Pesquisa aponta que a maioria dos tutores subestima a condição corporal dos pets, o que pode dificultar a identificação do sobrepeso e da obesidade
O excesso de peso pode passar despercebido na rotina dos gatos, alerta a WeVets, o maior grupo de saúde veterinária do Brasil. De acordo com estudo brasileiro publicado na revista científica PLOS ONE em janeiro de 2026, 28,7% dos gatos domiciliados
avaliados apresentavam sobrepeso ou obesidade. Entre os gatos com sobrepeso, os tutores subestimaram a condição corporal em 71% dos casos. Para os gatos com obesidade, a proporção foi de 75%.
A avaliação considerou o escore de condição corporal dos animais, indicador clínico que observa características como a cobertura de gordura e a percepção das costelas e da cintura. O estudo também identificou maior frequência de excesso de peso
entre gatos de 7 a 10 anos e entre os que tinham menor nível de atividade física. Os resultados descrevem os animais avaliados na pesquisa e não representam uma estimativa para todos os gatos do país.
“Como o ganho de peso pode ocorrer gradualmente, o tutor nem sempre percebe a mudança ou pode considerar que o gato está apenas mais robusto. Também existe, mesmo que em menor grau, a percepção de que o pet saudável é um pouco mais gordinho. A
avaliação veterinária ajuda a verificar a condição corporal e a definir orientações compatíveis com a idade, a saúde e a rotina de cada pet”, afirma Gustavo Jorge Gonçalves, médico veterinário da WeVets.
A pesquisa de opinião mais recente da Association for Pet Obesity Prevention (APOP), divulgada em 2026, também aponta dificuldades para controlar o peso dos felinos. Entre os tutores que tentaram ajudar seus gatos a emagrecer, 19% relataram que os
animais chegaram ao peso saudável. O levantamento ouviu tutores e profissionais veterinários e se baseou em respostas dos participantes.
O acompanhamento do peso deve considerar mais do que o número indicado pela balança. A avaliação profissional pode orientar o controle das porções, a escolha da alimentação e formas de estimular a atividade física. Mudanças na dieta precisam
ser conduzidas com orientação veterinária, de acordo com as necessidades de cada gato.
“O ganho de peso em gato é silencioso. Ele não deixa de comer, não deixa de brincar, e por isso o tutor costuma só notar quando alguém de fora aponta”, afirma Gonçalves. “A condição corporal é avaliada na própria consulta de rotina, e é
a partir dela que dá para ajustar porção e alimentação com alguma precisão.”
O estudo brasileiro avaliou 188 gatos de 80 domicílios em Goiânia (GO) e foi publicado na PLOS ONE em 7 de janeiro de 2026. A pesquisa de opinião da APOP ouviu 265 pessoas, entre tutores e profissionais veterinários, em 45 estados dos Estados
Unidos.