Autor: agitosp

  • Menopausa muda as necessidades do corpo e reforça a atenção à alimentação

    Nutricionista Mari Escobar explica como alimentos variados podem contribuir para a saúde dos ossos e do coração

    Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa chama atenção para uma fase que pode trazer mudanças no corpo e na rotina. Em 2026, o Brasil terá cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos, segundo projeções do IBGE. Em nota técnica, o Ministério da Saúde estima que entre 20% e 30% das mulheres podem apresentar sintomas moderados ou graves durante a transição para a menopausa, que impactam na qualidade de vida, saúde mental e funcionalidade.

    A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação e costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos. A transição pode começar anos antes e incluir ondas de calor, suor noturno, alterações no sono e no humor, sintomas geniturinários e dores nas articulações. A redução do estrogênio também torna a saúde óssea e cardiovascular pontos importantes de atenção.

    Apenas a alimentação não substitui o acompanhamento médico durante a menopausa, mas pode fazer parte do cuidado. “Não existe um alimento capaz de interromper os fogachos ou resolver todas as mudanças dessa fase. O papel da nutrição é contribuir para a saúde dos ossos, do coração e do metabolismo, sem prometer soluções milagrosas”, explica Mari Escobar, nutricionista pós-graduada em Gastronomia Funcional.

    A orientação do Ministério da Saúde é seguir as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, grão-de-bico, cereais integrais, castanhas, sementes, azeite e peixes podem compor uma alimentação variada.

    Atenção aos ossos e ao coração

    Leite e derivados, sardinha e vegetais verde-escuros estão entre as fontes alimentares de cálcio. A quantidade necessária e as possíveis substituições variam conforme a alimentação e as condições de saúde de cada pessoa. A vitamina D também deve ser avaliada individualmente, e a suplementação depende de orientação profissional.

    “Retirar os laticínios sem planejar outras fontes de cálcio e tomar suplementos por conta própria são situações que merecem atenção. Há alternativas para quem não consome determinados alimentos, mas a escolha precisa considerar as necessidades de cada mulher”, orienta a nutricionista.

    A saúde cardiovascular também precisa de acompanhamento. Um padrão alimentar com fibras, vegetais, cereais integrais e gorduras insaturadas pode fazer parte dos cuidados com colesterol, glicemia e pressão arterial.

    Segundo Mari, a avaliação não deve se limitar ao peso. “Pressão, colesterol, glicemia, sono, atividade física e alimentação precisam ser considerados em conjunto. Mudanças importantes na saúde podem acontecer mesmo sem uma grande alteração na balança”, afirma.

    Moderar, sem cortar automaticamente

    Ultraprocessados, bebidas açucaradas, excesso de sal e frituras frequentes devem aparecer com menor frequência na alimentação durante a menopausa. O consumo de álcool também merece atenção, especialmente quando há alterações no sono ou piora de sintomas.

    Por outro lado, café e alimentos picantes não precisam ser retirados por todas as mulheres. Algumas percebem piora dos fogachos, da sudorese ou do sono, outras, não. Mari recomenda observar a resposta individual antes de fazer restrições.

    “Se a mulher suspeita que o café interfere no sono ou aumenta a sensação de calor, pode observar o que acontece ao reduzir o consumo. Cortar vários alimentos ao mesmo tempo dificulta identificar o que está relacionado ao sintoma”.

    Soja e linhaça não substituem tratamento

    Soja, linhaça, lentilha e grão-de-bico contêm fitoestrogênios, compostos vegetais com ação diferente do estrogênio produzido pelo organismo. Mari afirma que esses alimentos podem fazer parte de uma dieta equilibrada, mas não são reposição hormonal nem garantem alívio dos sintomas. Os possíveis efeitos das isoflavonas da soja são modestos e podem variar entre as mulheres.

    “Consumir soja ou linhaça como parte da alimentação é diferente de usar cápsulas ou extratos concentrados. Suplementos podem ter doses maiores e precisam de avaliação profissional, sobretudo quando há doenças ou uso de medicamentos”, explica.

    A recomendação da nutricionista é evitar tanto promessas de cura quanto dietas rígidas. “Não existe uma dieta única para a menopausa. A orientação precisa considerar os sintomas, a saúde, as preferências e a rotina de cada mulher. O objetivo é construir escolhas possíveis de manter e buscar acompanhamento quando necessário”, finaliza Mari.

  • Saiba como acompanhar o envelhecimento do seu pet

    Alimentação, acompanhamento veterinário e adaptações na rotina ajudam a identificar mudanças e preservar a qualidade de vida de cães e gatos idosos

    Assim como acontece com os seres humanos, envelhecer é uma parte natural da vida de cães e gatos. Com os avanços na medicina veterinária, na nutrição e nos cuidados oferecidos pelos responsáveis, os pets também estão vivendo por mais tempo. Cães de pequeno porte, por exemplo, podem chegar aos 18 anos, enquanto os de grande porte podem alcançar cerca de 13 anos. Entre os gatos, a expectativa pode chegar a aproximadamente 20 anos quando criados em ambientes seguros e com os cuidados adequados.

    Mais do que representar apenas uma mudança na idade, essa fase vem acompanhada de transformações no organismo e no comportamento dos animais. Redução da atividade física, alterações no metabolismo, mudanças no peso e na mobilidade e necessidades nutricionais diferentes são alguns dos aspectos que podem aparecer ao longo do envelhecimento.

    “O envelhecimento é um processo natural e cada animal passa por ele de uma maneira. Por isso, observar o comportamento, a alimentação e a disposição do pet ao longo do tempo ajuda o responsável pelo pet a perceber mudanças e buscar orientação quando necessário”, explica Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.

    A idade em que um animal passa a ser considerado sênior também não é igual para todos. Para cães, pode-se considerar a partir dos 7 anos, e para gatos a partir dos 10, embora possa ter variação de acordo com o porte e estado fisiológico de cada pet.

