Fortalecer o corpo é prevenir dor: hábitos saudáveis reduzem lesões ortopédicas e elevam a qualidade de vida
Doenças crônicas como artrose e osteoporose podem ser prevenidas com cuidados básicos de saúde e qualidade de vida
Na sociedade contemporânea, em que o sedentarismo e a má postura são cada vez mais frequentes, adotar hábitos saudáveis não é apenas recomendação médica: é investimento em qualidade de vida. Dados oficiais mostram que as afecções músculo-esqueléticas exercem enorme impacto no sistema de saúde e na vida das pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde, as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) estão entre as doenças ocupacionais mais prevalentes no Brasil. Entre 2007 e 2016, foram registrados 67.599 casos dessas condições no país — um aumento de 184% nesse período. Entre 2018 e 2023, foram registrados 46.307 casos de LER/DORT no Brasil, com pico em 2023. Homens representaram 53,13% dos casos, mulheres 46,87%. A faixa etária mais afetada foi de 40 a 59 anos.
Além disso, a osteoporose, outra preocupação ortopédica, é uma causa importante de morbidade entre idosos. O governo aponta que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais terão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Aproximadamente 5% dos pacientes que sofrem fratura de quadril morrem durante a internação, 12% falecem nos três meses seguintes, e até 20% morrem no ano seguinte ao evento (dados estrangeiros usados como parâmetro).
Diante desse cenário, o papel da ortopedia, em especial a prevenção, ganha centralidade. Para o ortopedista Dr. Fabiano Nunes, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, “hábitos saudáveis são a alma para o tratamento e para a prevenção de problemas ortopédicos. Atividade física, boa postura, alimentação adequada, calçados e roupas corretas: juntos, eles fazem a diferença”.
Ele reforça que lesões traumáticas e degenerativas como artrose, lesões tendíneas, lombalgias e osteoporose podem ser evitadas ou retardadas. “Um bom alongamento, força muscular adequada e postura correta ajudam a distribuir melhor as cargas. Já uma articulação rígida eleva o risco de desgaste. O músculo fragilizado força o osso e a articulação”, diz.
Além disso, o especialista alerta para a influência do estilo de vida moderno na saúde musculoesquelética. O sedentarismo, por exemplo, compromete a massa muscular principal protetora das articulações e aumenta o risco de osteoporose e fraturas. Já no ambiente de trabalho, a falta de pausas, má postura e estações não ergonômicas favorecem quadros de tendinites e dores crônicas. “Pequenas adaptações, como ajustar a altura da cadeira, manter o monitor na linha dos olhos, usar apoio de punho e fazer intervalos frequentes, reduzem de forma significativa a sobrecarga mecânica sobre músculos e articulações”.
O especialista destaca ainda a importância de um acompanhamento regular com o ortopedista. “Independentemente da idade ou do nível de atividade, o check-up ortopédico permite identificar riscos de forma precoce. Quanto antes iniciarmos a prevenção ou o tratamento, maiores são as chances de preservar a mobilidade e evitar complicações”, ressalta o Dr. Fabiano.
Os principais pilares para prevenir lesões ortopédicas
- Atividade física regular e equilibrada: previne perda de massa muscular e protege articulações.
- Alongamento e flexibilidade constantes: melhoram a amplitude articular, reduzem rigidez ou dor, e diminuem o risco de lesões.
- Boa postura e ergonomia: especialmente no trabalho, ajustar altura da cadeira e monitor, pausas frequentes e cuidados com uso de celular e computador.
- Alimentação nutritiva: ingestão adequada de cálcio, vitamina D e outros nutrientes essenciais ao metabolismo ósseo.
- Controle do excesso de exercício: o “excesso de treino” (overtraining) pode trazer lesões musculares, alterações hormonais, sobrecarga articular e prejuízos ao sistema imunológico e emocional.
Com essa abordagem, a ortopedia não representa apenas o cuidado pós-lesão: ela torna-se ferramenta de prevenção e manutenção da qualidade de vida, promovendo mobilidade, independência e redução de dores.