a vida. E a CLIVET – Clínica Médica Veterinária da UNIFACS abre as suas portas para a comunidade com serviços de prevenção e acompanhamento veterinário”, destaca
Lorenna Medeiros.