    Uma das principais adaptações durante o envelhecimento está relacionada à alimentação. Com a redução da atividade física e as mudanças no metabolismo, o controle do peso passa a ter ainda mais importância. Ao mesmo tempo, é necessário garantir nutrientes que contribuam para a manutenção da massa muscular, da saúde intestinal e do funcionamento adequado do organismo.

    Proteínas de boa qualidade e alta digestibilidade, fibras, prebióticos, vitaminas, minerais e antioxidantes podem fazer parte de uma alimentação adequada para essa fase. A composição e a quantidade de alimento, porém, devem considerar as características individuais do animal, como idade, porte, nível de atividade e condições de saúde. Também vale observar mudanças no apetite, na ingestão de água e na mastigação, que podem indicar a necessidade de uma avaliação veterinária.

    Alguns animais passam a dormir mais, apresentam menor disposição para atividades ou demonstram dificuldade para subir em móveis, escadas ou realizar movimentos que antes faziam parte da rotina. Nesses casos, os cuidados podem ser adaptados para oferecer mais conforto, sem deixar de estimular o animal de acordo com suas condições.

    Passeios e brincadeiras devem respeitar a disposição e a mobilidade de cada pet, enquanto camas, comedouros e outros recursos podem ser posicionados de maneira mais acessível quando necessário. O acompanhamento veterinário também deve fazer parte da rotina, permitindo monitorar peso, mobilidade, saúde oral e outras alterações que podem surgir com a idade.

    Mais importante do que olhar apenas para a idade é conhecer os hábitos e as características de cada pet. Observar mudanças graduais e manter consultas periódicas ajuda a identificar novas necessidades e adaptar os cuidados ao longo do envelhecimento, contribuindo para que cães e gatos aproveitem essa fase com mais conforto e qualidade de vida.

  • 8 benefícios das fibras para a saúde

    Da saúde intestinal ao estímulo natural do GLP-1.

    As fibras alimentares são componentes dos alimentos de origem vegetal que resistem à digestão e à absorção no intestino delgado. Estão presentes em cereais integrais, leguminosas (como feijão e lentilha), frutas, verduras, legumes e sementes. Por chegarem praticamente intactas ao intestino grosso, exercem diversas funções importantes para a saúde, contribuindo para o equilíbrio da microbiota intestinal, o bom funcionamento do intestino e a regulação de diferentes processos do organismo.

    Tipos de fibras

    Embora sejam conhecidas simplesmente como fibras, elas apresentam características diferentes, que influenciam a forma como atuam no organismo. Tradicionalmente, são classificadas em solúveis e insolúveis, de acordo com sua capacidade de se dissolver em água. Essa classificação, porém, não explica completamente seus efeitos fisiológicos. Atualmente, sabe-se que outras características, como a viscosidade e a capacidade de fermentação pela microbiota intestinal, também são determinantes para compreender como cada fibra atua e quais benefícios pode proporcionar à saúde.

    Fibras solúveis

    As fibras solúveis estão presentes em alimentos como aveia, cevada, leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha), frutas, especialmente maçã, frutas cítricas e frutas vermelhas, além de sementes como chia e linhaça. Em contato com a água, formam um gel viscoso no trato gastrointestinal, o que retarda o esvaziamento gástrico, aumenta a saciedade e reduz a velocidade de absorção da glicose e do colesterol. Muitas delas também são fermentadas pela microbiota intestinal, favorecendo a produção de ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato, compostos associados à saúde intestinal, ao metabolismo e à modulação da resposta imunológica.

    Fibras insolúveis

    As fibras insolúveis são encontradas principalmente no farelo de trigo, em cereais integrais, verduras, cascas de frutas, nozes e sementes. Seus principais componentes são a celulose, algumas hemiceluloses e a lignina. Diferentemente das fibras solúveis, elas não se dissolvem em água nem formam géis viscosos e, em geral, apresentam menor fermentação pela microbiota intestinal. Sua principal função é aumentar o volume e a hidratação das fezes, estimular o trânsito intestinal e contribuir para a prevenção da constipação.

    É importante destacar que essa classificação é utilizada para facilitar a compreensão, mas, na prática, os alimentos costumam conter uma combinação de fibras solúveis e insolúveis. A aveia, por exemplo, é conhecida pelo seu teor de beta-glucanas, uma fibra solúvel, mas também contém fibras insolúveis. Da mesma forma, o farelo de trigo é rico em fibras insolúveis, embora também forneça pequenas quantidades de fibras solúveis. O que varia entre os alimentos é a predominância de um tipo de fibra. Além disso, características como viscosidade e fermentabilidade também influenciam seus efeitos no organismo, o que explica por que diferentes alimentos podem oferecer benefícios distintos à saúde.

    Principais benefícios das fibras 

    Estímulo natural ao GLP-1 e ao PYY: As fibras, especialmente as fermentáveis, favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta pela microbiota intestinal, como acetato, propionato e butirato. Esses compostos estimulam as células do intestino a liberar hormônios como o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) e o PYY (peptídeo YY), envolvidos na regulação da saciedade, do apetite e da glicemia. Esse é o mesmo sistema fisiológico explorado por medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes. Embora o efeito promovido pelas fibras seja muito mais discreto, uma alimentação rica nesses compostos favorece a resposta natural do organismo e pode contribuir para maior saciedade, melhor controle do apetite e da ingestão alimentar. Por isso, o consumo adequado de fibras é considerado um importante aliado nas estratégias de controle e manutenção do peso, sempre associado a uma alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos saudáveis.

    Saúde intestinal: As fibras são fundamentais para o funcionamento adequado do intestino. Seu consumo regular favorece evacuações regulares, aumenta o volume e a hidratação das fezes, auxilia na prevenção da constipação e da doença diverticular, além de contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal. As fibras fermentáveis também favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam a manter a integridade da barreira intestinal, modulam a resposta imunológica e participam da saúde do cólon.

    Controle da glicemia: As fibras, especialmente as solúveis e viscosas, retardam o esvaziamento gástrico e a absorção dos carboidratos, reduzindo os picos de glicose após as refeições. Além disso, as fibras fermentáveis favorecem a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que podem contribuir para uma melhor resposta à insulina. Dessa forma, o consumo adequado de fibras desempenha papel importante na prevenção e no manejo do diabetes tipo 2.

