O que as patinhas revelam sobre a saúde dos pets

O que as patinhas revelam sobre a saúde dos pets


As almofadinhas das patas ajudam cães e gatos a absorverem impactos, proteger articulações, manter o equilíbrio e isolar parte do contato com o chão. Como ficam expostas a pisos quentes, superfícies ásperas, produtos químicos e objetos cortantes, também podem apresentar alterações que ajudam o tutor a perceber problemas de saúde.

Uma crença comum é que almofadinhas rosadas e macias seriam necessariamente saudáveis, enquanto áreas escuras ou ásperas indicariam alguma doença. A avaliação não é tão simples. A pigmentação pode variar entre rosa, preto, marrom ou uma combinação dessas cores, conforme as características de cada animal. Uma superfície um pouco mais espessa também pode ser normal, principalmente em cães que caminham com frequência.

Segundo Gustavo Jorge Gonçalves (CRMV-SP 46417), o principal parâmetro é observar mudanças em relação ao aspecto habitual das patas.

“Não existe uma única cor ou textura que represente uma pata saudável. O tutor deve conhecer o padrão do próprio animal e ficar atento a alterações recentes, principalmente quando aparecem dor, inchaço, feridas, secreção ou dificuldade para caminhar”, explica.

O que cada alteração pode indicar
Rachaduras e ressecamento

Pequenas áreas ásperas podem surgir pelo contato frequente com o chão, mas fissuras profundas, sangramento ou sensibilidade exigem atenção. Entre as possíveis causas estão atrito, exposição a temperaturas extremas, queimaduras, irritações e alterações na produção de queratina.

O espessamento excessivo das almofadinhas pode estar relacionado à hiperqueratose, condição caracterizada pelo acúmulo de queratina. Em quadros mais intensos, podem surgir fissuras, dor, infecções secundárias e dificuldade para caminhar.

Vermelhidão e inchaço

Patas avermelhadas ou inchadas podem indicar inflamação causada por alergias, contato com substâncias irritantes, queimaduras, infecções ou corpos estranhos, como espinhos, fragmentos de vidro e pequenas pedras. A inflamação também pode aparecer entre os dedos e provocar coceira, dor e queda de pelos.

Crostas e descamação

Crostas não devem ser arrancadas. Elas podem surgir após traumas, queimaduras, processos inflamatórios ou doenças dermatológicas. Quando o problema persiste, aumenta ou atinge várias patas, a avaliação veterinária ajuda a identificar a causa e definir o tratamento.

“Aplicar cremes por conta própria pode piorar a irritação ou oferecer risco caso o animal lamba o produto. Até hidratantes aparentemente inofensivos precisam ser indicados por um médico-veterinário”, orienta.

Feridas, bolhas e sangramento

Cortes, perfurações, queimaduras e desprendimento de parte da almofadinha provocam dor e podem dificultar o apoio da pata. Se houver sangramento, o tutor pode fazer uma compressão cuidadosa com gaze ou pano limpo durante o deslocamento até o atendimento. Objetos profundamente presos não devem ser retirados em casa, pois a tentativa pode ampliar a lesão e o sangramento.

Mudança repentina de cor

Alterações recentes de pigmentação, sobretudo quando acompanhadas por feridas, crostas, inchaço ou dor, precisam ser investigadas. A coloração natural varia entre os animais, mas uma mudança repentina não deve ser interpretada isoladamente nem usada para fechar um diagnóstico.

O comportamento também dá pistas

Nem todas as alterações ficam visíveis logo no início. Lamber ou morder as patas repetidamente, mancar, evitar apoiar uma das pernas, demonstrar incômodo ao toque ou reduzir os passeios pode indicar dor, coceira ou presença de algum corpo estranho.

Odor forte, secreção, sangramento, perda de pelos entre os dedos e aumento de volume também justificam uma consulta. A lambedura excessiva não deve ser tratada apenas como hábito, pois pode estar ligada a alergias, ferimentos e outros problemas dermatológicos.

Calçadas quentes podem causar queimaduras

Embora sejam mais resistentes que a pele humana, as almofadinhas podem sofrer queimaduras durante passeios em asfalto ou concreto aquecido. Nos dias quentes, a recomendação é priorizar o começo da manhã e o fim da tarde, procurar áreas sombreadas e verificar a temperatura do piso antes de sair.

Relutância em caminhar, lambedura logo após o passeio, vermelhidão, bolhas e desprendimento da camada superficial podem indicar queimadura. A Universidade Cornell alerta que as almofadinhas, apesar de resistentes, também podem ser lesionadas pelo pavimento quente.

Como examinar as patas em casa

A inspeção pode ser feita depois dos passeios ou durante os momentos de higiene. O tutor deve observar:

  1. O estado de todas as almofadinhas
  2. Os espaços entre os dedos
  3. A presença de cortes, espinhos ou resíduos
  4. Vermelhidão, inchaço, secreção ou odor
  5. Unhas quebradas ou excessivamente compridas
  6. Dor ou resistência ao toque
  7. Lambedura persistente
  8. Mudanças recentes de cor, espessura ou textura

Após o passeio, as patas podem ser limpas com água e secadas cuidadosamente, inclusive entre os dedos. Produtos hidratantes, pomadas, antissépticos e medicamentos devem ser usados somente com orientação profissional.

“Observar as patas leva poucos minutos e pode revelar uma lesão antes que ela se agrave. Quando o animal manca, sente dor, apresenta sangramento, secreção ou não consegue apoiar a pata, o atendimento não deve ser adiado”, conclui o médico veterinário.