Primavera 2026: ciência explica as mudanças na vegetação, nas temperaturas e nas chuvas
Fenômenos astronômicos e meteorológicos ajudam a explicar as transformações observadas na estação que se inicia nesta terça-feira (22)
Foto: Kiko Paz/Novacap
A primavera, que se inicia nesta terça-feira (22), pode ser ainda mais bela quando percebida além do desabrochar das flores e das mudanças no comportamento dos animais. Observar os fenômenos científicos que tornam todas essas transformações possíveis também é encantador.
A posição da Terra ao longo de sua órbita e a inclinação do seu eixo fazem com que diferentes regiões do planeta recebam quantidades diferentes de luz e calor ao longo do ano. Em outras palavras, isso é pura física. São essas mudanças que fazem com que muitas espécies floresçam, brotem ou se tornem mais ativas nesse período.
Em 2026, a primavera começa oficialmente em 22 de setembro, às 21h05, no horário de Brasília, e segue até 21 de dezembro, quando chega o verão. O começo de uma estação não é definido pelo calendário, mas pela posição exata da Terra em sua órbita ao redor do Sol. E é justamente aí que a ciência volta a entrar em cena. Para encontrar esse instante, astrônomos calculam a relação entre o movimento de translação do planeta e a inclinação do seu eixo de rotação.
Segundo a astrônoma do Observatório Nacional (ON), Josina Nascimento, as estações existem justamente porque o eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita e porque o planeta ocupa posições diferentes ao longo de sua trajetória em torno do Sol.
“À medida que a Terra orbita o Sol, seu eixo inclinado sempre aponta na mesma direção e isso faz com que diferentes partes da Terra recebam os raios diretos do Sol em momentos distintos. O instante exato do início de uma estação do ano é determinado por uma posição específica da Terra em sua órbita”, explica. O momento marca o início da primavera no Hemisfério Sul e do outono no Hemisfério Norte.
Infográfico: ASCOM/MCTI
Mudança no regime de chuvas
Além das transformações observadas na paisagem, a chegada da primavera traz mudanças nas condições meteorológicas de grande parte do Brasil. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Fábio Rocha, a estação será marcada por uma transição gradual do período seco para meses com maior ocorrência de chuva em algumas regiões.
“Do ponto de vista meteorológico, o tempo seco que é característica comum do outono e inverno no Sudeste, Centro-Oeste e Centro-Norte do País será aos poucos substituído por períodos com maiores volumes de chuva, sobretudo a partir de outubro”, explica.
Segundo o meteorologista, essas chuvas tendem a ocorrer principalmente na forma de pancadas localizadas, que podem vir acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e, eventualmente, granizo. Por isso, a orientação é acompanhar as previsões do tempo, os avisos meteorológicos e os avisos da Defesa Civil.
A primavera também não significa o fim imediato dos dias quentes e secos. Ao longo da estação, podem ocorrer sequências de dias ensolarados, com temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar durante a tarde.
Nessas situações, recomenda-se atenção especial com pessoas idosas, crianças e animais de estimação, além de hidratação adequada, uso de protetor solar e redução da exposição direta ao sol.
Entre flores, dias mais longos e a presença gradual de chuvas, a primavera marca uma nova etapa do ciclo anual. As mudanças que aparecem na paisagem são a parte mais visível de movimentos que acontecem em escala planetária e começam, com precisão, em um instante calculado pela astronomia.
Infográfico: ASCOM/MCTI