    Controle do peso: Diversos estudos demonstram uma associação entre maior consumo de fibras e menor peso corporal, menor circunferência da cintura e menor risco de ganho de peso ao longo do tempo. As fibras promovem maior saciedade por diferentes mecanismos, incluindo o aumento da viscosidade do conteúdo intestinal, o retardo do esvaziamento gástrico e o estímulo à liberação de hormônios da saciedade, como o GLP-1 e o PYY. Como consequência, podem contribuir para a redução da ingestão calórica e para um melhor controle do apetite. Esse benefício é mais consistente quando o consumo de fibras ocorre por meio de uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal, e não apenas pelo uso de suplementos isolados.

    Saúde cardiovascular: O consumo regular de fibras está associado à redução dos níveis de colesterol LDL e do risco de doenças cardiovasculares. Alguns estudos também demonstram um efeito modesto na redução da pressão arterial. Esses benefícios são atribuídos principalmente às fibras solúveis e viscosas, que reduzem a absorção de colesterol e favorecem a eliminação de ácidos biliares pelas fezes, levando o organismo a utilizar mais colesterol para produzir novos ácidos biliares.

    Ação anti-inflamatória: A fermentação de fibras pela microbiota intestinal leva à produção de ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato. Esses compostos ajudam a fortalecer a barreira intestinal, modulam a resposta imunológica e exercem efeitos anti-inflamatórios. Estudos mostram que uma alimentação rica em fibras está associada à redução da inflamação crônica de baixo grau, um importante fator envolvido no desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

    Função imunológica: Ao favorecerem o equilíbrio da microbiota intestinal e a integridade da barreira intestinal, as fibras contribuem para o adequado funcionamento do sistema imunológico. Além disso, os compostos produzidos durante a fermentação de algumas fibras ajudam a modular a resposta imunológica, favorecendo o equilíbrio entre mecanismos de defesa e de controle da inflamação.

    Prevenção do câncer colorretal: Estudos mostram que uma alimentação rica em fibras, especialmente provenientes de frutas, verduras, legumes, leguminosas e cereais integrais, está associada à redução do risco de câncer colorretal. Esse efeito parece resultar da ação conjunta de diferentes mecanismos, incluindo a redução do tempo de contato de substâncias potencialmente carcinogênicas com a mucosa intestinal, a produção de ácidos graxos de cadeia curta pela microbiota intestinal — especialmente o butirato, que contribui para a saúde das células do cólon — e a presença de diversos compostos bioativos naturalmente encontrados nos alimentos de origem vegetal.

    Recomendações de ingestão de fibras alimentares

    A quantidade de fibras recomendada varia conforme a idade, o sexo, o nível de ingestão energética e as necessidades individuais. De forma geral, para adultos, recomenda-se uma ingestão diária de aproximadamente 25 g de fibras para mulheres e 38 g para homens.

    Nas crianças e adolescentes, as recomendações aumentam progressivamente com a idade, variando de cerca de 19 g por dia na infância até 25 a 38 g por dia na adolescência, de acordo com o sexo.

    Apesar dessas recomendações, a maior parte da população consome menos fibras do que o recomendado, reforçando a importância de aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais integrais, oleaginosas e sementes.

    O aumento do consumo de fibras deve ser feito de forma gradual e acompanhado de uma ingestão adequada de líquidos, favorecendo a adaptação do organismo e reduzindo a ocorrência de desconfortos gastrointestinais, como gases e distensão abdominal.

    Como aumentar o consumo de fibras na prática

    • Inclua verduras e legumes diariamente nas principais refeições. 
    • Prefira pães, arroz, massas e outros cereais integrais em substituição às versões refinadas. 
    • Consuma frutas diariamente e, sempre que possível, mantenha a casca após higienização adequada. 
    • Aumente o consumo de leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha. 
    • Inclua sementes, como chia e linhaça, na alimentação. 
    • Consuma aveia regularmente, adicionando-a a frutas, iogurtes ou outras preparações. 
    • Varie as fontes de fibras ao longo do dia, pois diferentes alimentos fornecem diferentes tipos de fibras e, consequentemente, benefícios complementares para a saúde.
  • Sedentarismo pode comprometer articulações, músculos e ossos

    Sedentarismo pode comprometer articulações, músculos e ossos e aumentar o risco de problemas musculoesqueléticos

    Falta de movimento está associada à perda de força e massa muscular, redução da mobilidade e maior sobrecarga sobre as articulações; especialista reforça a importância de manter uma rotina ativa

    Passar longos períodos sentado, reduzir a prática de atividades físicas e manter uma rotina com pouco movimento podem trazer consequências para todo o sistema musculoesquelético. Articulações, músculos e ossos dependem de estímulos regulares para preservar mobilidade, força e funcionalidade. Com o passar do tempo, a falta de atividade pode contribuir com a perda de massa e força muscular, perda de massa óssea, redução da capacidade funcional e maior dificuldade para realizar movimentos do dia a dia.

    O cenário é relevante em escala global. Cerca de 1,8 bilhão de adultos, aproximadamente 31% da população mundial, não atinge os níveis mínimos recomendados de movimento diário, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade recomenda que adultos realizem, ao longo da semana, pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em dois ou mais dias por semana.

    Menos movimento, mais perda de força

    Os músculos estão entre os primeiros tecidos a sentir os efeitos de uma rotina pouco ativa. A ausência de estímulos regulares pode favorecer a perda de força e condicionamento, tornando tarefas simples, como subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou carregar objetos, progressivamente mais difíceis.

    “O corpo humano foi feito para se movimentar. Quando reduzimos de maneira importante a nossa atividade física, podemos perder força, mobilidade e condicionamento. Isso cria um ciclo em que a pessoa se movimenta menos porque sente dificuldade ou desconforto e, consequentemente, perde ainda mais capacidade funcional”, afirma a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg.

