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Cigarros eletrônicos (vapes e pods) não são inofensivos!

Hoje, com o uso cada vez mais comum dos cigarros eletrônicos, muitos jovens – e também seus pais – estão começando a perceber algo preocupante: a forte dependência de nicotina que esses dispositivos causam. Há adolescentes que já não conseguem assistir a uma aula inteira sem sair da sala para “vaporizar”, ou que usam escondido no fundo da classe, já que a fumaça quase não tem cheiro. Muitos dizem que não fumam – apenas “vaporizam”. Mas o efeito no corpo é real e perigoso.

Segundo João Paulo Lotufo, vice-presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), esses aparelhos contêm altas doses de nicotina, uma substância que causa vício rapidamente, além de diversos produtos químicos tóxicos que prejudicam os pulmões, o coração e o cérebro – especialmente em crianças e adolescentes, que ainda estão em desenvolvimento. “Quem usa vape pode ter de cinco a seis vezes mais nicotina no sangue do que quem fuma o cigarro tradicional. Com isso, a dependência é maior e parar se torna muito mais difícil”, explica o médico.

Esse fenômeno não é por acaso, de acordo com Lotufo. Ele diz que existe um marketing bem planejado de uma indústria que aumentou a concentração de nicotina e criou sabores doces e agradáveis para atrair cada vez mais jovens, formando consumidores por muitos anos. “Os sabores de frutas, menta e doces facilitam o início do uso e passam a falsa ideia de algo inofensivo. É importante reforçar: vape não é vapor de água! É um aerossol cheio de substâncias prejudiciais, incluindo metais pesados, produtos cancerígenos e compostos que podem causar inflamações graves nos pulmões”, revela.

Para Marina Buarque de Almeida, membro do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP, esses dispositivos foram divulgados como uma alternativa “menos prejudicial”, mas já se sabe que podem causar doenças pulmonares graves e precoces, tão sérias quanto problemas conhecidos, como o enfisema, por exemplo. “Além disso, muitas informações falsas circulam nas redes sociais, minimizando os riscos e incentivando o uso entre adolescentes”, completa a especialista.

Outro ponto preocupante, segundo a pneumologista pediátrica, é quando adultos acabam normalizando o consumo – seja usando vape junto com os filhos ou tratando isso como algo sem perigo. “O exemplo dentro de casa tem enorme influência”, assegura. Estudos mostram que quando os pais fumam, cerca de metade dos filhos tende a repetir o hábito; quando os pais não fumam, esse número cai muito. “O mesmo acontece com o consumo de álcool. Ou seja, o comportamento da família faz grande diferença”, observa a médica.

“É verdade que nem todas as pessoas que fumam terão doenças graves, mas o risco existe – e aumenta muito quando há histórico familiar de câncer ou problemas respiratórios. O tabagismo pode multiplicar essas chances”, afirma Marina. Na opinião de Lotufo, muitos jovens começam por curiosidade com amigos, às vezes aos 12 ou 13 anos de idade, e quando os pais percebem, o uso já se tornou diário. “O consumo começa cada vez mais cedo e traz riscos reais à saúde”, finaliza o pneumologista pediátrico.