Teste de poucos minutos não deve ser o único critério de escolha; peso, altura, densidade, composição e certificação também precisam entrar na
decisão
Deitar no colchão, gostar da sensação e conferir o preço: essa avaliação pode parecer suficiente para decidir a compra. Mas o conforto percebido em poucos minutos não revela todas as características de um produto que será utilizado durante
várias horas, todas as noites.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER), peso, altura, densidade, composição e certificação também devem ser considerados. A orientação é combinar a percepção de conforto com informações técnicas sobre o colchão e sobre o
próprio biotipo.
“É comum o consumidor chegar à loja olhando primeiro para o preço e para a sensação que tem ao deitar. Esses fatores fazem parte da decisão, mas não deveriam ser os únicos. Conhecer o próprio biotipo e entender as características do colchão
ajuda a fazer uma escolha mais consciente”, explica Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do INER.
Antes de fechar a compra, cinco perguntas podem ajudar o consumidor a comparar os produtos:
– Qual é a densidade indicada para o meu peso e altura?
– Qual é a composição do colchão?
– Quais são as características técnicas do produto?
– O colchão possui alguma certificação?
– Além de parecer confortável, ele é adequado ao meu biotipo?
O teste na loja é importante, mas não conta toda a história. Deitar no colchão antes da compra continua sendo uma forma importante de avaliar o conforto. O cuidado é não transformar essa impressão de poucos minutos no único critério de decisão.
Como o produto será utilizado por várias horas a cada noite, precisa manter suas características de desempenho ao longo do uso. Além da sensação imediata, é importante observar composição, densidade, características técnicas e
procedência.
“A pessoa pode deitar por alguns minutos e gostar muito da sensação, mas isso não conta toda a história. É preciso entender também o que existe dentro daquele produto e quais são as características indicadas para quem vai utilizá-lo”, afirma
Cleriane.
A densidade da espuma não deve ser escolhida apenas pela preferência pessoal. Peso e altura ajudam a identificar a opção mais adequada a cada biotipo. Desde 1984, o INER utiliza esses dois parâmetros em sua Tabela de Biotipo. Desenvolvida por
médicos e técnicos do instituto, ela cruza diferentes combinações de peso e altura para orientar a escolha da densidade da espuma.
Uma mesma densidade pode, portanto, ser adequada para uma pessoa e não para outra. Conhecer essas informações antes de chegar à loja ajuda a comparar os produtos e a compreender as orientações do vendedor. “Não existe uma única densidade ideal
para todas as pessoas. A tabela foi criada justamente para relacionar características do corpo às necessidades de suporte da espuma”, explica a diretora-executiva.
Colchões semelhantes na aparência podem ter características técnicas diferentes. Por isso, conferir a etiqueta é outro passo importante antes da compra. Ela apresenta informações sobre a composição e as características do produto que não podem
ser identificadas apenas pelo toque. Espumas, molas e outros materiais desempenham funções distintas dentro do colchão, e compreender minimamente essa composição ajuda o consumidor a comparar as opções.
Além da etiqueta, a presença de uma certificação pode oferecer uma referência adicional sobre o produto. O Selo Pró-Espuma, criado pelo INER, é uma certificação voluntária baseada em critérios técnicos para avaliação de colchões. Os
produtos certificados passam por ensaios laboratoriais e auditorias periódicas.
Entre os aspectos avaliados estão densidade, firmeza, resiliência, deformação permanente, força de indentação e fadiga dinâmica. “A certificação amplia as informações disponíveis para o consumidor. Em vez de avaliar apenas o que consegue
perceber na loja, ele passa a contar também com uma referência baseada em critérios técnicos e avaliações do produto”, diz Cleriane.
Menor preço em perspectiva
O colchão será utilizado repetidamente durante anos. Segundo o INER, escolher exclusivamente pelo menor preço pode levar o consumidor a desconsiderar adequação ao biotipo, composição, qualidade e desempenho. “Quando falamos de colchão, o barato
pode deixar de ser barato se a escolha não considerar as necessidades de quem vai utilizar o produto. É uma compra que acompanha a pessoa durante muitas horas, todas as noites”, destaca Cleriane.
Para a diretora-executiva, reunir essas informações antes da compra torna a decisão mais simples e consciente. “A ideia não é complicar a compra. Pelo contrário. Quando o consumidor chega à loja sabendo seu peso, sua altura e o que deve observar
na etiqueta, consegue conversar melhor com o vendedor e comparar os produtos com mais informação”, conclui