    A redução da força muscular também pode alterar a maneira como o corpo distribui cargas durante os movimentos. Com músculos menos preparados, determinadas estruturas podem ser submetidas a maior demanda, o que pode contribuir para desconforto e limitação funcional, especialmente quando associado a outros fatores, como excesso de peso, alterações posturais ou lesões prévias.

    Articulações também precisam de movimento

    As articulações dependem de movimento para desempenhar adequadamente suas funções. A prática regular de atividade física ajuda a preservar a amplitude dos movimentos e a capacidade funcional, enquanto períodos prolongados de inatividade podem contribuir para rigidez e redução da mobilidade.
    Isso não significa que toda dor articular seja causada pelo sedentarismo. Doenças reumatológicas, lesões, alterações degenerativas, excesso de peso e diversos outros fatores podem estar envolvidos. Por isso, sintomas persistentes devem ser avaliados individualmente por um médico especialista.

    “É importante diferenciar sedentarismo de uma doença articular. Uma pessoa que sente dor não deve simplesmente interromper todo tipo de movimento. Em muitos casos, a atividade física adequada faz parte do cuidado e deve ser adaptada às condições e limitações de cada indivíduo”, explica Cláudia.

    Ossos também se beneficiam de uma vida ativa

    O tecido ósseo responde aos estímulos mecânicos proporcionados pelo movimento. Atividades físicas que envolvem sustentação de peso e exercícios de fortalecimento podem contribuir para a manutenção da saúde óssea ao longo da vida, dentro das condições individuais de cada pessoa.

    A preocupação ganha importância especialmente com o envelhecimento. A combinação de perda de massa muscular, redução da força e alterações na saúde óssea pode comprometer a autonomia, além de contribuir para a perda de massa óssea levando a osteopenia e e osteoporose, e aumentar a vulnerabilidade a quedas e fraturas.
    “Cuidar da saúde musculoesquelética não deve começar apenas quando aparece uma dor. A prevenção envolve manter-se fisicamente ativo, fortalecer a musculatura, cuidar da alimentação e do peso corporal e fazer avaliações médicas quando houver sintomas ou fatores de risco”, destaca a reumatologista Schainberg.

    Começar aos poucos também conta

    Para quem mantém uma rotina predominantemente sedentária, a recomendação não é necessariamente iniciar atividades intensas de forma repentina. A retomada pode ser gradual, respeitando idade, condicionamento físico, histórico de saúde e eventuais limitações.

    Caminhadas, exercícios de fortalecimento, atividades de mobilidade e a redução do tempo contínuo sentado são algumas estratégias que podem ajudar a tornar a rotina mais saudável e ativa. Pequenas mudanças, como levantar-se periodicamente durante o trabalho, caminhar em deslocamentos curtos e escolher escadas quando apropriado, também podem contribuir para aumentar o movimento ao longo do dia.

    “Não é preciso transformar a rotina de um dia para o outro. O mais importante é reduzir o tempo de inatividade e encontrar formas sustentáveis de inserir movimento no cotidiano. Para quem tem dor, doença reumatológica ou alguma limitação, o ideal é buscar orientação profissional para definir o tipo e a intensidade do exercício mais adequado para cada situação e de forma individualizada”, orienta Cláudia Goldenstein Schainberg.

  • Infecção urinária voltou? Saiba quando episódios recorrentes precisam ser investigados

    Duas infecções em seis meses ou três em um ano já caracterizam recorrência; hábitos, menopausa, cálculos e alterações no esvaziamento da bexiga podem favorecer novos episódios

    A cistite (inflamação na bexiga) não complicada em mulheres normalmente se apresenta com ardência ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro. O tratamento costuma ser simples e os sintomas rapidamente desaparecem. O problema é quando, semanas ou meses depois, os sintomas aparecem novamente. Duas infecções urinárias em seis meses ou três no período de um ano já caracterizam um quadro recorrente, situação em que pode ser necessário investigar o que está favorecendo novos episódios, em vez de apenas tratar cada crise.

    As mulheres são mais suscetíveis às infecções do trato urinário (ITU), principalmente por características anatômicas. Segundo Rodrigo Campos, urologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a uretra feminina é mais curta e está próxima ao ânus, o que facilita a chegada de bactérias do intestino ao trato urinário.

    A Escherichia coli, bactéria normalmente encontrada no intestino, é o microrganismo mais frequentemente relacionado às infecções urinárias. Quando os episódios começam a se repetir, porém, tratar cada nova crise pode não ser suficiente.

    “Quando existe recorrência, precisamos olhar para o histórico da paciente e entender o que pode estar facilitando essas infecções. A frequência dos episódios, a relação com determinados hábitos e as condições clínicas individuais ajudam a definir se é necessário investigar além daquela crise específica”, explica Campos.

    Atividade sexual, gravidez e menopausa estão entre os fatores associados às infecções de repetição. Cálculos urinários e alterações que dificultam o esvaziamento completo da bexiga também podem favorecer novos episódios.

    Após a menopausa, a redução do estrogênio provoca mudanças na mucosa e na microbiota vaginal que podem aumentar a suscetibilidade às infecções urinárias. Por isso, tanto a investigação quanto às estratégias de prevenção devem considerar a idade, o histórico e as condições clínicas de cada paciente.

    Nos quadros recorrentes, a urocultura pode ajudar a confirmar a infecção e identificar a bactéria envolvida. Diretrizes da European Association of Urology recomendam que o diagnóstico de cistite recorrente seja confirmado por cultura de urina. Isso não significa que todas as pacientes precisem passar por uma extensa bateria de exames. Avaliações complementares são indicadas de acordo com o histórico e a suspeita de alterações no trato urinário.

    “Um dos cuidados é evitar que a paciente entre em um ciclo de sentir os sintomas e repetir antibióticos sem avaliação. Além de não esclarecer por que as infecções estão voltando, o uso inadequado desses medicamentos pode favorecer a resistência bacteriana”, afirma o urologista.

    O que pode ajudar a evitar novas infecções?

