Claudia Kiatake e Cristina Suzuki exploram raízes familiares e a influência da imigração japonesa na cultura cafeeira brasileira
A partir de 7 de novembro, o Museu do Café (MC), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, receberá a exposição Sem distância entre nós, das artistas contemporâneas Claudia Kiatake e Cristina Suzuki, com curadoria de Marcio Harum e Monica Hirano. A mostra articula a história da imigração japonesa no Brasil e da cafeicultura paulista às origens familiares e às pesquisas artísticas das autoras.
Em 1908, a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos marcou um capítulo importante da imigração nipônica no Brasil. Muitos dos imigrantes seguiram para o interior paulista, onde trabalharam nas lavouras de café e contribuíram para a formação de comunidades nipo-brasileiras, cujas tradições se desenvolveram em diálogo com a cultura brasileira.
É nesse contexto que as histórias das duas artistas se cruzam, seus antepassados também fizeram parte desse movimento migratório e trabalharam em fazendas de café e algodão no interior de São Paulo. Essas memórias atravessam as pesquisas de Kiatake e Suzuki, que encontram no café um elo para explorar questões de identidade. A parceria entre as duas artistas já dura quatro anos e teve seu primeiro desdobramento na exposição Sombras-Luzes: identidade na diáspora japonesa no Brasil, apresentada no Museu da Imigração, em São Paulo.
Paulistana, Claudia Kiatake desenvolve uma pesquisa artística que relaciona a ancestralidade à estética japonesa e propõe o resgate e a apropriação das referências culturais de origem de cada indivíduo. Sua produção inclui pinturas em diferentes suportes, como tecido, lona e papel, com uso de cera, nanquim e pigmentos, além de esculturas em madeira e metais e instalações. Na exposição, Kiatake apresenta instalações de até 6 metros de extensão e outras obras que transformam materiais ligados à cafeicultura, como sacas de café, filtros de papel e juta, em composições de diferentes formas, texturas e contrastes.
Já a pesquisa de Cristina Suzuki, artista paulistana com 22 anos de trajetória nas artes visuais contemporâneas, investiga como os padrões sociais influenciam a percepção de mundo por meio de linguagens como fotografia, gravura, instalações e vídeo. Na exposição, a artista parte da história de seus ancestrais para abordar a imigração japonesa e a memória familiar. O público poderá conferir um biombo que combina registros históricos da imigração com uma fotografia do casamento de seus avós maternos, além de seis peças de vestuário que remetem a diferentes fases da vida, da infância à juventude. A seleção inclui ainda trabalhos que exploram estereótipos culturais e uma obra inédita produzida com borra de café.
No Salão do Pregão, palco das antigas negociações cafeeiras da Bolsa Oficial de Café, as artistas apresentam Cerimônia do Café, uma instalação fixa que será inaugurada com uma performance criada especialmente para o Museu do Café. A obra propõe um olhar sensível sobre o hábito de compartilhar um cafezinho, transformando um gesto cotidiano em um ritual que aproxima diferentes culturas.
Disponível até 24 de abril de 2027, a exposição Sem distância entre nós propõe novas perspectivas sobre a história e a cultura do café a partir das pesquisas das artistas. Ao receber a mostra, o Museu do Café amplia as possibilidades de contar a história da cafeicultura brasileira, incorporando os olhares e as vivências de quem também ajudou a construí-la.
Museu do Café
Rua XV de Novembro, 95 – Centro Histórico – Santos/SP
Funcionamento: de segunda a sábado, das 9h às 18h, e domingo, das 10h às 18h (fechamento da bilheteria às 17h).
Entrada temporariamente gratuita
