Voluntários do GRAACC aprendem narração de histórias

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Cerca de 50 Voluntários do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer) tiveram a oportunidade de aprender a narrar histórias para se conectarem melhor com as crianças que estão internadas ou fazem tratamento no hospital.

A iniciativa faz parte do projeto “Histórias que contam Histórias II”, promovido pela Arte Despertar, via o ProAC-SP. O projeto, que foi adaptado devido à pandemia e teve suas atividades desenvolvidas à distância, abordou os vários tipos de história, a relação com a música, abordagens possíveis para se contar uma história, técnicas como interpretação, oralidade e improvisação, e o papel do contador de história.

Com carga horária de 16h, foram realizados cinco encontros virtuais, em tempo real, com 2h de duração cada, além de um tempo para atividades como leituras e pesquisas.

Rosangela Borgonovi, Coordenadora da Brinquedoteca GRAACC, esteve presente nos encontros e acredita que as atividades da Arte Despertar impactaram diretamente o desenvolvimento do trabalho que realizam. “Eu acredito que o envolvimento com a história, desperta o interesse do universo infanto juvenil. Muitas vezes, ao ouvir uma história durante o tratamento de câncer o paciente se teletransporta para aquele universo, e por instantes ele suaviza o tratamento, através de uma risada, de um sonho, de uma esperança. O nosso trabalho é amparar e acolher aquela dor, aquele sofrimento. Ter estudos e bases de ONGs que nos apoiam nessa missão é de extrema importância para o nosso aprendizado e excelência na qualidade de se expressar e acolher nosso paciente”.

Os desafios dessa nova realidade é também experienciado pelos arte-educadores da Arte Despertar. Cristiana Ceschi, uma das narradoras de história responsável pelos encontros no GRAAC, conta que o momento foi de muitas descobertas. “O encontro vigoroso entre pessoas dispostas a aprender e a partilhar conhecimento acontece e a estratégia principal para isso, na minha opinião, é o afeto. O afeto intimamente ligado à essa vontade de trocar e aprender junto com um grupo de pessoas algo que faz sentido e transforma, engrandece a nossa visão de mundo e experiência humana”, conta.

Rosangela comentou também que as histórias são estratégias importantes para o acolhimento ao paciente. “Existem duas vertentes, os que aceitam de imediato, e aqueles pacientes que não estão conectados para receber aquela atenção. O importante para os voluntários é ter a percepção de qual momento podemos abordar essa dinâmica, sem invadir e apresentar essa atividade porque o nosso papel é distraí-los do sofrimento. Algumas vezes eles querem contar a história, e o papel do voluntariado é também, de ouvir”, conta a coordenadora.

Para a narradora de histórias Cristiana, a arte tem uma função importante no ambiente hospitalar. “A arte comunica e acessa o que há de mais vivo nos indivíduos, com toda sua integridade e não apenas com sua doença ou o momento difícil da vida que estão passando. Por meio da arte e suas transposições poéticas devolve-se a pessoa para ela mesma. Abre-se um caminho para que ela mesma encontre remediações perdidas, possibilidades antes ocultas. As histórias realizam de maneira clara e afetuosa uma mediação simbólica entre o que é e o que ainda pode ser, contribuindo assim para que os pacientes se sintam sujeitos e participantes do seu processo de cura.”, finaliza.

O projeto “Histórias que contam Histórias II” foi realizado no âmbito do Programa de Ação Cultural (ProAC-SP) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, com patrocínio das empresas Aché Laboratórios Farmacêuticos, Bexp, Brabus, Sunnen e Track & Field. 

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