    As medidas de prevenção dependem dos fatores envolvidos em cada caso. Manter hidratação adequada e evitar passar longos períodos sem urinar estão entre os cuidados que podem ser orientados, especialmente para mulheres que costumam consumir pouco líquido.

    A hidratação, inclusive, já foi estudada como estratégia preventiva. Um estudo citado pela diretriz europeia acompanhou mulheres na pré-menopausa que consumiam menos de 1,5 litro de líquidos por dia. A adição de 1,5 litro de água ao consumo diário reduziu a ocorrência de novos episódios de cistite e o uso de antibióticos ao longo de 12 meses.

    Em algumas situações, outras estratégias podem ser discutidas com o médico. Para mulheres após a menopausa, por exemplo, o estrogênio vaginal pode ser considerado como medida preventiva. Já a profilaxia com antibióticos é reservada a casos selecionados, quando outras medidas não são suficientes, após avaliação individual dos riscos e benefícios.

    A repetição das infecções já é motivo para procurar avaliação médica. Também merecem atenção sintomas que persistem após o tratamento ou retornam em pouco tempo. Febre, calafrios, náuseas, vômitos e dor na região lombar exigem avaliação, pois podem indicar que a infecção atingiu partes superiores do trato urinário.

    “Mais do que contar quantas infecções a pessoa teve, é preciso entender o padrão. Saber quando elas acontecem, quais fatores estão presentes e se existe alguma condição favorecendo os episódios permite pensar em prevenção, em vez de simplesmente esperar a próxima crise”, conclui Campos.

  • Minha menstruação mudou: devo me preocupar?

    Minha menstruação mudou: devo me preocupar? Ginecologista explica quando o ciclo merece investigação

    Aplicativos ajudam mulheres a acompanhar o período menstrual, mas alterações persistentes no fluxo, na duração ou na regularidade podem ter diferentes causas

    O aplicativo previa a menstruação para hoje, mas ela não veio. Ou chegou antes, durou mais dias, apresentou um fluxo diferente ou veio acompanhada de uma cólica incomum. Com a popularização das ferramentas de monitoramento, as mulheres passaram a observar o ciclo menstrual com mais atenção, e a questionar se qualquer alteração significa que há algo errado.

    Segundo a ginecologista Loreta Canivilo, pequenas variações podem fazer parte do funcionamento natural do organismo. “O ciclo menstrual não precisa funcionar como um relógio. Pequenas variações podem acontecer e, isoladamente, não significam necessariamente que exista um problema. O que merece atenção é uma mudança importante em relação ao padrão habitual da mulher, principalmente quando ela se repete ou aparece acompanhada de outros sintomas”, explica.

    Estresse e mudanças na rotina podem alterar o ciclo?

    Sim. Estresse intenso, alterações no sono, mudanças significativas de peso e exercícios físicos muito intensos podem interferir na ovulação e, consequentemente, modificar temporariamente o ciclo menstrual.

    Isso não significa, porém, que toda irregularidade deva ser atribuída ao estresse. Quando a mudança persiste, outras causas precisam ser consideradas.

    “É importante não colocar tudo na conta do estresse. Ele pode interferir no ciclo, mas uma irregularidade que persiste precisa ser investigada. O organismo está dando um sinal, e precisamos entender o contexto em que essa mudança está acontecendo”, afirma Canivilo.

    Quais mudanças merecem atenção?

    A mulher deve observar o próprio padrão menstrual, e não apenas a previsão do aplicativo. Entre as alterações que podem justificar uma avaliação ginecológica estão:

    • Ciclos que passam a ficar frequentemente irregulares;
    • Sangramento muito mais intenso que o habitual;
    • Menstruação que passa a durar mais tempo;
    • Sangramentos entre as menstruações ou após a relação sexual;
    • Ausência de menstruação sem causa conhecida;
    • Dor pélvica intensa ou sintomas como tontura e fraqueza associados ao sangramento.

    A avaliação também deve considerar idade, histórico clínico, possibilidade de gravidez, medicamentos, métodos contraceptivos e outros sintomas.

    “Não existe um único número capaz de dizer se uma menstruação é normal para todas as mulheres. Precisamos considerar o histórico e o padrão anterior daquela paciente e entender o que mudou”, explica a ginecologista.

    Quando a irregularidade pode indicar SOP?

    Quando alterações menstruais aparecem junto a sinais como aumento de pelos, acne persistente ou outras alterações hormonais e metabólicas, uma das possibilidades investigadas pode ser a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), conhecida também como síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    A condição pode afetar a ovulação e apresentar diferentes manifestações. Ter ciclos irregulares, entretanto, não significa automaticamente ter SOP.

    “A SOP não deve ser diagnosticada apenas porque a mulher tem ciclos irregulares. O diagnóstico depende da avaliação médica e da análise do conjunto de sinais, sintomas e, quando indicados, exames complementares”, esclarece Loreta Canivilo.

    Perimenopausa também muda o padrão da menstruação

    A perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa, também pode alterar a regularidade, duração e intensidade das menstruações. Ondas de calor, alterações do sono e mudanças de humor podem acompanhar essa fase.

    A menopausa é caracterizada, retrospectivamente, pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, sem outra causa que explique o quadro.

    “Na perimenopausa, é comum que a mulher perceba que o ciclo já não tem o mesmo padrão de antes. Mas mesmo nessa fase não devemos atribuir automaticamente todo sangramento às alterações hormonais. A história clínica é fundamental para definir quando é necessário investigar”, diz Loreta.

    Após a menopausa, qualquer novo episódio de sangramento vaginal deve ser comunicado ao ginecologista e investigado.

    Aplicativo: aliado ou fonte de ansiedade?

    Registrar datas, sintomas e características do fluxo pode ajudar a mulher a conhecer o próprio ciclo e fornecer informações úteis durante uma consulta. O cuidado é não transformar a previsão do aplicativo em uma regra rígida ou em ferramenta de diagnóstico.

    “O aplicativo é uma ferramenta de acompanhamento, não um instrumento de diagnóstico. A previsão é baseada em padrões registrados e pode não refletir exatamente o que vai acontecer naquele mês. A mulher não precisa entrar em pânico porque menstruou alguns dias antes ou depois do previsto”, orienta Loreta.

