
Energéticos podem prejudicar os dentes? Dentista explica os riscos do consumo frequente
Dra. Juliana Búrigo alerta que a combinação entre alta acidez e açúcar pode favorecer erosão dentária, sensibilidade e o desenvolvimento de cáries
O consumo frequente de bebidas energéticas pode trazer consequências que vão além dos efeitos associados à cafeína e ao excesso de açúcar. A elevada acidez desses produtos também pode afetar diretamente a saúde bucal, favorecendo o desgaste dos dentes, a sensibilidade e o desenvolvimento de cáries.
Segundo a Dra. Juliana Búrigo, a acidez é um dos principais pontos de atenção. Em condições adequadas para a preservação do esmalte dental, é importante que o pH da boca não permaneça por períodos prolongados abaixo de aproximadamente 5,5. Algumas bebidas energéticas apresentam pH bastante inferior a esse nível.
“Os energéticos são bebidas extremamente ácidas. Quando o consumo é frequente, essa exposição favorece a desmineralização dos tecidos dentários, principalmente do esmalte, fazendo com que os dentes sofram um processo progressivo de desgaste”, explica a Dra. Juliana Búrigo.
Açúcar e acidez formam uma combinação preocupante
Além da própria acidez da bebida, muitos energéticos apresentam grandes quantidades de açúcar. As bactérias presentes na placa utilizam açúcares fermentáveis e produzem ácidos, contribuindo para a desmineralização do esmalte e para o desenvolvimento da cárie.
“O problema é que temos dois fatores atuando ao mesmo tempo: uma bebida que já é ácida e uma quantidade elevada de açúcar que favorece a atividade das bactérias relacionadas à cárie. Isso pode criar um ambiente muito mais favorável ao desenvolvimento da doença”, afirma a especialista.
A frequência de consumo também merece atenção. Beber energéticos aos poucos durante várias horas pode provocar exposições repetidas dos dentes à acidez e dificultar a recuperação do equilíbrio natural do ambiente bucal.
Sensibilidade e alterações na aparência dos dentes
A exposição frequente a bebidas ácidas também pode estar relacionada à sensibilidade dentária. Conforme ocorre o desgaste da camada protetora dos dentes, eles podem ficar mais vulneráveis a estímulos provocados por alimentos e bebidas quentes, frios, doces ou ácidos.
Alterações estéticas também podem aparecer. Dependendo da composição da bebida e dos hábitos de consumo, pigmentos podem favorecer manchas e alterações de cor, enquanto a erosão modifica gradualmente a superfície dos dentes.
“Quando o esmalte perde sua estrutura mineral, o dente fica menos protegido. O paciente pode começar a perceber sensibilidade, alterações na cor e até mudanças no formato e na espessura dos dentes ao longo do tempo”, explica a Dra. Juliana.
Escovar os dentes não elimina o efeito da acidez
Manter uma boa higiene bucal é fundamental para a prevenção de cáries e doenças gengivais, mas a escovação, sozinha, não impede os efeitos químicos causados pela exposição frequente dos dentes a bebidas muito ácidas.
A saliva exerce papel importante na neutralização dos ácidos e na recuperação do equilíbrio do ambiente bucal. No entanto, quando as exposições ácidas são muito frequentes, esse processo natural pode ser prejudicado.
“A pessoa pode escovar os dentes corretamente todos os dias e, ainda assim, sofrer os efeitos da erosão ácida se consumir energéticos com muita frequência. A higiene é indispensável, mas também precisamos observar os hábitos alimentares e a frequência de exposição dos dentes a substâncias ácidas”, ressalta a especialista.
Outro cuidado importante é evitar a escovação imediatamente após o consumo de bebidas muito ácidas, período em que a superfície dental pode estar temporariamente mais vulnerável. Enxaguar a boca com água e esperar algum tempo antes de escovar os dentes pode ajudar a minimizar a abrasão.
A recomendação é moderar a frequência de consumo de energéticos, manter uma rotina adequada de higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico periódico, especialmente diante de sinais como sensibilidade, manchas ou desgaste perceptível dos dentes.