    O objetivo, segundo a especialista, é utilizar a tecnologia para reconhecer tendências e perceber mudanças persistentes, sem transformar pequenas variações em motivo de ansiedade.

    “Conhecer o próprio ciclo é diferente de ficar em alerta a cada pequena variação. O mais importante é reconhecer o próprio padrão e procurar orientação quando houver uma mudança significativa, persistente ou acompanhada de outros sintomas”, completa Loreta Canivilo.

  • Casal transforma experiências no meio liberal em conteúdo 18+

    “Meu 1º amor!”: juntos há 14 anos, casal transforma experiências no meio liberal em conteúdo 18+

    Depois de uma década de relacionamento, Dhi Hotwife e Dom passaram a compartilhar sua intimidade e fazer disso uma fonte de renda que hoje financia viagens e momentos de lazer

    Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. Dhi e Dom mostram que ele também pode durar, se transformar e ganhar novas histórias ao longo do tempo. Juntos há 14 anos, eles encontraram no diálogo e na liberdade para explorar a sexualidade uma maneira de fortalecer a relação. Hoje, além de viverem experiências no meio liberal, compartilham parte dessa rotina com assinantes do Hotvips, plataforma de monetização de conteúdo adulto.

    A entrada nesse universo aconteceu em um período delicado, quando o ciúme possessivo havia levado o casal a uma crise. Foi a partir desse momento que Dhi e Dom começaram a repensar a maneira como se relacionavam e a abrir espaço para conversar sobre desejos e fantasias que antes não faziam parte do diálogo entre os dois. A aproximação com o meio liberal veio como uma possibilidade de explorar essas questões juntos, construindo novos acordos e aprendendo a lidar com os próprios sentimentos. Ao longo desse processo, descobriram outras formas de fortalecer a confiança e a cumplicidade. “Após entrarmos no meio liberal, entendemos que diálogo, cumplicidade e, acima de tudo, verdade sem julgamento são a base do relacionamento”, conta Dhi.

    Descobertas que transformaram a relação

    As primeiras experiências no meio liberal, como ménage e troca de casais, ajudaram os dois a descobrir suas preferências. Nesse processo, Dom se identificou com o universo cuckold, enquanto Dhi passou a se reconhecer como hotwife, dinâmica em que o homem sente prazer ao ver a parceira se relacionando sexualmente com outro homem, dentro dos acordos do casal.

    Apesar dessas identificações, os dois preferem não se prender a rótulos. Para eles, cada experiência pode trazer novas descobertas. A possibilidade de conversar abertamente sobre sexo, fantasias e fetiches tornou a convivência mais leve e ampliou a visão de mundo de ambos.

    A cumplicidade também aparece na escolha de parceiros para os conteúdos de Dhi, que ela vende na plataforma Hotvips.. Dom participa desse processo, e ela afirma confiar nas escolhas dele. “A maioria é ele quem escolhe, e eu amo isso. Ele sempre acerta. Às vezes, ele me avisa que marcou ou me mostra para saber se gostei, mas confio muito no gosto dele”, relata. Outros encontros acontecem espontaneamente, sem planejamento prévio.

    Da intimidade à produção de conteúdo

    A ideia de monetizar as experiências surgiu por sugestão de amigos que já trabalhavam com conteúdo adulto. Depois de cerca de um ano refletindo sobre a decisão, Dhi e Dom resolveram compartilhar publicamente parte do estilo de vida que já levavam, sem criar personagens ou encenar situações.

    Um dos principais desafios foi lidar com a exposição. Como ambos têm tatuagens grandes e marcantes, sabiam que poderiam ser reconhecidos. Antes de começar, conversaram com as três filhas e os demais familiares para que ninguém fosse surpreendido pela divulgação. Segundo Dhi, todos foram informados e respeitaram a escolha do casal.

    Dhi destaca que o conteúdo retrata situações reais, vividas de acordo com os desejos do casal. Não há roteiros ou personagens: eles registram experiências que fazem parte do próprio estilo de vida e depois compartilham os momentos com o público.

    Conteúdo que financia novas experiências

    A renda obtida no Hotvips tem um destino especial: custear viagens e momentos de lazer. Assim, a produção de conteúdo se conecta diretamente à rotina que escolheram construir juntos, ajudando a financiar novas experiências e a aproveitar ainda mais a companhia um do outro.

    A atividade também aproximou o casal de seu público. Dhi conta que passou a ser reconhecida em lugares que frequenta, onde seguidores pedem fotos e demonstram admiração não apenas pelos vídeos, mas também pela liberdade com que os dois vivem e falam sobre a relação.

    O que permanece depois de 14 anos

    Apesar das descobertas e das mudanças ao longo do tempo, Dhi e Dom destacam que o amor, o carinho e a admiração continuam sendo a base da relação. Juntos desde o primeiro namoro, eles viram o relacionamento se transformar, conheceram novas possibilidades e construíram uma dinâmica própria, sem abrir mão da parceria que os acompanha há 14 anos. Para o casal, explorar a sexualidade não significa deixar o amor em segundo plano, mas encontrar novas formas de viver a dois, respeitando os desejos e os limites de cada um.

    Ao olhar para essa trajetória, Dhi destaca a importância de cuidar da relação e não deixar que a rotina afaste o casal. “Acima de tudo, priorizem vocês. Os filhos crescem, a família fica distante com a correria do dia a dia e, no fim, serão vocês dois. Se amem, conversem, deixem o dia mais leve e mantenham sempre o diálogo, sem julgar um ao outro. É importante entender e respeitar o limite de cada um”, aconselha.

    Depois de 14 anos, o primeiro amor continua presente, não como uma lembrança do início da história, mas como uma parceria que se renova a cada descoberta. Para Dhi e Dom, seguir juntos significa continuar escolhendo um ao outro, construindo novos capítulos sem perder de vista aquilo que os uniu.

  • 5 brincadeiras para aproximar os pequenos do inglês

    Foto: Magnific

    No mês das Crianças: cinco brincadeiras para aproximar os pequenos do inglês

    Coordenadora pedagógica do Yázigi orienta como aproveitar músicas, jogos e histórias para inserir o idioma nos momentos de diversão

    São Paulo (SP), outubro de 2026: Uma caça ao tesouro pela casa, uma música acompanhada de gestos ou uma história contada com os brinquedos favoritos podem abrir espaço para o inglês na infância. Com a proximidade do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, essas atividades são alternativas para as famílias que desejam estimular o contato com o idioma enquanto compartilham momentos de diversão com os pequenos. Marcia Lima, coordenadora pedagógica do Yázigi, rede de ensino de idiomas com 76 anos de atuação no Brasil e parte do Grupo MoveEdu, reuniu cinco dicas para explorar a língua inglesa por meio de brincadeiras.

    “O inglês ganha sentido para a criança quando está relacionado a algo que ela gosta de fazer. Durante uma brincadeira, as palavras podem ajudar a encontrar um objeto, interpretar um personagem ou acompanhar uma canção. Assim, o idioma passa a ter uma função naquela experiência, e o pequeno encontra motivos para ouvir, compreender e tentar se comunicar”, explica Marcia.

    Para começar, a orientação é escolher atividades compatíveis com a idade, os interesses e o conhecimento de cada criança. Quem ainda está conhecendo a língua pode brincar com palavras e comandos simples, enquanto os alunos que já estudam inglês podem experimentar frases e pequenos diálogos. A participação dos adultos ajuda a conduzir as propostas, sem transformar o tempo de lazer em uma cobrança por desempenho.

    Organize uma caça ao tesouro

    Esconda brinquedos ou objetos pela casa e ofereça pistas simples em inglês. Cores, números e nomes de cômodos podem orientar a procura, com expressões como “find something blue” ou “look in the kitchen”. Para quem está começando, vale mostrar uma imagem ou apontar a cor mencionada, ajudando o pequeno a compreender o desafio. A atividade também pode partir de pedidos para encontrar e contar determinados itens, como três blocos ou dois carrinhos. O importante é apresentar poucas palavras por vez e retomá-las ao longo da brincadeira, dando oportunidade de associar o que escuta ao que encontra.

    Combine músicas com gestos e movimentos

    Canções infantis na língua inglesa podem ser acompanhadas de palmas, danças e gestos que representem as palavras. Músicas sobre partes do corpo, por exemplo, permitem que a criança aponte a cabeça, os ombros ou os pés enquanto acompanha a letra. Já aquelas que mencionam animais podem ganhar imitações de sons e movimentos. Em vez de apenas deixar a música tocando, o adulto pode participar e convidar o pequeno a repetir os gestos. Não é necessário compreender toda a letra de uma vez, pois a proposta é explorar os sons e reconhecer expressões que aparecem com frequência, respeitando o interesse da criança.

    Leve o idioma para o faz de conta

    Brincar de restaurante, mercado ou loja cria situações para usar o inglês com uma finalidade. Com alimentos de brinquedo, embalagens vazias ou desenhos, é possível montar um cardápio e fazer pedidos simples, como “an apple, please”. Expressões de cumprimento e agradecimento também podem entrar nos diálogos. Os papéis podem ser alternados para que a criança tenha a oportunidade de pedir, oferecer e responder. Se ela ainda conhece poucas palavras, o adulto pode apresentar um modelo e deixar que escolha entre duas opções. Conforme ganha familiaridade, novas expressões podem ser incorporadas à cena.

    Adapte jogos que a criança já conhece

    Jogos da memória, bingo e brincadeiras de adivinhação podem incluir imagens de animais, roupas, alimentos ou objetos do cotidiano. No jogo da memória, por exemplo, cada par encontrado pode ser acompanhado do nome da figura em inglês. No bingo, o participante ouve a palavra e procura a imagem correspondente em sua cartela. Também é possível brincar com comandos, como em “simon says”, versão semelhante ao “seu mestre mandou”. Pedidos para pular, sentar ou levantar as mãos associam a escuta a uma ação. Como as regras já são familiares, fica mais fácil concentrar a atenção nas palavras usadas durante a atividade.

    Conte histórias com a ajuda dos brinquedos

    Livros ilustrados, bonecos e bichos de pelúcia podem dar vida a narrativas curtas em inglês. O adulto pode apresentar os personagens, nomear objetos nas imagens e repetir frases simples ao longo da história. Perguntas sobre cores ou animais permitem que a criança participe apontando, escolhendo uma figura ou respondendo com as palavras que já conhece. Outra possibilidade é convidá-la a decidir o que acontece depois, usando os brinquedos para representar a cena. A história não precisa ser longa nem ter todas as falas em inglês. A inclusão gradual do idioma ajuda a preservar o envolvimento com a narrativa e abre espaço para novas descobertas.

    “Os adultos não precisam dominar o inglês para apoiar esse contato, mas podem buscar materiais adequados à idade e participar das atividades. Mais do que cobrar a repetição correta de cada palavra, vale reconhecer quando compreendem uma pista, identificam uma imagem ou tentam fazer um pedido. Essas pequenas conquistas ajudam a construir confiança para continuar aprendendo”, finaliza Marcia.

  • Infarto e parada cardíaca não são a mesma coisa: saiba reconhecer as diferenças

    Embora os termos ainda sejam usados como sinônimos, as duas emergências têm mecanismos, sinais e formas de atendimento diferentes. Entender essa distinção ajuda a reconhecer situações de risco, acionar o atendimento de emergência rapidamente e compreender quando recursos como a desfibrilação podem fazer parte do socorro

    Dor forte no peito, desmaio repentino, falta de ar e perda de consciência podem indicar uma emergência cardiovascular, mas nem sempre significam a mesma coisa. Infarto e parada cardíaca são condições distintas e exigem respostas diferentes, embora um infarto possa, em determinadas situações, desencadear uma parada cardíaca.

    Enquanto o infarto está relacionado principalmente a uma interrupção ou redução do fluxo de sangue que chega a uma região do músculo cardíaco, a parada cardíaca acontece quando o coração deixa subitamente de manter uma circulação sanguínea eficaz.

    Saber reconhecer os sinais pode fazer diferença especialmente porque, nas duas situações, o tempo até o atendimento é determinante.

    O que acontece durante um infarto

    O infarto agudo do miocárdio ocorre quando o fornecimento de sangue para uma parte do coração é interrompido ou reduzido, geralmente pela obstrução de uma artéria coronária. Sem oxigênio suficiente, células do músculo cardíaco começam a sofrer danos.

    Entre os sinais mais conhecidos estão dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para braços, costas, pescoço ou mandíbula, além de falta de ar, suor frio, náusea, palidez e sensação de desmaio. A manifestação, porém, pode variar de pessoa para pessoa.

    Durante um infarto, o coração não necessariamente para de bater. A pessoa pode permanecer consciente e respirando enquanto apresenta os sintomas. Por isso, esperar uma perda de consciência para buscar ajuda é um erro.

    “Um dos principais pontos de confusão é imaginar que todo problema cardíaco súbito significa que o coração parou. No infarto, existe principalmente um problema relacionado ao fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Reconhecer essa diferença ajuda a compreender também por que o atendimento e os recursos utilizados não são os mesmos”, explica  Rodrigo Feijó, Consultor de Produtos da MA Hospitalar.

    Diante da suspeita de infarto, a orientação é buscar atendimento de emergência imediatamente. No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192.

    Na parada cardíaca, a resposta precisa ser imediata

    Na parada cardíaca, a situação é diferente. O coração deixa de bombear sangue de maneira eficaz para o cérebro e outros órgãos. A pessoa geralmente perde a consciência, não responde a estímulos e não respira ou apresenta apenas movimentos respiratórios agônicos.

    Alterações graves no ritmo elétrico do coração estão entre as possíveis causas da parada, mas ela também pode decorrer de diferentes condições clínicas. O próprio infarto é uma das situações capazes de desencadear uma parada cardíaca.

    Quando o desfibrilador é usado

    Uma dúvida frequente é se qualquer emergência envolvendo o coração exige choque elétrico. A resposta é não. Durante uma parada, um desfibrilador cardíaco, especialmente na versão externa automática utilizada em diferentes ambientes, pode analisar a atividade elétrica do coração e identificar se existe um ritmo passível de desfibrilação. 

    O choque é indicado principalmente em alterações como fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso. Isso significa que o equipamento não aplica um choque sempre que é conectado ao paciente. Nos modelos automáticos, o próprio sistema avalia o ritmo e orienta o usuário sobre a conduta. Há também tipos de parada em que a desfibrilação não é indicada, tornando outras etapas da ressuscitação prioritárias.

    “O desfibrilador precisa ser entendido como parte de uma cadeia de atendimento. Ter o equipamento disponível é importante, mas reconhecer uma parada, acionar a emergência rapidamente e iniciar as medidas de ressuscitação também fazem parte dessa resposta. A tecnologia deve estar integrada a protocolos e pessoas preparadas para agir”, afirma Rodrigo Feijó, Consultor de Produtos da MA Hospitalar

    Saber diferenciar ajuda a tomar a decisão correta

    De forma resumida, o infarto é inicialmente um problema de circulação do sangue nas artérias que irrigam o coração. A parada cardíaca representa a interrupção da capacidade do coração de manter a circulação sanguínea de forma efetiva.

    As duas situações são emergências e não devem ser avaliadas apenas por quem presencia o episódio. Diante de sintomas compatíveis com infarto ou de uma pessoa inconsciente e sem respiração normal, o atendimento de emergência deve ser acionado imediatamente.

    Entender a diferença não tem o objetivo de transformar leigos em responsáveis pelo diagnóstico, mas de reduzir um equívoco comum e favorecer uma resposta mais rápida quando cada minuto pode interferir no desfecho.

  • Com o avanço do aquecimento global, idosos enfrentam mais riscos à saúde

    Com o avanço do aquecimento global, idosos enfrentam mais riscos à saúde, alerta especialista do Sabin

    Somada aos efeitos do El Niño, a exposição prolongada ao calor e à poluição agrava doenças pré-existentes e exige atenção redobrada

    De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados na história, e o número de dias acima de 35 °C tem crescido significativamente no Brasil. Esse cenário, impulsionado pelo aquecimento global e intensificado por fenômenos climáticos como o El Niño, agrava doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre os idosos. O aumento da poluição atmosférica, das queimadas e dos períodos prolongados de seca intensifica crises de asma, bronquite e doenças pulmonares obstrutivas, além de elevar o risco de infartos e derrames. 

    Segundo Josie Velani Scaranari, médica clínica geral do check-up executivo do Sabin Diagnóstico e Saúde, os efeitos do calor intenso e das mudanças climáticas exigem atenção redobrada de profissionais de saúde e familiares. “Os idosos são mais vulneráveis às variações de temperatura e tendem a se desidratar com facilidade, já que o organismo envelhecido perde parte da capacidade de armazenar e regular a água corporal. Isso aumenta os riscos de desidratação, confusão mental e oscilações na pressão arterial”, ressalta a especialista. 

    Entre as medidas preventivas, hidratação constante e adequação do ambiente são primordiais. Manter o idoso em locais ventilados, frescos e sombreados é essencial, assim como usar roupas leves, ter uma alimentação equilibrada e evitar atividades ao ar livre nos horários mais quentes. A especialista reforça que a hidratação é o ponto central, já que muitos idosos não têm o hábito de beber água ou não percebem a sede. É importante oferecer líquidos com frequência, como água, água de coco e chás leves, além de garantir um espaço arejado, com ventiladores ou ar-condicionado, sem medo de usá-los adequadamente. 

    A identificação precoce dos sinais de desidratação, como confusão mental e redução do volume urinário, é fundamental para evitar complicações. O Sabin Diagnóstico e Saúde oferece exames e check-ups geriátricos que auxiliam no diagnóstico e acompanhamento da saúde dos idosos.